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O melhor das produções autorais!

ROSEIRA, MEDALHA, ENGENHO, DE JEFFERSON COSTA
Que quadrinho lindo! Ele me pôs a pensar por que razão esses quadrinhos desse tipo, com um elemento que eu chamo de “brasilidade” costumam ser tão bons. Eu acho que a resposta é porque esses trabalhos contém outros dois elementos que são a autenticidade e a sinceridade, e com eles vêm a verdade e a simplicidade. Ao contar de forma romanceada a história da migração de seus antepassados do nordeste para São Paulo, Jefferson Costa põe em evidência uma verdade que é a de muitos migrantes: as dificuldades e a esperança por uma nova realidade. Os desenhos de Jefferson são incríveis e, se por um lado eles lembram o mestre brasileiro Flávio Colin, por outro eles lembram um dos mestres do terror americano Mike Mignola, por fim, ele tem elementos que são só seus, confluências de estilos que todos nós, brasileiros, absorvemos e projetamos de uma forma muito nossa. Roseira, Medalha, Engenho e Outras Histórias é um quadrinho muito bonito e encantador. Roseira, Medalha, Engenho e Outras Históriasé um quadrinho muito brasileiro, mas um quadrinho muito próprio. Enquanto diz a verdade sobre uma realidade brasileira, diz muitas verdades sobre seu autor.

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GATILHO, DE CARLOS ESTEFAN E PEDRO MAURO

Depois de quase quatro anos tentando adquirir a trilogia de Gatilho de Carlos Estefan e Pedro Mauro, no ano passado eu finalmente consegui adquirir todas. UFA! Um peso na consciência a menos, já que todas elas foram elogiadíssimas e figuraram como melhores do ano em diversas listas de histórias em quadrinhos. Mas esse é o problema do hype, depois que ele é construído… para desconstruir, é que nem o joguinho de Jenga, só puxar uma pecinha. Eu não sou muito de faroeste em quadrinhos, embora adore faroeste spaguetti dos italianos e algumas obras mais recentes do gênero, como Django. Tive um balde d’água de decepção ao ler Gatilho, porque esperava uma história mais bem construída, pelo menos com uma melhor distinção entre o que é o passado e o que é o presente na história. Os desenhos de Pedro Mauro, claro, são de babar: lindos homens e lindos cenários, mas a narrativa me fez sentir algumas dúvidas sobre a história. Quem sabe lendo as outras duas HQs, que já estão sob minha posse, a história vá crescendo no meu subconsciente. Contudo, do que pude apreender dela até agora, me decepcionei porque não compensa o hype. Pena.

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CARNIFICINA AMERICANA, DE BRYAN EDWARD HILL E LEANDRO FERNANDEZ
Bryan Edward Hill é um roteirista norte-americano conhecido por seu envolvimento com temas relacionados com etnia e racialidade. Este Carnificina Americana é sua participação no último suspiro do selo adulto da DC Comics, o Vertigo, tanto que no Brasil já saiu sob a tabela de Black Label, O estilo de escrita de Bryan Edward Hill lembra bastante os trabalhos de roteiristas como Garth Ennis e Brian Azzarello principamente quando essas narrativas pendem para a crítica social associada com uma dose de sarcasmo e ironia. Estes dois escritores dos quadrinhos norte-americanos estão associados com um estilo de desenho conhecido como chiaroscuro, de autores como Paul Dini e Eduardo Risso. Portanto os editores do falecido selo Vertigo terem chamado o argentino Leandro Fernandez para se encarregar das artes desse encadernado não é um fato surpreendente, mas uma escolha orgânica e natural numa tema que não se usa do maniqueísmo, do preto no branco, do chiaro no oscuro do mundo super-heróico, mas na penumbra e nas nuances do mundo real que força a barra para que tudo seja mantido como um disputa entre dois lados. O problema é que na maioria das vezes os dois lados pertencem à mesma moeda.

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