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Este mês a Panini está lançado em formato de luxo Vilania Eterna, que foi a primeira mega-saga da DC Comics após o reboot Novos 52, já que Trono da Atlântida e Guerra da Trindade haviam sido sagas contidas ao gibi da Liga da Justiça.

Escrita por Geoff Johns e com arte de David Finch, a saga começa imediatamente após o final de Guerra da Trindade, com o Sindicato do Crime advindo da Terra 3 chegando em nossa realidade e encontrando uma Liga da Justiça alquebrada e desarticulada.

O Sindicato nada mais é do que a versão da Liga da Justiça de um universo paralelo onde todos são vilões, e que vieram para essa realidade após seu mundo ter sido destruído, com a equipe sendo composta por: Ultraman (uma versão maligna do Superman que precisa absorver kryptonita para se energizar), Relâmpago (um velocista psicopata equivalente ao Flash), Anel Energético (um Hal Jordan que ao invés de destemido é completamente covarde e inseguro), Coruja (Thomas Wayne, que ao invés de adotar um morcego como sua contraparte, optou por uma coruja, seu predador natural), Superwoman (que apesar de possuir o laço da verdade não se trata de uma versão maligna de Diana, e sim de Lois Lane), Morte Nuclear (um ser parecido com o Nuclear, porém com uma aparência assustadora) e Atômica, a namorada do Relâmpago, e que possui o pode de diminuir o seu tamanho para um átomo, assim como Ray Palmer.

Essa equipe de vilões super poderosos se livra da Liga da Justiça prendendo-os na matriz do Nuclear, que é aprisionado. Dessa forma, dão início à sua dominação do planeta, dando carta branca para todos os vilões do universo DC causarem o caos por onde passarem, e assim transformando essa realidade no que a sua já era: um local onde os vilões mandam. Um de seus primeiros atos para mostrar sua superioridade e a impotência dos super-heróis, é capturar o Asa Noturna e revelar sua identidade para o mundo.

E em um mundo dominado por vilões de outra dimensão, com os heróis completamente subjugados, quem sobra para defender o planeta? Os nossos vilões, é claro.

Nem um pouco satisfeito em ver o seu mundo dominado por uma versão insana do Superman, Lex Luthor põe em prática um plano para derrubar o Sindicato do Crime e pegar o planeta de volta. Finalmente ele tem sua chance de provar que a Liga da Justiça estava errada, e que ELE é a melhor chance de salvação da humanidade. Despertando um clone do Superman que ainda estava em desenvolvimento (a versão Novos 52 do Bizarro), Luthor começa a desenhar o seu contra-ataque. Essa nova versão do Bizarro aliás, é um dos pontos altos da saga. Ingênuo e inocente, o monstro quase lembra uma criança, provocando momentos engraçadíssimos com Luthor, que chega a comentar a ironia de “a mente mais poderosa do mundo estar presa com a mente mais abobalhada do mundo”. O personagem acaba sendo durante a história a válvula de escape de Luthor, com quem ele desabafa e se abre, e onde podemos ver essa outra faceta mais… humana, do famoso gênio do crime e maior antagonista do Superman.

Diria inclusive que Vilania Eterna nada mais é do que uma história de Lex Luthor.

Luthor descobre que não é o único vilão incomodado com a situação, e logo se vê formando uma equipe de ataque composta por Adão Negro, Capitão Frio, Arraia Negra, Exterminador e Sinestro – além de Batman e Mulher-Gato, que conseguiram escapar do ataque à Liga da Justiça. Esse detalhe de colocar um dos heróis se unindo e sendo obrigado a trabalhar com essa equipe de vilões por não ter outra alternativa foi uma excelente sacada de Johns, principalmente por ser o Batman. O personagem fica claramente incomodado com a situação, e tenta se impor para os vilões tentando dar as ordens, o que obviamente não acontece, e gera uma das cenas mais divertidas da HQ.

Com a equipe de defesa reunida, só resta partir para o esconderijo do inimigo, e tentar retomar o planeta desses invasores interdimensionais. O que pode não ser tão fácil, vide que seus poderes são os mesmos da Liga da Justiça, com a diferença de serem completamente sem escrúpulos e sem pena de usar seus poderes de qualquer forma que os faça matar o inimigo.

Vilania Eterna até tem um plot simples. Não há uma premissa revolucionária. Mas é muito interessante ver que a última linha de defesa do planeta acabam sendo os vilões, dispostos a expulsar esses invasores que vieram fazer o que eles sempre tentaram. É no mínimo irônico. Além disso, Johns direciona a história muito bem, com a equipe de Luthor se construindo, um foco muito grande em cima do personagem (ele narra boa parte da história), e situações nada previsíveis. Nunca dá pra saber o que vai acontecer em seguida. As lutas são cruéis, viscerais, com muitas mortes abruptas e situações chocantes.

Para quem não sabe, o Sindicato do Crime não é algo exclusivamente criado para a saga Vilania Eterna. A ideia de uma versão maligna da Liga da Justiça em uma terra de vilões é um conceito antigo, e esses personagens já apareceram outras vezes, sendo suas aparições mais conhecidas: em Crise nas Infinitas Terras quando seu universo é destruído pelo Antimonitor; na graphic Liga da Justiça: Terra 2 de Grant Morrison; e até mesmo na animação Liga da Justiça:  Crise em Duas Terras, onde uma versão do Sindicato antagoniza com os heróis.

A versão utilizada em Vilania Eterna nada mais é do que uma releitura desses personagens clássicos para a cronologia dos Novos 52. Aliás, é interessante comentar uma curiosidade: Na já clássica Crise nas Infinitas Terras, é mostrado que na terra 3, lar do Sindicato do Crime, Lex Luthor é o único super-herói existente. O fato do nosso Lex acabar sendo o “herói” em Vilania Eterna não apenas é uma homenagem a isso, como na história também temos uma versão Novos 52 do Lex Luthor super-herói da Terra 3. E a roupagem que Geoff Johns deu ao personagem é simplesmente sensacional.

Os desenhos de David Finch, apesar de inconstantes e meio preguiçosos em alguns momentos (causando terríveis problemas de anatomia), cumprem bem o seu papel. Principalmente nas cenas de violência explícita (algo bastante comum aqui), onde o artista costuma sempre mandar bem.

Vilania Eterna é uma ótima história, e diria até que já pode ser elencada como uma das melhores que a DC  produziu na última década. Muitas cenas marcantes, massaveísmo na medida certa, ótima construção de personagens (destaque para Lex Luthor, Bizarro e Capitão Frio), um roteiro amarradinho e um final sensacional. Recomendo fortemente.

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