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Como uma virada de chave para o mercado do cinema, o ano de 2023 está chegando ao fim, marcando Oppenheimer e Barbie como reflexos de um grande apetite do público por filmes originais.
Levando em consideração todas as produções que foram lançadas oficialmente nos cinemas brasileiros ao longo do ano, o OVício está listando os 10 melhores filmes de 2023, de acordo com a opinião deste autor que vos escreve. Segue a lista:
10º Oppenheimer

Transitando entre o cinza e o laranja, Christopher Nolan destrincha a face de Oppenheimer na sua primeira aposta no mundo biográfico, e entrega um filme tão poderoso quando seu tema, apesar de exageros característicos de sua carreira como diretor.
Devido a uma campanha agressiva da Universal, o filme se apoia fortemente na política da Academia, para despontar como protagonista do Oscar 2024, indicando que o diretor pode sair do evento pela primeira vez com alguma estatueta.
Apesar de estar forte nas premiações, Oppenheimer (2023) não é o melhor filme do Nolan, mas sem dúvidas é mais uma ótima produção em sua filmografia e, portanto, um dos melhores filmes do ano.
9º Barbie

Liderado por uma inspiradíssima Greta Gerwig, o filme da Barbie (2023) é uma forte lembrança de que filmes cor de rosa também podem ser filosóficos e, de que o cinema de alto nível pode ser extremamente divertido.
Bebendo de fontes como O Mágico de Oz (1939) e Os Sapatinhos Vermelhos (1948), o longa da boneca encanta e emociona com mensagens sobre amadurecimento e autossuficiência, sem deixar de arrancar risadas com sua visão ácida sobre o conceito de patriarcado.
Haverá muita justiça se o casal Greta Gerwig e Noah Baumbach for reconhecido nas principais premiações por Barbie (2023), pois toda concepção criativa deste projeto é sem dúvidas um marco para a história do cinema.
8º AIR: A História Por Trás do Logo

Sob uma charmosa direção de Ben Affleck, AIR: A História Por Trás do Logo (2023) se apoia no carisma de seu estrelado elenco para entregar uma envolvente história sobre persistência e ousadia.
Quem reconhece o tamanho do acordo de Michael Jordan com a Nike, talvez não tenha noção de que o negócio era praticamente impossível e, neste filme, Affleck reproduz muito bem como a incrível história da AIR começou.
AIR: A História Por Trás do Logo (2023) é um “masterclass” técnico, que cumpre seu dever biográfico sem cair na armadilha de transformar seus personagens em figuras heroicas, representando todos como foram e são: pessoas reais.
7º Retratos Fantasmas

Usando como plano de fundo a documentação da deterioração severa do centro de Recife em meio aos avanços tecnológicos, Retratos Fantasmas (2023) conta uma história sobre como a memória pode ser um antídoto agridoce para as dores das marcas cruéis do tempo.
Bons filmes sempre são sobre algo, que não necessariamente precisa estar em evidência em tela. Neste documentário, Kleber Mendonça Filho imprime o passar das décadas na capital do Pernambuco, refletindo emocionalmente como os ambientes e as pessoas deixam legados em quem somos e no que criamos.
Pessoalmente, Retratos Fantasmas (2023) lembra muito de como o lugar onde cresci mudou, e de como as pessoas dali – algumas das quais nem existem mais – impactaram em quem sou hoje.
O amor de Seu Alexandre pelo cinema é minha identificação mais forte com o filme, pois me lembra muito de Seu Antônio, meu avô, que em um ponto chave da vida largou seu emprego convencional para viver do seu amor pela fotografia.
Seu Antônio viveu intensamente esse amor e partiu antes de o mundo digital tornar obsoleta sua relação com filmes fotográficos. Por mais que hoje só seja possível visitá-lo a partir de retratos fantasmas, sinto que seu legado de viver o que amava vive em mim. Por qual outro motivo teria largado a engenharia para ter a oportunidade de escrever este artigo?
Enfim, se você ainda não deu uma chance a Retratos Fantasmas (2023), considere dar. Não há como não se identificar, ou até se emocionar, com essa história real, sobre pessoas e lugares reais.
6º O Assassino

Funcionando quase como uma autobiografia metafórica de David Fincher, O Assassino (2023) reflete sobre as classes de poder do Século XXI de maneira cruel, ao mesmo tempo que provoca estruturalmente um debate sobre a ansiedade causada pela era digital, onde há grande velocidade na disseminação das informações.
Talvez a maior marca deste filme, seja David Fincher se voltando ao seu eu criativo dos anos 90, para entregar um ato de resistência ao mercado de Hollywood.
Em síntese, um filmaço, que talvez os mais sedentos por ação desenfreada – ao melhor estilo John Wick – acabem não conseguindo apreciar devidamente.
5º Guardiões da Galáxia Vol. 3

Se dividindo entre o sombrio, o engraçado e o emocionante, Guardiões da Galáxia Vol. 3 (2023) tem um James Gunn no auge de sua criatividade, entregando conceitos visuais alucinantes, cenas de ação de tirar o fôlego e arcos de personagens profundamente relacionáveis.
A Marvel esquisita e fora da caixa, que toca no íntimo de quem se relaciona com ela, é a Marvel que os leitores de quadrinhos aprenderam a amar com o Homem-Aranha, os X-Men e o Quarteto Fantástico, desde a década de 60.
Se o estúdio de Kevin Feige quiser reconquistar o público, terá que olhar para Guardiões da Galáxia Vol. 3 (2023) para tirar muitas lições, inclusive a de confiar a construção de novas histórias a grandes mentes criativas.
4º John Wick 4: Baba Yaga

John Wick 4: Baba Yaga (2023) talvez seja o ápice da arte que chamo de “balé balístico“, um movimento cultural novo que junta elementos clássicos de musicais aos tropos de ação “brucutu“, fazendo os movimentos de luta de seus personagens soarem como uma grande dança, que é reproduzida sob luzes neon e batidas de música eletrônica.
Em toda franquia, Chad Stahelski manifestou como a arte pode ser vista sob a ótica de um dublê e, neste filme, aparentemente fechou com chave de ouro sua saga que, apesar de sangrenta, foi de encher os olhos.
3º Homem-Aranha: Através do Aranhaverso

Apesar de fugir da estrutura básica de um longa metragem por problemas de produção, Além do Aranhaverso (2023) consegue ser muito forte pela mensagem sobre responsabilidade e amadurecimento que carrega, respeitando aquilo de mais valioso que há na essência do Homem-Aranha como personagem.
Conduzido pela emocionante jornada de Miles Morales, o filme ainda deslumbra com seus visuais criativos de diferentes universos, enquanto promove um debate muito interessante sobre a relação entre a crença do destino e o livre-arbítrio.
Através do Aranhaverso é um filmaço, que mesmo tocando em um tema complexo como o Multiverso, consegue ser profundamente intimista.
2º Missão: Impossível – Acerto De Contas Parte 1

Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte 1 (2023) traz o incansável Tom Cruise na linha de frente da injusta luta contra os abusos de uso da inteligência artificial, em um filme que deslumbra um verdadeiro espetáculo com perseguições impressionantes, manobras arriscadas e coreografias muito bem trabalhadas.
É um fato que o filme foi completamente ofuscado pelo Barbenheimer, mas merece todo reconhecimento possível, não só pela sua importância para o cinema, como também por ter conseguido ser brilhante mesmo tendo enfrentado inúmeras paralizações de produção.
1º Assassinos da Lua das Flores

Em Assassinos da Lua das Flores (2023), Martin Scorsese presta uma respeitosa homenagem aos injustiçados Osage, ao adicionar as memórias da tribo ao seu legado de cineasta, que enquanto houver a existência, jamais será apagado!
Este é filme de muitos minutos, mas que não é longo, por ser magistralmente bem dividido em tom e narrativa. Além disso, é deslumbrantemente lindo, apesar de doloroso.
É impossível quem ama cinema não se emocionar com Assassinos da Lua das Flores (2023) e, por isso, é com justiça o primeiro do ranking.
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Menção honrosa
Por questões estratégicas envolvendo as premiações de cinema, muitos dos grandes filmes lançados no mercado internacional durante 2023, chegaram aqui de forma limitada em festivais e foram agendados oficialmente apenas para o começo de 2024.
Embora tenha prometido me referir apenas aos lançados este ano, não poderia deixar de destacar Os Rejeitados, Segredos de um Escândalo, Anatomia de Uma Queda e Vidas Passadas, como obras que brigariam por espaço neste Top-10.
Certamente haverá mais espaço para discutir esses filmes nos próximos meses, mas não poderia deixar de falar mais sobre Vidas Passadas, que estaria neste ranking caso seu circuito de exibição no Brasil não se limitasse ao Festival do Rio.
Vidas Passadas

Em sua estreia como diretora de cinema, Celine Song entrega Vidas Passadas como uma obra intimista sobre as consequências de nossas escolhas, destacando a importância de estar de bem com o passado.
Entregando uma fotografia deslumbrante anexada a uma montagem primorosa, Song e equipe fazem um trabalho tão magnífico, que é capaz de você terminar essa jornada acreditando que fazer um filme é algo fácil.
Se tivesse estreado oficialmente ao longo de 2023, Vidas Passadas estaria no Top-1 do OVício. Portanto, vale voltar atenção ao dia 25 de janeiro de 2024, quando a obra de Song vai chegar aos cinemas brasileiros.






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