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Desde que a Capcom revelou Pragmata em 2020, o projeto se tornou um dos maiores enigmas da indústria. Após um adiamento indefinido em 2023 que fez muitos temerem pelo cancelamento, o título finalmente mostrou a que veio. O jogo nos apresenta a Hugh, um astronauta em um traje de combate pesado, e Diana, uma criança androide que observa o mundo com uma curiosidade contagiante.

Os dois personagens estão presos em uma base lunar abandonada, onde a humanidade tentou recriar ícones terrestres através de simulações digitais. A premissa estabelece um mistério profundo sobre o destino da Terra enquanto entrega uma experiência que evoca o espírito criativo dos jogos da era do Xbox 360 e PlayStation 3, quando os games não precisavam repetir os sucessos do passado.

Para começar, a relação entre Hugh e Diana é o que sustenta a narrativa e diferencia Pragmata de outros títulos contemporâneos. Embora existam comparações óbvias com a dinâmica de proteção vista em The Last of Us, o jogo da Capcom evita o tom de amargura já visto em outras produções. Aqui, Hugh não age como um pai preocupado, mas sim uma figura que atua como um mentor curioso, quase como um tio encarregado de cuidar de uma criança por um final de semana.

Nova York de Pragmata
Reprodução/Capcom

Diana é uma personagem bem útil, sua natureza androide permite que ela interaja com o ambiente de formas únicas. Você sente o peso dessa conexão quando Hugh explica conceitos básicos da vida humana para ela, ou quando Diana demonstra uma tristeza genuína ao perceber que um escorregador de parquinho é pequeno demais para o seu protetor usar com ela.

Essa interação humana acontece principalmente no Cradle, o hub central localizado na Lua. Nesse espaço seguro, você pode gastar diferentes moedas para melhorar os atributos do traje de Hugh, aumentar a eficácia das habilidades de hacking de Diana e personalizar seu arsenal. O Cradle funciona como um refúgio onde o ritmo desacelera, permitindo que você observe Diana brincando com itens que você encontra durante as missões, como televisores antigos ou globos terrestres. O cuidado da Capcom com os detalhes é evidente na RE Engine, que entrega ambientes densos e uma performance surpreendentemente sólida até mesmo na versão para Steam Deck, mantendo a fidelidade visual e a fluidez necessárias para a ação.

O sistema de combate de Pragmata é uma mistura revigorante de tiro em terceira pessoa e resolução de quebra-cabeças sob pressão. Enquanto você controla Hugh para enfrentar robôs descontrolados, Diana atua como sua unidade de suporte tecnológico. Ao mirar em um inimigo, você ativa um grid de hacking que exige navegar por um labirinto digital usando o direcional enquanto continua se movimentando e atirando no mundo físico. Completar esse minijogo expõe pontos fracos críticos ou permite que Diana ative efeitos de área, como redes de estase que paralisam ameaças ou multiplicadores de dano. Essa dualidade exige uma coordenação motora e mental que torna cada confronto único e desafiador.

O arsenal de Hugh contribui para essa camada estratégica com armas que possuem propósitos muito específicos. Além da pistola e escopeta padrão, você tem acesso a rifles de carga de precisão para danos massivos e raios de distração que criam iscas para os inimigos. Um detalhe importante é a gestão de recursos, já que as armas costumam ser descartadas após o fim da munição, o que força você a ser preciso em cada disparo. O ambiente também é uma ferramenta de combate poderosa, permitindo que você hackeie módulos no teto para disparar lasers de energia nuclear que dizimam tudo na área. Você precisa ter cuidado redobrado, pois esses mesmos lasers podem eliminar Hugh instantaneamente se você não planejar bem o seu posicionamento.

A estrutura do jogo flerta com elementos de Metroidvania, especialmente quando você explora áreas mais abertas. O mundo é composto por partes de cidades famosas como Nova York, Seul e Madri, criadas pelo projeto Urban Recreation. Em uma Times Square digitalmente distorcida, você encontra bloqueios feitos de cristais roxos que inicialmente impedem o progresso, mas que Diana aprende a destruir conforme você desbloqueia novos upgrades para ela. Isso incentiva o retorno a áreas antigas para descobrir segredos e recursos escondidos. Embora o sistema de escaneamento possa por vezes facilitar demais o caminho, a verticalidade e a complexidade arquitetônica dos cenários mantêm o interesse na exploração sempre elevado.

Ao longo das batalhas contra chefes, fica claro que Pragmata não é apenas um jogo de tiro comum, mas uma experiência de ação coreografada. A Capcom parece ter encontrado um equilíbrio raro entre mecânicas estranhas e uma narrativa comovente, fugindo das fórmulas saturadas de sequências e remakes para entregar algo verdadeiramente novo no cenário atual dos grandes lançamentos.

Demo de Pragmata
Reprodução/Capcom

Em um mercado frequentemente saturado por sequências e fórmulas seguras, o principal motivo para dar uma chance a Pragmata é a sua coragem em ser diferente. O jogo resgata aquele sentimento de descoberta que parecia perdido nos grandes lançamentos AAA, trazendo uma honestidade criativa que brilha em cada mecânica.

Além da novidade da mecânica, a jornada de Hugh e Diana oferece um engajamento emocional genuíno que sai dos clichês melodramáticos esperados em um jogo com dois personagens desse tipo. Somando isso com um cenário de ficção científica surrealista, temos uma experiência memorável.

Honestamente, fico surpreso com a qualidade de Pragmata, tornando o jogo uma experiência obrigatória para quem busca profundidade narrativa aliada a um gameplay estratégico e recompensador. O título consegue equilibrar momentos de tensão máxima com cenas de ternura pura, apresentando uma nova franquia com identidade própria e muito potencial para o futuro.

Pragmata está confirmado para o dia 17 de abril de 2026. O título estará disponível para PlayStation 5, Xbox Series X, Windows PC e para o novo Nintendo Switch 2. O review foi feito com uma chave antecipada enviada pela Capcom.

Pragmata
  • Desenvolvedora: Capcom
  • Publisher: Capcom
  • Plataformas: PS5, Xbox Series XS, PC, Nintendo Switch 2
  • Review feito no: PC
  • Também testado no: Steam Deck
Positivo
  • A relação entre Hugh e Diana é genuína e encantadora
  • Inovador e integra perfeitamente o combate com o puzzle
  • Ambientes surreais e detalhados com excelente uso da RE Engine
Negativo
  • Muita informação na tela
  • Câmera pode causar uns problemas
Nota 9
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.


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