
Início de I Am Setsuna
Ainda assim, o jogo permaneceu na memória e conforme fui crescendo, aprendendo a jogar e aprendendo inglês, revisitei Final Fantasy VI várias vezes, além de, claro, ir adiante e experimentar vários outros JRPGs, além de começar a me inteirar nos CRPGs (embora isso tenha começado mais com Neverwinter Nights do que com o clássico Baldur’s Gate). Então, quando a SquareEnix anunciou o lançamento de um JRPG aos moldes antigos – que sinceramente, gosto de chamar de JRPG de verdade, já que os novos final fantasys foram para o lado do action e Kingdom Hearts nunca foi um JRPG – fiquei bastante entusiasmado. Não é como se não fizessem mais jogos deste gênero, mas quando a empresa que lança Final Fantasy anuncia um JRPG, é preciso ficar de olho no que vai vir.
E então, comprei I Am Setsuna em 3x no cartão de uma amiga (obrigado, Iara) e comecei a jogar este novo título, que é desenvolvido pelo Tokyo RPG Factory e distribuído pela SquareEnix.
A história de I Am Setsuna gira em torno de um mundo de inverno eterno onde monstros constantemente atacam as cidades e vilas. Para proteger os humanos destas feras, existe apenas uma forma conhecida. De tempos em tempos, uma pessoa com capacidades mágicas, geralmente uma jovem, pois homens tem menos propensões á magia, é preciso ser levada até as Last Lands (Últimas Terras), onde ela precisará ser sacrificada. Tal sacrifício garante alguns anos de paz para todos os humanos do mundo. No jogo, a jovem que funcionará como sacrífico tem dá nome ao título: Setsuna.
No entanto, o jogo não se inicia com Setsuna. Embora ela apareça bem rápido na trama e, talvez, possa ser considerado o personagem principal de facto, o jogador começa a história em uma das missões de Endir, um mercenário mascarado membro de uma tribo de… mercenários mascarados. Após a tarefa/tutorial de resgatar uma garota que havia se perdido, onde o jogador aprende o que qualquer pessoa que já jogou um JRPG já sabe, Endir é contratado por um estranho para a missão de matar o sacrifício.
Após viajar para executar a sua tarefa, Endir falha em matar Setsuna. Após encontrar a garota, que não lhe oferece resistência e não entende porque ele a iria querer morta, Endir é derrotado por dois usuários de magia que moravam no vilarejo do sacrifício. Preso e cotado para ser executado pelos moradores, a única pessoa que defende Endir é a própria Setsuna, que após precisar lutar para proteger a garota e a si mesmo, decide ser um dos defensores do sacrifício, que a ajudarão a chegar nas Last Lands.
Se sua missão é me matar, diz-lhe Setsuna, basta garantir que eu chegue aonde preciso estar. E com isso, Endir parte junto ao sacrifício e Aeterna, outra dos protetores de Setsuna, na viagem até as Last Lands. Claro que, durante essa jornada, um monte de coisa dá errado. Navio naufraga, pessoas que pareciam boas se revelam más e no fim de todo caminho parece haver uma criatura mais poderosas do que as demais (também conhecidos como chefões). Ao decorrer desta viagem, mais personagens se unem ao grupo, dispostos a garantir que Setsuna chegue onde precisa. Pra garantir que Setsuna morra.
O tema do sacrifício de Setsuna é o ponto principal do jogo e permeia por toda a história. Apesar de ter aceitado o seu destino, a jovem não é uma pessoa alegre, e a certeza de que ela irá morrer cumprindo o seu papel. A melancolia a persegue. Sorrisos tristes de quem sabe que está se aproximando do fim. E está melancolia aparece em tudo na obra. Desde os cenários recheados de neve, belos e tristes, à trilha sonora feita inteiramente em piano. Além do fato de que todos os companheiros de Setsuna a protegem para que ela, enfim, possa morrer.
Neste aspecto o jogo acerta. Ele consegue se manter fiel ao tema que estabelece e o jogador está constantemente ciente de que está encaminhando a personagem para a sua morte. No entanto, existem problemas na narrativa e na execução que impedem que a obra cumpra a promessa de reviver os clássicos do passado. Mais triste do que o clima de I Am Setsuna é a certeza de que ele não se igualará a clássicos que o jogo afirma se inspirar.
Em seis horas de jogo, aproximadamente um quarto do que I Am Setsuna tem para oferecer, ele tem uma história apresentada de forma repetitiva, composta simplesmente em atravessar dungeon, matar boss, ir pra cidade, ter algum problema, e então continuar a mesma viagem de sempre, com pouco desenvolvimento além de lançar alguns questionamentos supérfluos quanto a questão do sacrifício e colocar mais algum personagem no grupo. Tem sido quase como andar em linha reta e fazer amigos no caminho. Quanto a trilha sonora, apesar de belíssima, chega um momento em que o piano também se torna algo repetitivo, e outros sons começam a fazer falta.
Estou gostando do jogo. Mas ele não é melhor do que outros JRPGs que foram lançados e passaram despercebidos, e a forma como a história progride (ou não progride) peca muito em desenvolvimento.
Na próxima semana, vou falar sobre como funciona os sistemas do jogo. Combate, itens e outras coisas. E um pouco do porque, até agora, não estarem sendo muito eficientes.
Alguns dados:
Total de horas de Máfia II: 5
Total de horas do Zerando Minha Steam: 123
Jogos terminados no Zerando Minha Steam: 4
Jogos que faltam ser zerados: 267
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