
Início de Shadowrun Dragonfall
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Precisei apenas de mais duas horinhas pra zerar Shadowrun Dragonfall. O final do jogo foi muito satisfatório em questão de história e acho que deu um ótimo fechamento à obra. No entanto, acho que ele pecou quanto às lutas e desafios. Os combates ou foram muito corriqueiros, quase repetitivamente cansativos, e a luta final não foi tão interessante. Com a presença de um dragão, poderia ser algo realmente épico, ainda que este dragão estivesse aprisionado. Sim, Firewing estava aprisionada, mas eu vou chegar nessa parte.
Quando retornei à Mansão Harfeld, descobri que a inteligência artificial APEX tinha cumprido a sua parte no acordo. A porta estava aberta, a segurança estava fraca e, em geral, tava um caos lá dentro. Várias metralhadoras automáticas (turrets) não só não me atacaram, como ficaram do meu lado e me ajudaram contra os inimigos. Isso me aliviou um pouco. Apesar de ser só um jogo, dentro da caracterização do personagem que criei, não gostaria de ter soltado no mundo uma inteligência artificial maligna e quase onipotente.

Mas claro que, como todo bom plot twist. Nem tudo era o que parecia. Bom, na verdade eu meio que já sabia disto e havia esquecido de escrever sobre. Mas quando eu libertei APEX, uma de suas recompensas foi me apresentar uma gravação que mostrava a situação de Vauclair em sua suposta prisão na Harfeld. E acontece que o sujeito estava muito bem de saúde (bom, na verdade não exatamente, ele tinha cara de estar meio doente) e aparentemente mandava no lugar. Então, sim, o cara que fiquei metade do jogo procurando para me ajudar, era quem tinha me ferrado em primeiro lugar.
E Firewing? Alguém poderia perguntar. Bom, isso é complicado e eu vou ter que resumir. Inclusive, esse foi um ponto um pouco ruim deste final. Teve muita informação de uma vez só (costumam chamar isto de infodump no meio literário) e muito poderia ter sido diluído no resto do jogo, embora isso fosse causar mudanças realmente complexas na plot. O que acontece é que quando Feuerschwinge foi derrotada por sei lá que arma Vauclair usou contra ela, a dragoa não morreu realmente. A alma dela foi separada de seu corpo e acabou “possuindo” uma mulher humana em Berlim. Essa mulher meio que entrou numa espécie de estado de choque e foi raptada pelo grupo de Vauclair junto com o corpo da dragoa.
E aí o bom cientista começou o plano dele para acabar com todos os dragões. Tendo a alma de Feuerschwinge aprisionada, ele podia usando umas tecnologias brabas ter certo controle sobre o corpo dracônico comatoso que havia recuperado. Mas isso não era tudo. Devido a várias magias e engenharias genéticas, ele conseguiu criar um vírus que iria infectar e matar todos os dragões (existem uns 20 em Shadowrun). Os metahumanos seriam sim infectados, mas o vírus não os afetaria de forma alguma, sendo apenas transmitido até que alcançasse os grandes dragões.

Vauclair acreditava que os dragões não poderiam coexistir com a raça humana (e orc, e élfica e por aí vai). Pois os dragões por natureza se consideravam superiores e predavam os metahumanos, tentando controlar as suas vidas e fazer seus joguetes maquiavélicos sem se importar com o que acontecia ao mundo. Ele achava, portanto, que era o seu dever acabar com toda a raça dracônica. Mas como faria para espalhar o vírus? Bom, para Vauclair era simples. Bastava implantar o vírus em Feuerschwinge e controlar o corpo da dragoa para que sobrevoasse Berlim destruindo tudo com suas chamas (que estariam infectadas com o vírus) e espalhando caos, morte e destruição. Os sobreviventes estariam infectados por terem tido contato próximo com o vírus e então pouco a pouco a coisa iria se espalhar. Segundo ele, essa era a melhor forma de espalhar o vírus. Era algo que precisava ser feito, que ele tinha que fazer.
Claro que eu tinha outra opinião sobre o assunto. Além do miserável ter matado Monika Schaefer, agora ameaçava destruir a porra da cidade inteira (ele também matou o próprio irmão, mas não sabia. Joguei isto na cara dele e ele ficou bem afetado). Então claro que quando eu acabei aprisionado, dei um jeito de escapar e planejar alguma coisa para ir atrás de Vauclair.
Eu ainda não ia saber o que faria depois de ter matado o sujeito. Mas eis que me aparece APEX, falando através de um drone que havia me providenciado. A I.A disse que eu poderia depois de dar um jeito em Vauclair passar a ela o controle da instalação e da dragoa. Virtualmente dando à I.A um corpo dracônico e uma instalação militar e científica. O problema é que, como a I.A acabou por me demonstrar durante essa interação… de forma alguma ela era Monika Schaefer. Algo das convicções de Monika realmente foram apreendidos pela I.A, mas ela era uma criatura sem moral, que faria o necessário para atingir os seus objetivos. Protegeria o Flux State, o grupo anarquista de Berlim, mesmo que, na prática, acabasse com tudo o que ele representava.

Mas foi o que eu fiz no final. Das opções que acabaram disponíveis para mim, ou eu libertava Feuerschwinge, correndo o risco dela destruir tudo o que visse pela frente, ou eu dava o controle dela para APEX. Depois de uma luta contra o orc bombadão que havia me enfrentado logo no inicio do jogo e do posterior suicídio de Vauclair (que apesar de tudo realmente acreditava estar fazendo o melhor), digitei os comandos que fariam a I.A – não Monika – controlar a dragoa. E então voltei para casa, para o Kreuzbasar, para casa.
Em uma ultimo conversa com os personagens do grupo, todos eles decidiram permanecer comigo. Afinal de contas, formávamos um bom time e comida não é de graça e nem barata em um mundo cyberpunk. Glory (de longe, a melhor personagem), decidiu ir em uma missão para acabar com um sujeito do passado dela, um, literalmente, servo do capiroto que ficava corrompendo adolescentes carentes. Ela prometeu que voltaria um dia.
Em uma espécie de epilogo, tive um encontro com um possível contratante em um dos trens de Berlim. A conversa suspeitamente circulou em torno de dragões e do que eu havia feito com Feuerschwinge. O estranho acabou me contando que trabalhava para Lofwyr, o dragão mais famoso do universo de Shadowrun (embora provavelmente fosse a própria criatura em forma humana) e explicou que desde o inicio o “patrão” dele estava manipulando as coisas, tendo colocando o irmão de Vauclair na trilha do cientista e então fazendo com que ele contatasse Monika. Ele disse também que Feuerschwinge era a melhor de todos os dragões, a mais amável e pacífica, e a destruição que ela havia causado foi um momento de insanidade ao ter despertado e presenciado a destruição causada na natureza. Depois da longa conversa, ele falou que iria descer na próxima estação e perguntou se eu não gostaria de começar trabalhar para Lofwyr. Pensei no assunto, mas recusei. Não o segui quando ele desceu do trem. Afinal de contas, um dos maiores ditados de Shadowrun é “NUNCA, jamais, faça acordos com um dragão”.

Alguns dados:
Total de horas de Shadowrun Dragonfall: 19
Total de horas do Zerando Minha Steam: 150
Jogos terminados no Zerando Minha Steam: 6
Jogos que faltam ser zerados: 265 (deveria ter caído para 264, mas comprei um jogo :P)
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