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Mafia II

Início de Máfia II

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Não é que eu estivesse com expectativas nas alturas quando comecei a jogar Mafia II, mas quando comecei a jogar este título da Rockstar 2K Games, eu realmente achei que fosse gostar dele. E não ia ser difícil conseguir isso, bastava um jogo minimamente bem feito no quesito que me importava, uma história interessante envolvendo a Máfia italiana.

Eu estava disposto a aturar gráficos ruins, a perdoar uma jogabilidade rasteira e a relevar bugs e outros contratempos (por exemplo, a insistência do jogo em dar crash toda vez que eu tentava fechá-lo indo ao menu, como uma pessoa normal). No entanto, realmente não esperava encontrar uma história rasa, personagens mau-desenvolvidos e uma narrativa insustentável. E foi basicamente nisto que se resumiu o fim do jogo.

Sabe quando se está vendo um filme, ou lendo um livro, e na história aos poucos são lançados elementos que vão levando ao que acontecerá no final? As vezes a gente nem mesmo percebe o que está acontecendo, mas mesmo assim, quando de fato chega o clímax da história, tudo se encaixa e percebemos o panorama total do que o personagem estava buscando, a resposta para seus conflitos, e talvez aquilo que ele procurava. Bom, Mafia II não tem nada disso.

O personagem Vito Scalleta é um personagem fictício horrível. Ele não tem ambição nenhuma, não busca coisa alguma, além de ganhar um dinheirinho. Essa é a sua vida. Atender ligações de Joe, Henry ou qualquer um que fale sobre qualquer coisa que vá resultar em alguma grana, para então pegar um carro, dirigir por meia cidade, encontrar alguém, dirigir para a outra metade da cidade, resolver alguma coisa e fazer as vezes de chofer por mais uma ou duas vezes.

O início do jogo até estabelece ele como filho de uma família pobre, ex-militar, com uma irmã, um pai que morreu deixando a família na requenguela e etc. Mas isso só vale pros primeiros capítulos. Aí é só fazer missão e ganhar dinheiro mesmo. Dinheiro que no jogo só serve para fazer um monte de nada tipo mudar as rodas do carro, comprar uma arma sem diferencial algum ou uma roupa nova.

Alguém poderia até dizer. Ué, mas o objetivo dele é ganhar dinheiro, qual o problema com isso? Bom, o problema é que isto costuma ser uma péssima ambição para um personagem de ficção, que em geral não leva a lugar nenhum, principalmente neste jogo. Não tem drama, não tem desenvolvimento, não tem nada. E em Mafia, isso só serve para justificar ele ir de um lado para o outro e o roteiro do jogo ocasionalmente lança algum plot muito mau utilizado no meio da coisa.

Por exemplo. Nos primeiros capítulos do jogo, fala-se rapidamente sobre o pai de Vito, que ele trabalhava como estivador para um sujeito com alguns negócios que tinha um sindicato como fachada. E então não fala mais nada sobre o pai de Vito. Nada, necas. Mais pro final do jogo, Vito vai fazer uma missão para o sujeito (por algum dinheiro, claro). E em algum momento um dos estivadores que estava sendo ameaçados por Vito e outros capangas fala: Mas Vito, eles mataram seu pai, porque está ajudando eles?

Ora, a essa altura do jogo o jogador nem mais lembrava que Vito tinha um pai pra começo de conversa. Foi algo completamente mau explorado, jogado do nada, quase para tapar buraco e colocar um grande tiroteio no meio de tudo. Um bom roteiro teria explorado isso durante toda a história. Colocando dicas, indícios, fazendo a sombra deste pai morto estar mais presente na vida de Vito, para finalmente lançar a revelação de que ele havia sido assassinado por alguém que pertencia à mesma família Mafiosa que havia ingressado. Na verdade, boa parte da história podeira ser centrada em Vito tentando descobrir o que aconteceu com o pai, para então num grande momento de reviravolta ele perceber que seus novos amigos haviam causado todo esse mau para sua família! Tudo bem, talvez fosse um pouco clichê. Mas de toda forma, já é clichê, pois é o que está no jogo, só que um clichê mal escrito e mau desenvolvido.

E o pior é que os últimos 4 ou 5 capítulos do jogo parecem fazer questão de introduzir coisas repentinamente, ou então interromper o que parece uma linha principal de história com coisa que já deveria ter sido resolvida. Em dado momento, após ter uma missão obrigatória de ir dar uns tapas no marido da irmã de Vito que apareceu duas vezes o jogo inteiro, a casa do protagonista foi incendiada. Eu pensei que havia se tratado de alguma coisa relacionada a alguma das famílias mafiosas e que o jogo ia ter uma reviravolta naquele instante… mas eram apenas os membros de umas gangues irlandesas que tinham inimizade com Vito Scalleta por causa de uma briga com um irlandês que apareceu duas vezes no jogo inteiro. Após dirigir por meia cidade e participar de um tiroteio qualquer, o protagonista dá por feita sua vingança e esses grupo nunca mais aparece na história. Só serviram para interromper o arremedo de trama principal mesmo.

Isso sem falar em coisas como a máfia chinesa, sequer mencionada antes dos últimos capítulos do jogo, mas ainda assim com uma importância extrema para o fim da história. Além dos “segredos” que são revelados sobre alguns personagens sem que se tenha desenvolvido de forma nenhuma a situação, coisa que acontece com Henry Tomasino, um bom personagem que tem um desfecho completamente aleatório e é mau utilizado a história inteira.

Com todos esses problemas ao longo da obra, mesmo o final de Mafia II tendo uma boa ideia que poderia ter certo poder dramático, o desfecho acaba trazendo apenas o alívio de mais um jogo terminado.

Na semana que vem, partirei para um gênero que gosto muito: JRPG. Jogarei o recém lançado, I Am Setsuna.

Alguns dados:
Total de horas de Máfia II: 12
Total de horas do Zerando Minha Steam: 118
Jogos terminados no Zerando Minha Steam: 4
Jogos que faltam ser zerados: 267

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