Selvageria no inferno, no velho oeste e na Ciméria!

HELLBOY REVISTA BRINDE: O LEÃO E A HIDRA, DE MIKE MIGNOLA
Essa é uma historinha curta mas contundente feita pelo pai e criador de Hellboy, Mike Mignola. Nela nós vemos o filhote de cruz-credo cruzar com uma Hidra de várias cabeças, contra quem precisa combater. Durante a história Hellboy e o leitor se deparam com um uma garotinha que vira lobo e, algumas pistas na história vão nos dar também pistas da sua identidade, que todos desejamos saber. Esse tipo de história poderia servir como um exemplo para aulas de roteiro, em que o aluno deve investir primeiramente nas histórias curtas, em saber como fazer um começo, meio e fim, do que bolar sagas interestelares e conceituais que somente ele e talvez mais um ou dois amigos irão entender. Esta revista faz parte de um esforço anual da Mythos Editora, de colocar nas comic shops uma revista Brinde do Dia do Hellboy, comemorando sua criação. Essa é a primeira vez que consigo “participar” da data pegando de brinde esta edição na comic shop aqui de Porto Alegre, a Tutatis. Acho essa inciativa muito legal e seria ótimo se uma editora grande como a Panini também passasse a incentivar a leitura distribuindo material gratuito e inédito para os leitores experimentarem. Pena que não acontece.
A ESPADA SELVAGEM DE CONAN, VOLUME 1: O CULTO A KOGA THUN, DE GERRY DUGGAN E RON GARNEY
O mais impressionante nessa nova leva de A Espada Selvagem de Conan, certamente são os desenhos de Ron Garney. Eles são extremamente brutos, com um pincel bastante grosso sendo utilizado para delinear os traços. Mas ao mesmo tempo, eles conferem uma beleza crua e uma dinâmica para as histórias de Conan que eu jamais vi. Emprestam um peso de clima e de carnificna, de mistério e de encoberto que deixam as histórias mais gostosas de serem lidas. Ao mesmo tempo, o roteiro de Gerry Duggan nos traz histórias bastante empolgantes de espada e magia, de capa e ação, que é feita de improvisação e de aliados de última hora. Na minha opinião a dupla Garney/Duggan se saiu melhor nas histórias de Conan do que a dupla Aaron/Asrar, na revista-irmã, Conan, O Bárbaro, principalmente por A Espada Selvagem de Conan trazer o personagem mais arraigado às suas raízes, mas, ao mesmo tempo, ele é apresentado de uma forma inovadora através dos traços dinâmicos de Ron Garney. Assim, se tivesse de recomendar um só título da nova leva de Conan, certamente seria A Espada Selvagem de Conan.
DEADWOOD DICK, VOLUME 2: ENTRE O TEXAS E O INFERNO, DE JOE R. LANSDALE, MAURIZIO COLOMBO E PASQUALE FRISENDA
Não consegui entender direito se esta edição de Deadwood Dick (o volume 2, Entre o Texas e o Inferno) é a edição final brasileira do título. Já que na Itálio, o título tem continuidade para mais edições. Aqui, aparentemente se encerra com esta segunda, pois recebeu um “FIM” neste segundo arco. Volto a elogiar este quadrinho por trazer um teor de maturidade, ou sei lá, de algo como “adultness” que a maioria dos quadrinhos americanos propostos como adultos não possuem. É um lado cru e cínico dever a vida, em que os vencedores podem ser os bons, os maus e os feios, mas principalmente os feios, os que abusam da moral e da ética e da beleza que o mundo oferece, de bom grado, para ser corrompida. principalmente em se tratado de lugares como o Velho Oeste, em que a crueldade e o cinismo fazem todos amadurecerem e apodrecerem, por conseguinte, mais cedo do que em qualquer lugar. A difícil sobrevivência nesse lugar torna tudo mais complicado, e aqui adulto, então tem o sinônimo de complicações, parece muito mais complicado ser um herói no faroeste do que em qualquer metrópole limpinha e higienizada. E por isso que esse quadrinho é tão, tão bom.