
Em Thor: O Renascer dos Deuses, que acaba de ser relançado pela Panini e pode ser encontrado em diversas livrarias e comic-shops, vemos o início dessa ótima fase, onde JMS retoma a antiga ligação entre Thor e o Doutor Donald Blake, onde ambos dividem a mente e trocam de lugar quando Blake bate o seu cajado no chão. Bem clássico. E inclusive é o bom doutor que vai ao encontro de Thor no limbo e o convence a voltar ao plano dos mortais para trazer sua Asgard de volta. A teoria é bem simples, porém funcional: onde há Thor, também há Asgard.
E assim, mudando-se para a região de Oklahoma, Thor usa os poderes herdados de Odin para trazer a cidade dourada de volta, bem no meio de um terreno deserto. Trazer a morada do deuses para a Terra não chega a ser um conceito novo, visto que uma trama parecida chegou a ser utilizada nas revistas do deus do trovão nos idos de 1998, quando Dan Jurgens escrevia o personagem. Porém Straczynski traz isso aliado de forma bem abrangente àquela prerrogativa de “mundo adotivo” que Thor sempre teve por Midgard. Isso porque a realidade onde Asgard repousava não existe mais. Agora o deus do trovão não age com esse sentimento por si só, mas por todo o seu reino. A Terra precisa ser o lar adotivo de todo um povo.
Aliás, a ideia apresentada aqui para trazer os asgardianos de volta para essa vazia Asgard é bem interessante. Assim como Thor divide o seu corpo com Don Blake, após o Ragnarok as almas dos deuses passaram a residir em corpos de mortais, que precisam se encontrados e “despertados”. Thor sai então em uma cautelosa missão de encontrar e trazer de volta os seus aliados, tomando cuidado para não despertar alguém… indesejado.
Algo importante a se ter em mente lendo essa história, é o período no qual ela se passa. Cronologicamente logo após a Guerra Civil, e com a lei de registro de super-humanos em pleno vigor, é claro que o fato de Thor simplesmente erguer sua cidade em terreno americano não seria algo tão aceitável assim. E obviamente, não tinha ninguém melhor para ir conversar com o deus do trovão do que o tão vilanizado nessa época, Homem de Ferro.
A sequência, que praticamente já nasce como uma das mais marcantes dos quadrinhos, é muito bem escrita e soberbamente bem desenhada. Tony Stark, após todos os seus atos durante a Guerra Civil, que envolveram capturar e enviar antigos aliados para uma prisão na Zona Negativa, além de criar geneticamente um clone do próprio Thor, vem cobrar do deus do trovão explicações sobre a apropriação do terreno em Oklahoma, além de pedir que os asgardianos se registrem no governo. Obviamente, o resultado não poderia ser diferente do que essa aí na imagem. Uma surra merecidíssima e que lavou a alma de muita gente.
O legal é que não é apenas Thor que é bem caracterizado e trabalhado na história. Seu “alter-ego” Donald Blake também possui bom momentos, e os personagens coadjuvantes tanto de Asgard quanto de Oklahoma são críveis e interessantes. O que chega a estranhar, já que em sua passagem pelo Homem-Aranha, Straczynski não soube trabalhar tão bem com o elenco de apoio do personagem, que é bem mais rico por sinal.
Thor: O Renascer dos Deuses é apenas o primeiro encadernado da fase de J. Michael Straczynski à frente do personagem, de um total de três. Nesse primeiro volume, além de – obviamente – apresentar o contexto principal de Asgard na Terra, o autor também começa a costurar tramas paralelas que envolvem um plano de Loki em suposta parceria com ninguém mais ninguém menos que o próprio monarca da Latvéria, Victor Von Doom, o Dr. Destino, enquanto Thor busca meios mais efetivos de trazer seu povo de volta antes que algo aconteça com seus corpos humanos.
Sem dúvida é uma das melhores fases do deus do trovão, e leitura indispensável não apenas para os fãs do personagem, mas para aqueles que curtem uma boa história com um roteiro bem construído e belíssima arte.
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