
Estava lá jogando I Am Setsuna, de olho na história do jogo que parecia estar melhorando. Conforme cheguei às Last Lands eu pensei: agora vai ter algum grande plot twist e o jogo vai ter a chance de me surpreender. Fui avançando. Vendo Aeterna pouco a pouco ir falando sobre a verdadeira natureza do que acontecia nas Last Lands, enfrentei uma Guardiã das Last Lands, que mantinha preso um monstro ancestral que destruiria toda a vida do mundo caso fosse libertado. Enfrentei o monstro. Derrotei o monstro. E então Endir, o protagonista, e Setsuna foram para o passado, atrás da criatura que havia escapado. “Isto é novo”, pensei. “Não imaginei que aconteceria isso. Não foi bem executado porque isso da viagem do tempo não apareceu em lugar nenhum do jogo, mas talvez a história melhore agora”. Encontrei o monstro, que estava em forma humana.
E então o jogo acabou.
O jogo acabou com em menos de 14 horas. Mesmo ignorando que normalmente JRPGs costumam ter quase 40 horas de jogo, I Am Setsuna acabou se mostrando uma obra tão breve que sua história fica extremamente prejudicada. O que acontece nas Last Lands não tem cara de final, não tem cara de que o jogo está terminando, tem cara mais de, como eu falei, um plot twist que daria um novo rumo para o jogo. O grupo até mesmo ganha um novo personagem, que só fica lá para a luta contra o último chefe.
E em geral, as revelações do final foram muito ruins. Elementos que em momento nenhum foram introduzidos acabam sendo a explicação das coisas. Viagens no tempo, super-monstro aprisionado… nada disso sequer teve uma pontinha de prenunciamento ou importância para a história do jogo até a última uma hora dele. E isso foi muito frustrante, porque basicamente o jogo ignorou todo o desenvolvimento do que supostamente é a parte mais importante de um RPG estilo oriental. É como se os desenvolvedores estivessem lá, felizes fazendo o jogo, até que um figurão no topo da cadeia alimentar das empresas de jogo chegou e falou “Ó, terminem logo essa porra aí que precisamos lançar.”

Veja bem, não é que um JRPG não POSSA ter apenas 14 horas de duração. No entanto, de forma nenhuma I Am Setsuna parece ter sido projetado para ter este tamanho. Além da história ter sido mau estruturada, com partes sem quase nenhum avanço e então chegando perto do final lançando um monte de coisa na cara do jogador, a pouca duração da obra torna COMPLETAMENTE desnecessário a maior parte dos recursos que o jogo tem.
Como Chrono Trigger, o jogo tem técnicas duplas e triplas. E isso é muito interessante. No entanto, é preciso equipar nos personagens a combinação certa de técnicas para que as combinações possam ser utilizadas. E para conseguir todas as técnicas, é preciso matar monstros de formas específicas para que ao fim da luta seja conseguido o material que será utilizado para conseguir a técnica. Não basta matar uma criatura, tem que matar com fogo, com gelo, com combinações e muitas outras formas para conseguir todo o material que o monstro pode prover. Todo esse trabalho para desbloquear as tais técnicas e, equipando-as nos personagens, talvez descobrir que elas formam combinações duplas ou triplas.
Eu nem cheguei a usar as técnicas triplas. Até desbloqueei umas, mas não tinha necessidade nenhuma de usar. O jogo não exigia que eu fizesse. Técnicas duplas, usei uma ou duas no máximo. Não precisava de mais do que isso. E olha que as habilidades dos personagens são coisa bastante usada, tem uma série de outros recursos que forneciam bônus aos personagens que eu sequer me preocupei em realmente entender. E pra que eu me preocuparia? Até o fim do jogo eu terminei usando as mesmas duas ou três coisas sem ter problema nenhum. Para ser sincero, eu matei o chefe final praticamente só usando ataques básicos.

Minha teoria é que I Am Setsuna foi lançado, talvez até mesmo feito, apenas como teste. Para que os jogadores vissem os sistemas que estão sendo utilizados, vissem o estilo dos gráficos e o estilo de história para que a empresa pudesse validar a possibilidade de desenvolver um jogo completo. Porque, no fim das contas, I Am Setsuna acaba sendo isso mesmo: uma obra que mais parece um teste do que algo completo. Ah, e algumas coisas terminam sem ser explicadas. E não um tipo de “não-explicação” que pareça um gancho para o jogo seguinte, mas erro de roteiro mesmo.
Houve alguns acertos. O tema foi bem desenvolvido e o finzinho do jogo, quase um epilogo colabora muito para ele, embora seja extremamente previsível. Os personagens,apesar de não terem sido tãaaao bem desenvolvidos, são carismáticos e até que bem construídos. Meu veredito final é que, mesmo I Am Setsuna não tendo sido um bom jogo, ele mostra que o grupo pode fazer bons jogos.
E espero que consigam.
Alguns dados:
Total de horas de I am Sestuna: 13
Total de horas do Zerando Minha Steam: 131
Jogos terminados no Zerando Minha Steam: 5
Jogos que faltam ser zerados: 265
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