
(Esta matéria pode conter spoilers)
Algum dia do ano passado eu olhei para a minha biblioteca da Steam, na época com uns 200 jogos, e percebi que muitos deles eu não tinha previsão para jogar e alguns eu sequer sabia do que se tratava (provavelmente adquiri no Humble Bundle e nunca dei a devida atenção). Isso me chateou um pouco. Tanto por ser um desperdício de dinheiro quanto por muitos dos jogos realmente parecerem interessantes, mas que, como eu não jogo tanto quanto eu gostaria, acabariam nunca sendo instalados.
Foi por isso que eu decidi fazer esse “Zerando Minha Steam”, onde eu tentarei ir aos poucos finalizando todos os jogos que possuo. Algumas vezes escolhendo qual vou jogar, outras vou sortear ou então aceitar alguma sugestão. É claro que, hoje com mais de 150 jogos para serem finalizados, eu provavelmente nunca terminarei essa “quest”, mas o que vale aqui é a jornada.
Devido ao lançamento recente de Dark Souls 3, eu não poderia deixar de jogar ele. Pra falar a verdade, meu plano era que eu principalmente sorteasse os jogos, mas com o – supostamente – ultimo jogo da série Souls saindo em abril e em maio tendo o lançamento de Stellaris, que eu estou de olho há muito tempo, não fui forte o suficiente e me dei a regalia de escolher os jogos que vou jogar de vez em quando.
Lembro muito bem da primeira vez que joguei Dark Souls 1. Um amigo não parava de falar nele e aí resolvi dar uma chance. Passei do tutorial em Undead Asylum e fui até Undead Burg, onde matei um monte de hollows – umas caveiras toscas, pra que não é íntimo com Dark Souls. No entanto, morri no meio do caminho e quando renasci na fogueira, vi que todos os inimigos que eu havia penado pra matar – na época realmente exigiram algum nível de concentração – haviam revivido. Com um palavrão, fechei o jogo e deixei ele pra lá. Só fui jogar Dark Souls de novo quando um outro amigo disse que era impossível zerar sem escudo. Aí fui eu lá tentar zerar sem escudo. Coisa que, por sinal, consegui.
Então veio Dark Souls 2. Um jogo que eu gostei e que, em alguns aspectos, achei superior ao 1, como por exemplo, todo o sistema de combate e magia, que em minha opinião melhorava a jogabilidade e tornava realmente interessante o uso de outros tipos de estratégia. Mas também vieram mudanças ruins. O level design diferente, nada parecido com o antecessor, que se interconectava e mostrava outros locais do jogo, chefes muitos fáceis e nada memoráveis e, em geral, uma história um pouco inferior.
Quando anunciaram Dark Souls 3, logo foi dito que Hidetaka Miyazaki, criador e diretor de Demons Souls e Dark Souls, voltaria a ser o principal responsável pelo jogo, e que traria de volta a essência que se perdeu em Dark Souls 2. No entanto, com o sucesso de Bloodborne, mais fácil e mais rápido, e os vídeos e trailers que mostravam personagens muito mais ágeis em Dark Souls 3, eu comecei a me preocupar um pouco.
Não é que o estilo de Bloodborne seja ruim. Não joguei por falta de PS4, mas pelo o que vi, o jogo parecia bem interessante. A questão é que eu realmente curtia que as armaduras pesadas deixassem o personagem lento e que fosse preciso escolher entre velocidade ou proteção, além de todo o ritmo que isso proporcionava ao jogo. Ver no trailer um cavaleiro em armadura completa dando cambalhotas agilmente enquanto golpeava os inimigos pelas costas foi algo que realmente não me agradou.
E no entanto chegou finalmente o dia do lançamento do jogo. Fiz um mercenário, que começa com uma das novas armas duplas, usando uma cimitarra em cada mão, e toda a movimentação do jogo me pareceu completamente natural, exatamente como ela tinha que ser. Pra falar a verdade, só lembrei dos meus medos acerca a velocidade do jogo quando já estava lá pra umas 8 horas de jogatina. Não que eu não prefira o estilo mais lento e até mesmo tenso dos jogos anteriores, mas os combates em Dark Souls 3 foram bem feitos e mesmo com as diferenças, são claramente Dark Souls.
É até um pouco engraçado o quanto Dark Souls 3 se esforça para se mostrar como um jogo da série Souls. O início do jogo é recheado disso. Não deve ter demorado nem meia hora e eu cheguei até o primeiro boss, Gundyr, um guerreiro enorme com uma alabarda. E eu morri algumas várias vezes para ele de forma que eu nunca morri em Dark Souls II. Gundyr é um soco no estomago pra quem começa o jogo desprecavido, um boss no melhor estilo Dark Souls, e que quando apresenta a novidade de que todo chefe agora muda de estratégia quando está perto de morrer, quase desespera o jogador.
Tamanha a darksoulzidade de Gundyr que eu até mesmo me pergunto se foi uma boa ideia coloca-lo tão cedo no jogo, porque para os que chegaram na série vindos de Bloodborne, ou pior, que nunca jogaram algo semelhante, ele pode ser um desafio muito desestimulante.
Estou convencido de que o Gundyr realmente foi como uma tentativa – muito bem sucedida – de mostrar o que é Dark Souls e que Dark Souls 3 está a altura do nome, porque passando dele as coisas foram mais tranquilas. No momento, já enfrentei 4 chefes e Gundyr foi de longe o mais difícil deles e o único que me passou um sentimento de desesperança – que acaba levando à teimosia – que para mim é tão característico da série.
Estou com mais de 10 horas de jogo já, mais que o dobro do que costumo jogar por semana. Nesse tempo já explorei 4 regiões de Dark Souls 3 e até agora não me ocorre nenhuma crítica pertinente a qualquer parte do gamedesign ou da arte. Os problemas do título se resumiram a questões de performance, que foram em geral bastante chatinhas. O jogo está mais pesado do que deveria e tive problemas frequentes com o multiplayer, onde meus inimigos ficavam com a animação estética, indo atrás de mim como estátuas flutuantes que me golpeavam com o poder da mente. Foi bem irritante.
No mais, como este é o jogo sobre mortes, aqui vai as minhas até agora (sim, eu anotei):
- Perfurado pelo primeiro boss (Gundyr)
- Golpeado sem misericórdia pelo Gundyr
- Fatiado em pedaços pelo Gundyr
- Não faço ideia do que aconteceu, mas foi o Gundyr que me matou
- Ta difícil esse Gundyr
- Eviscerado por um samurai semi-nu
- Esmagador por uma caveirona com um machado gigante
- A caveira me matou de novo. Não estou me dando bem com minha katana. Vou parar de brincar.
- Estripado por um grupo de caveirinhas que não sabem brincar,
- O bicho mais fraco do jogo me matou. Eu tava meio distraído.
- Tostado por um dragão
- Perfurado por um cavaleiro de Lothric
- Empalado por outro cavaleiro de Lothric
- Devorado por um mimico. Olha que eu não fui pego de surpresa, mas eles estão fortes pra porra.
- Golpeado nas costas por um cavaleiro de Lothric
- Devorado por aquele mimico de novo.
- Vacilei e deixei uma caveira de lança me matar
- Outra caveira me matou. Melhor só voltar a jogar amanhã
- Aquele primeiro cavaleiro de Lothric me matou de novo. Quando tiver pra zerar o jogo vou voltar aqui e matar ele até ele parar de renascer
- Sabem Resident Evil 4? Então, parecia uma Las Plagas e me matou
- Um cavaleiro com alabarda dessa vez.
- Caí em cima de uma caveira com machado e morri
- Dilecerado pela Las Plagas
- Morto por minha impulsividade e por uma espada quebrada
- Morto em combate justo por um cavaleiro com espada brilhante
- Congelado pelo Boss (Vordt)
- Atropelado pelo Vordt
- Esfaqueado pelas costas
- Destroçado por uma flecha gigante
- Derrubado no abismo por uma flecha gigante
- Morto pela minha ganância. Caí num abismo tentando pegar um item.
- Assassinado por um invasor que flutuava e ficava parado como uma estátua. Eu literalmente mal podia prever seus movimentos.
- Esmagado por uma árvore (é um boss)
- Jogado no chão violentamente pela mesma árvore
- Nem sei o que houve direito, mas doeu
- Queda
- Morto pelo espírito invasor que me atacou com os poderes do lag.
- Empalado por um galho de árvore. Não é o boss árvore. E sim uns bichos que usam um tronco como arma.
- Levei uma rajada de magias na cara. Cortesia do quarto boss.
- Um bicho grande e feio tinha uma serra tipo de lenhador. Me matou.