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Seguindo de perto a onda de jogos ao estilo iniciada por Player’s Unknown Battleground, SOS, jogo em acesso antecipado da Outpost Games Inc, busca não apenas fazer um jogo divertido para os jogadores se enfrentarem e digladiarem, mas também uma obra que seja divertida de se assistir. Buscando unir o estilo de games battle royalle, mas com suas próprias adições e carisma próprio, e algo inovador já voltado para a tendência dos streams de games e da cultura youtuber, o jogo consegue criar algo interessante e próprio, mas cuja validade dependerá menos da qualidade do que oferece e mais da recepção da comunidade.

 


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Para um jogador convencional, SOS oferece uma experiência simples, mas divertida. Seguindo uma paródia de um reality show, dezesseis jogadores são jogados em uma ilha tropical sem nenhum equipamento. Apenas três deles podem sair, mas não basta uma matança descriminada para ser bem sucedido. Para escapar da ilha, é necessário conseguir uma das relíquias escondidas no mapa, guardadas por tribos de monstros ferozes que atacam os competidores e podem até mesmo transmitir uma espécie de vírus zumbi.

Conseguir uma relíquia não é uma tarefa fácil para um jogador solitário. Uma das apostas é se aliar a algum dos jogadores desconhecidos durante a partida, em uma aliança solitária, ou duradoura, para se conseguir derrotar os monstros naturais da ilha e conseguir as relíquias. Ao final da partida, um helicóptero desce em um ponto da ilha, mas só leva com ele três jogadores e suas relíquias. É nesse momento em que alianças são desfeitas, emboscadas armadas, e morticínio promovido entre os jogadores. Quem não conseguir uma relíquia, pode muito bem matar outro jogador que tenha conseguido uma, e tentar conseguir uma vaga no helicóptero sem ser alvejado por todos os outros.

Neste sentido, SOS funciona muito bem. O jogo acaba sendo inerentemente dividido em fases que vão da coleta de recursos, a busca pelas relíquias e ao caos dos momentos finais, para onde todos se dirigem. É uma mudança interessante para a fórmula dos battle royalle, e que consegue tanto trazer algo novo, quanto a criar sua própria presença, tendo sucesso em passar o clima de Reality Show onde os jogadores não sabem com quem vão topar e precisam descobrir como lidar com essas pessoas. Encontrar um jogador de surpresa sempre traz tensão. Ele é agressivo? Irá tentar conversar e propor uma aliança? Ou só quer fazer com que eu baixe a guarda para poder jogar um machado em minha cara (momento em que o resenhista não consegue se conter na terceira pessoa e admite que o exemplo específico demais lhe faz derramar uma lágrima).

Para matarem os monstros da ilha de La Luna (e também uns aos outros), os jogadores contam com uma série de armas que podem ser encontradas na ilha. A maioria se trata de armas corpo-a-corpo. Porretes, machadinhas e armas improvisadas. O acesso a armas de fogo é limitado, existem apenas revolveres e pistolas automáticas, ambos raros de se encontrar e também com quantidades limitadas de munição. Equipamentos de cura e algumas poucas ferramentas também fazem parte do possível arsenal. Para a proposta do jogo, o estilo limitado de armas de fogo funciona bem, pois cria perigo e tensão nos confrontos com outros jogadores. No entanto, uma maior variedade de equipamentos, trazendo possibilidades diferentes de se jogar e buscar a sobrevivência, seria interessante. Escopetas de curto alcance, talvez equipamento de escalada ou uma rara proteção corporal seriam bem-vindos, rifles automáticos ou snipers, no entanto, provavelmente estragariam a interação entre os jogadores, que é um dos pontos principais do título.

Um dos problemas, é que muitos jogadores brasileiros não podem aproveitar muito desse ponto. Como o jogo usa do microfone para ser o principal foco de interação, com os player podendo falar com outros pelo rádio ou com quem está nas proximidades, a ausência de um servidor nacional faz com que seja necessária uma boa fluência no inglês para aproveitar das mecânicas de reality show e interação. Mesmo os que são fluentes em inglês podem acabar tendo problemas, afinal, ser carismático e convencer (ou enganar) outras pessoas em uma língua que não é a materna pode ser um pouco complicado para a maioria das pessoas. Isso leva a maioria dos brasileiros a poderem ocupar apenas um papel de lobos solitários anti-sociais, interagindo apenas marginalmente e tendo dificuldades em conquistar a confiança de outros players.

As mecânicas de reality show, integradas com streams do jogo, também acabam sendo uma barreira para quem não é nativo. Os desenvolvedores de SOS buscaram fazer da experiência algo mais autêntico, e é possível transmitir os videos dos gameplays para uma plateia que tem como interagir com o jogo, votando com emoticons nos jogadores, determinando quais recursos ele receberá por helicóptero e fazendo da partida algo realmente semelhante a um programa, onde os competidores lutam pelo prêmio e pela audiência. O jogo faz ainda mais do que isso, usando seu matchmaking (por vezes demorado por demais), para criar partidas com entre os jogadores mais famosos e com mais audiência.

Essa é uma busca interessante, pois a cultura de jogos atualmente não envolve apenas a própria jogatina, mas também assistir youtubers e streamers, portanto, tentar criar uma obra que seja boa para os jogadores e para quem assiste é uma estratégia no mínimo inteligente. Em SOS, contudo, além dos jogadores brasileiros acabarem não conseguindo se inteirar nessa atmosfera que a obra busca promover, jogadores nativos de países de língua inglesa também podem acabar se sentindo intimidados. Nem todo mundo tem interesse em aparecer em partidas com streamers ou compartilhar a sua jogatina com terceiros. Uma partida cheia de youtubers famosos pode ser alienante, e até mesmo pouco interessante, para um jogador comum, que só quer tentar sobreviver à Ilha de La Luna e aos seus adversários sem precisar lidar com alguém que está falando com centenas de fãs.

O futuro dirá se as inovações que SOS busca darão resultado ou serão mera curiosidade para ser deixada de lado pelos jogadores. A proposta de já se pensar nos “assistidores” de jogos e de sua interação com os jogadores dificilmente irá vingar com o título da Outpost Games Inc, mas em algum momento um título conseguirá não só investir na ideia, como ter sucesso retumbante na proposta. Enquanto isso, ao jogador brasileiro fica um jogo interessante, mas que não compensa pela barreira da linguagem, a ausência de servidores locais e os problemas naturais de jogos com acesso antecipado.



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