Comentários

Sandman, a obra máxima de Neil Gaiman, finalmente ganhou uma adaptação live-action na Netflix. Embora o público tenha sido apresentado a um mundo extremamente criativo com diversos personagens cativantes, é claro que o protagonista, Morpheus, é quem chama mais atenção.

Morpheus, o personagem-título de “Sandman”, é conhecido por muitos nomes e títulos, incluindo Lorde Moldador e Sonho dos Perpétuos. Um ser de vasto poder, ele também é um homem misterioso até onde pode ser considerado um homem, sendo um avatar vivo da imaginação e de tudo o que pode ser e não é. Isso torna Morpheus um personagem interessante, embora difícil de descrever. No vídeo de hoje, trazemos 10 fatos sobre ele.

10 – Surge Sandman

As origens de Sandman datam da chamada “invasão britânica” dos quadrinhos, quando a DC fundou o selo Vertigo e o colocou sob a direção da editora Karen Berger. Grandes autores da Inglaterra foram designados para trabalhar com personagens “esquecidos” da DC. Alan Moore tinha o Monstro do Pântano, Grant Morrison tinha a Patrulha do Destino e o Homem-Animal, e para Neil Gaiman, sobrou o Sandman.

O Sandman era um personagem bem antigo da editora, um super-herói criado em 1939 que até mesmo fez parte da Sociedade da Justiça da América. Inicialmente, Gaiman havia proposto uma continuação para a história desse personagem, mas Karen Berger permitiu que ele criasse algo completamente novo, pedindo apenas que mantivesse o título da HQ. Assim, surgia Morpheus, usando o mesmo nome do deus do sono na mitologia grega.

9 – Inspirações

Diferente da Morte e de Lúcifer, que tiveram cada um apenas uma pessoa como inspiração (Cinamon Hadley e David Bowie, respectivamente), Sonho teve várias inspirações vindas de Neil Gaiman e do artista Dave McKean.

O primeiro e mais óbvio foi Robert Smith, vocalista do The Cure. Depois, havia o dançarino de balé Farukh Ruzimatov. E por fim, Peter Murphy, vocalista da banda Bahaus. Aliás, muita gente credita a maior inspiração de Morpheus como sendo Robert Smith, mas Gaiman já revelou em uma entrevista que o rosto de Morpheus nos quadrinhos é na verdade o de Peter Murphy, que inclusive foi utilizado na capa da primeira edição.

8 – Um ser antropomórfico

Assim como a Morte, que não é na verdade uma mulher, Morpheus também não é um homem – pelo menos não da forma como pensamos os gêneros. Sonho é uma personificação antropomórfica, e portanto não tem uma forma definitiva. Na verdade, ele é visto de formas diferentes, por diferentes povos e culturas.

Nós o enxergamos como um homem pálido vestido de preto, e é por isso que ele aparece assim na maioria do quadrinho, mas a história também o mostra como enxergado por outras raças e seres, como um gato, uma cabeça de fogo e até mesmo uma flor. Em Sandman: Prelúdio, vemos várias das versões de Morpheus, que vão de insetoides a árvores.

7 – Perpétuos

Sonho é um dos Perpétuos, seres antropormóficos que personificam fatos universais. Os Perpétuos foram uma criação de Neil Gaiman, e se tornaram tão populares, que a Morte, por exemplo, passou a aparecer no restante do Universo DC sempre com a aparência da obra Sandman.

Os Perpétuos são sete: Sonho, Morte, Destino, Desejo, Desespero, Delírio e Destruição. O único que já existia na DC e foi apenas reformulado por Gaiman, foi o encapuzado Destino, que surgiu em 1972 nas páginas de “Weird Mystery Tales“. Sonho costuma ter uma boa relação com seus irmãos, especialmente com a Morte, de quem é mais próximos. No entanto, ele tem uma perigosa rivalidade com Desejo, que tenta forçar sua mão para cometer o único Pecado que os Perpétuos devem evitar: derramar sangue da família.

6 – O Sonhar

Cada Perpétuo tem um reino para chamar de seu, e o de Morpheus é chamado de “Sonhar”. Esse é a dimensão para onde todos vamos quando estamos dormindo. O Sonhar é um reino de pura imaginação e infinitas possibilidades, povoado por sonhos e pesadelos projetados pelo próprio Morpheus.

O Sonhar existe em uma dimensão separada do Mundo Desperto, que é o que Morpheus chama de “planos materiais”, onde todos os seres sencientes passam dois terços de suas vidas quando não estão desfrutando de sua hospitalidade. O Sonhar é uma parte de Morpheus e irá decair lentamente sem sua atenção ou poder para mantê-lo de pé.

5 – Viajante Multiversal

Algo interessante sobre o Sonhar, é que ele existe adjacente a todos os universos do multiverso da DC. Ou seja, Sonho pode não apenas acessar todas as mentes do multiverso, mas também pode viajar sem esforço para qualquer realidade.

Não há mundo ou universo para o qual Sonho não possa viajar, ou que não precise dele. Por ser uma personificação de um fato, ele é estritamente neutro, o que provavelmente é a razão pela qual nunca existiu o perigo dele perder a razão e agir de forma maligna. Qualquer um com tanto poder impondo sua moralidade pessoal sobre a realidade seria um problema.

4 – Poderes

Morpheus tem vários poderes relacionados ao sono e aos sonhos. Ele pode colocar qualquer ser para dormir com sua areia mágica e inspirar todos os tipos de sonhos e pesadelos dentro de um sujeito adormecido. Ele também pode criar ilusões e dissipar as ilusões criadas por outros.

Morpheus tem ainda, em certo nível, a capacidade de ver a história de uma pessoa olhando para ela. Além disso, ele pode aprender quase tudo o que precisa saber usando a biblioteca no coração de seu castelo, que contém todas as história já escritas e os diários de sonho de cada ser na existência. Morpheus pode se teletransportar entre o Sonhar e o Mundo Desperto à vontade e viajar para outras dimensões, como o Inferno. Ele também pode conjurar objetos à existência e criar entidades independentes para servir aos seus caprichos, como Lucien, o bibliotecário, e o pesadelo Coríntio.

3 – Fraquezas

A principal fraqueza de Morpheus é que seus poderes são limitados por um conjunto complexo de regras e costumes que qualificam como ele pode interferir no funcionamento do universo. Uma dessas regras é que ele não tem permissão para tirar uma vida mortal, exceto para proteger o Sonhar e outros mortais sob sua proteção. Ele também está proibido de derramar o sangue de um membro de sua família e não pode se apaixonar por um mortal.

2 – As Ferramentas

O primeiro arco de Sandman gira em torno de como Sonho foi capturado acidentalmente pelo feiticeiro Roderick Burgess durante uma tentativa de capturar e prender a Morte. Isso coloca a história de Sandman em movimento, começando com a busca de Morpheus para recuperar três objetos que foram roubados dele por Burgess e seus seguidores.

Esses objetos são a algibeira de areia que permite a Sonho colocar as pessoas para dormir, um rubi que pode transformar sonhos em realidade e um capacete forjado com os ossos de um inimigo derrotado, que Sonho adotou como seu sigilo e objeto de poder. Embora Sonho tecnicamente não precise de ferramentas, a areia, o rubi e o elmo contêm seus poderes e o ajudam a focar melhor suas habilidades externamente.

1 – Sucessor

O Sonho não pode realmente morrer. Embora tenha a individualidade de uma pessoa, ele é também uma força essencial da natureza. Se você mata o Sonho, o universo apenas cria outro. Os leitores fizeram essa descoberta nos quadrinhos, quando Sonho, misericordiosamente, deu o descanso eterno a seu próprio filho, Orfeu.

Porém, conforma já dito, derramar sangue familiar é uma regra inquebrável, e isso colocou não só Sonho, mas o seu reino e seus amigos à mercê das Fúrias. Para salvar tudo o que lhe era importante, Sonho se destruiu com a ajuda da Morte.

Instantaneamente, Daniel, uma criança concebida dentro de um sonho, tornou-se o Rei do Sonhar. Sua personalidade era um pouco diferente e suas vestes eram brancas. No geral, porém, ele manteve as memórias e conhecimento do Sonho original. Ele não perdeu nada de seu poder. Sonho não é apenas imortal. Para ele, morrer é como trocar de roupa.

LEIA TAMBÉM

Murilo Oliveira, também conhecido como Muriloverso, é jornalista e redator-chefe do site O Vício. Comandando o canal homônimo no YouTube, ele compartilha sua paixão por cultura pop, trazendo análises, curiosidades e conteúdo geek com uma abordagem única e carismática.