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Lançado em 2010 para consoles e um ano depois para Windows, Mafia II busca mostrar os bastidores da Máfia siciliana na cidade fictícia de Empire Bay (baseada em diversas localidades reais). Sem ligações fortes com o primeiro jogo da série, este título da saga está ambientado entre os anos 40 e 50 e se vale de um mundo aberto tedioso e meio-morto para mostrar a estética da época. Certamente inspirado em GTA, e em filmes como O Poderoso Chefão e Os Bons Companheiros, o Mafia II falha em ser tão bem executado quanto o jogo que o inspirou, e acaba apresentando uma história insipiente, mau contada e mau arquitetada em comparação com os filmes que tratam sobre a máfia. Apesar de parecer sincero, preocupado com seus aspectos técnicos e em estabelecer um tom e um clima apropriado para a trama, o jogo da 2K Czech falha em quase tudo o que se propõe.

A ideia da história é boa. Vito Scaletta é um jovem siciliano que imigra para os Estados Unidos com sua família em busca de condições melhores, mas encontra apenas a pobreza. Desde a adolescente dado a pequenos crimes com seu amigo Joe Barbaro, a cutscene inicial mostra o protagonista sendo preso e convencido a se alistar como um soldado na Segunda Guerra Mundial. É quando Vito está de volta a sua terra natal, combatendo as forças fascistas de Mussolini que é dado o controle ao jogador. A situação de guerra então é usada como um tutorial para ensinar ao jogador o funcionamento dos tiroteios que irão permear o jogo. Este é um segmento de Mafia II que funciona muito bem. A breve sequencia introdutória das mecânicas de tiro e cobertura é bem feita e logo se vê que a parte shooter do game é interessante. No entanto, não é exatamente uma boa coisa quando o melhor de um jogo é o seu tutorial.

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Conforme o Mafia II vai progredindo, o que parecia uma ótima promessa acaba demonstrando que não está a altura do desafio. Apesar de ter boas ideias em sua história e suas mecânicas, o jogo acaba fracassando em criar uma experiência realmente enriquecedora. A história de Vito tem boas propostas e começa de forma interessante, no entanto ela rapidamente se perde em missões cada vez mais aleatórias que pareciam existir apenas por si mesmas e não como parte de uma história maior. Conforme a trama vai se aproximando do seu desfecho, o roteiro falha em criar drama e tensão, trazendo de volta elementos antigos e já esquecidos sem integrá-los de forma satisfatória na história. Muitas das missões são interessantes de forma isolada, mas assim que acabam o jogo simplesmente não consegue fazer um bom ligamento com a próxima, desperdiçando todo o drama e tensão que poderiam ter sido criados.

De fato, a história inteira é uma grande confusão. Parece até que os roteiristas não conseguiam se decidir no que o jogo iria focar e o que iria acontecer em seguida. As preocupações de Vito com a máfia são quebradas mais de uma vez por problemas triviais como precisar ajudar um amigo bêbado ou dar uma lição no marido da irmã. Não que esses eventos sejam por definição ruins, pelo contrário. É muito boa a ideia de mostrar a relação do personagem com os amigos e a família, usando isso para definir a personalidade dele, o clima da história e a ambientação do jogo. Contudo, a forma como Mafia II acaba usando essas cenas é por demais amadora, jogando-as em momentos completamente impróprios em que a história pede outro tipo de movimento e o jogador busca outro tipo de informação.

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Mas verdade seja dita, cenas mau encaixadas à parte, o jogo até que estabelece bem o relacionamento entre Vito e seu amigo Joe Barbaro. Joe é a única coisa constante no jogo, mais constante e bem trabalhado até mesmo que a própria máfia. Os diálogos que ele e o protagonista têm quando estão andando de carro são muito bons e atenuam parte da total perda de tempo que é transitar pelo morto cenário de Máfia 2, por mais que ele seja esteticamente condizente com o período histórico.

Duas coisas são aceitáveis no jogo, aspectos mais técnicos que não suavizam a barra dos roteiristas. O gráfico de Máfia II é apreciável, nenhuma grande maravilha para sua época, mas cumpre muito bem o seu papel e não envelheceu mau. Os momentos de ação também são elogiáveis, e para o estilo de jogo os tiroteios são bem organizados e a mecânica de cobertura bem utilizada. É uma pena que em nenhum momento se possa atirar com uma Tommy Gun pelas janelas de um carro. Vito Scaletta sempre recebe o posto de motorista, mesmo quando talvez fosse interessante também encher os inimigos de chumbo em meio a uma perseguição.
Não há muito o que se recomendar no jogo, contudo. Extremamente entediante, com um mundo aberto morto e uma história mau escrita e mau arquitetada, Mafia II é certamente um título para se evitar. Talvez uma curiosidade possa valer o tempo da jogatina, mas quem busca por uma boa história é melhor procurar em outro lugar.

A cópia do jogo resenhado foi adquirido pelo resenhista

Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.


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