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Um jogo indie de exploração e quebra-cabeça, Oneshot bebe claramente da influência de jogos como Yume Nikki, em sua simplicidade misteriosa, e por vezes inquietantemente bela. Também desenvolvido no RPG Maker, esse jogo da desenvolvedora Little Cat Feet é mais um daqueles jogos independentes que prova que não é preciso mega-orçamentos ou pretensões megalomaníacas para se criar uma experiência sólida, e um jogo mais do que competente.

Em Oneshot, o jogador é apresentado a um mundo misterioso onde o sol se extinguiu e alguma espécie de catástrofe parece ter acontecido. Seu papel então é guiar uma criança, Niko, a messias profetizada, que carrega o novo sol daquele mundo, uma lâmpada, e precisa coloca-lo de volta em seu lugar. Para tanto, tendo que resolver diversos enigmas envolvendo a descoberta de códigos, combinação de itens e outras coisas mais estranhas, enquanto viaja por esse mundo moribundo e vai descobrindo pedaços de informação sobre o que pode ter realmente acontecido.

Diferente da maioria dos jogos, o jogador não tem o papel de “encarnar” o personagem e ver a história sob seus olhos. Em Oneshot, o jogador atua expressamente como um guia, e também como uma entidade que interage com o próprio jogo e suas criaturas. Quebrar a quarta parede é uma das premissas principais de Oneshot, e o jogador logo se descobre como um “Deus” daquele mundo, que está a todos assistindo, influenciando e guiando. Constantemente o personagem Niko faz perguntas para o jogador, ou interage em meio a diálogos questionando, e conversando, tornando a experiência mais interessante. Não são tantas as vezes em que é possível escolher alguma resposta para conversar com Niko, no entanto, a forma como os diálogos são escritos faz com que o jogador se sinta imerso dentro da obra.

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Mas as verdades dentro do jogo, de que o jogador é uma entidade dentro da própria história e interage com os personagens, também se traduz dentro da jogabilidade. Se, guiando Niko, é necessário resolver formas convencionais de enigmas dentro da tela de OneShot, o próprio jogador também é convocado para resolver seus próprios enigmas.

O jogo interage com o computador do jogador, acessando informações simples como o nome do usuário e do computador, lançando mensagens pop-ups do windows, efetivamente “saindo” de dentro do jogo. Mas não é tudo. Alguns dos puzzles precisam ser resolvidos fora de Oneshot, pois em determinadas circunstâncias são gerados arquivos de texto que precisam ser encontrados pelo jogador por entre as pastas de seu pc. Tais arquivos acabam contendo senhas ou códigos necessários para se passar, mas também trazem parte da história do jogo e ajudam a revelar os seus segredos.

Tudo isso consegue combinar de forma muito eficiente, criando um jogo simples, com gráficos carismáticos e bem conhecidos ao estilo pixelado dos antigos RPG Makers, mas muito bem trabalhado. Suas propostas não ficam só na teoria, funcionam, e Oneshot entrega uma experiência promissora, divertida e instigante.

Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.