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Dando continuidade à nossa série de Guias de Leitura, trazemos dessa vez o Cavaleiro das Trevas, Batman!

Lembrando antes de qualquer coisa que esse é um guia para leitores novatos ou que querem uma ajuda sobre como ingressar no universo dos personagens. Se você, leitor veterano sagaz e com bagagem, perceber que está faltando algo… ora, veja só, eu sei! A ideia é justamente colocar apenas as histórias mais importantes e clássicas dos personagens. Afinal, de outra forma o guia ficaria enorme.

Batman: Ano Um

Quando a DC reiniciou o seu universo na década de 80 após o evento Crise nas Infinitas Terras, coube a Frank Miller apresentar o Homem-Morcego para uma nova geração de leitores, recontando os seus primeiros dias protegendo as ruas de Gotham City. E assim surgiu Batman Ano Um, onde ao lado do desenhista David Mazzuchelli, Miller entregou uma história de origem que serve tanto para o Batman quanto para o Comissário Gordon. Gotham nunca mais foi a mesma com o surgimento desses dois.

Batman: Xamã

Se Ano Um é a origem urbana do Batman, Xamã pode ser considerada sua origem mística. Escrita por Dennis O’Neil, a história na verdade se passa imediatamente após Ano Um, servindo de complemento à primeira. A trama se desenvolve a partir de uma lenda indígena, que leva o Homem-Morcego a uma extensa investigação em busca de um criminoso ligado a uma seita religiosa que sacrifica humanos, e que está agindo em Gotham. Um dos pontos fortes da HQ, aliás, é o modo como O’Neil trabalha esse lado investigativo e detetive do Batman, tornando a narrativa bem crível e urbana, ainda que esteja sempre inserindo o misticismo em torno das origens do personagem.

O Homem que Ri

Nessa história de 2005, o roteirista Ed Brubaker e o desenhista Doug Mahnke tratam de recontar a história publicada em Batman #1 de 1939, que marca primeira aparição do Coringa em Gotham, ainda no primeiro ano de Bruce Wayne como Batman, e o seu primeiro confronto com o morcego. Na história, que começa exatamente de onde havia terminado Batman Ano Um, com Jim Gordon tendo acabado de ser promovido a capitão, acompanhamos o primeiro grande crime do Coringa ao já surgir ameaçando atacar os reservatórios de água de Gotham.

Batman: Ano Dois

Escrita por Mike W. Barr e com desenhos de Alan Davis e Todd McFarlane (o criador do Spawn) Batman: Ano Dois dá continuidade à trajetória de Bruce Wayne, colocando-o em confronto com o Ceifador, um vigilante como o Batman, porém com uma mentalidade mais violenta para com criminosos, completamente sem perdão ou misericórdia. Apesar de ser uma história simplória e pouco marcante, a HQ é importante por trazer alguns dos conceitos principais que o Homem-Morcego levaria dali em diante, como o juramento de nunca mais usar armas de fogo, a construção da Wayne Enterprises, e a introdução da Doutora Leslie Thompkins ao elenco de coadjuvantes do personagem.

O Longo Dia das Bruxas

Cronologicamente, O Longo Dia das Bruxas também se encaixa no segundo ano de atividade do Batman em Gotham, e trata de mostrar a união do herói com o Comissário de polícia Jim Gordon e o Promotor de justiça Harvey Dent para derrubarem a rede de crimes perpetuada pela família Falcone, liderada por Carmine Falcone, o Romano. Em meio a isso porém, surge um assassino em série cujo peculiar modus operandi faz com que ataque apenas em feriados, e que parece ter alguma espécie de rixa pessoal com família Falcone. Além de ser uma ótima HQ com teor investigativo, O Longo Dia das Bruxas é marcante por mostrar o acontecimento fatídico que fez com que Harvey Dent se tornasse o criminoso Duas-Caras.

Vitória Sombria

Continuação direta da história anterior, em Vitória Sombria Jeph Loeb e Tim Sale se unem novamente para mostrar as repercussões desde que Harvey Dent foi preso e o assassino Feriado capturado. Apesar de Loeb se repetir um pouco na trama, fazendo com que a HQ se torne apenas uma mera sombra de sua antecessora, Vitória Sombria vale a pena por tratar de algumas situações do Ano Três do Batman, o que inclui a morte dos pais de Dick Grayson, a adoção do menino pro Bruce Wayne, e sua transformação em Robin, o Menino-Prodígio.

 Trilogia do Demônio  

Aqui a coisa já complica um pouco. Trilogia do Demônio é como ficou conhecida a coletânea das três principais histórias que tratam de trabalhar a relação entre Batman e o imortal Ra’s Al Ghul, um de seus mais terríveis inimigos. A trilogia é composta por : O Nascimento do Demônio, de Dennis O’Neil e Norm Breyfogle, que conta a história de origem de Ra’s; O Filho do Demônio, escrita por Mike W. Barr com arte de Jerry Bingham, que durante anos foi desconsiderada pela DC Comics por estipular que Batman e Talia Al haviam tido um filho (fato que foi trazido de volta à cronologia oficial na fase do autor Grant Morrison); e A Noiva do Demônio, de Mike W. Barr e  Tom Grindberg, em que Ra’s procura uma noiva para ter o seu futuro herdeiro.

A Piada Mortal

Um dia ruim. Para o Coringa, isso é tudo que separa um homem são da loucura. E na graphic novel A Piada Mortal, escrita por Alan Moore e desenha por Brian Bolland, o palhaço do crime faz de tudo para mostrar o seu ponto de vista para o Homem-Morcego, sequestrando o Comissário Gordon e tentando levar o policial à loucura com seus atos doentios. Além de servir como uma espécie possível origem para o Coringa, a HQ traz a clássica (e trágica) cena em que o vilão atira contra Bárbara Gordon, privando-a de seus movimentos.

O Cavaleiro das Trevas

Clássico absoluto do Batman, e que inclusive é um dos materiais utilizados como referência no próximo filme da DC, O Cavaleiro das Trevas é escrita e desenhada por Frank Miller e dispensa apresentações. Deixo aqui apenas um trecho. Aquele trecho.

“Poderíamos ter mudado o mundo…
Agora… olhe só para nós…
Eu me tornei um risco político. E você… uma piada.
Eu quero que se lembre, Clark. Pro resto da sua vida… nos seus momentos mais íntimos.
Quero que se lembre… da minha mão na sua garganta.
A mão… do único homem que derrotou você.”

Morte em Família

O segundo Robin, Jason Todd, era simplesmente odiado pelos fãs. Impulsivo, rebelde e desobediente, o garoto conquistou a antipatia dos leitores, e nem de perto conseguia obter os mesmo sucesso de seu antecessor, Dick Grayson. Assim, a DC convocou o autor Jim Starlin para escrever a trágica Morte em Família, deixando o destino de Jason Todd nas mãos.. dos fãs. Pois é, em uma estratégia de marketing bem estranha, a editora pediu que os fãs telefonassem para sua sede e escolhessem se o garoto deveria morrer ou viver no final da história.

Assim, o destino de Todd foi selado. O menino-prodígio foi atacado pelo Coringa com um pé-de-cabra e deixado dentro de uma cabana com explosivos. Mais uma morte a ser sentida por Bruce Wayne, mais uma tragédia perpetuada pelo Coringa, e mais um clássico instantâneo do Homem-Morcego acabava de nascer.

Asilo Arkham: Uma Séria Casa Em Um Sério Mundo

Cortesia de Grant Morrison e Dave McKean, Asilo Arkham figura como um dos grandes clássicos do Batman, além de ser uma das histórias mais densas e sombrias do personagem. Na trama, o herói precisa adentrar o asilo, que foi tomado pelo Coringa e por alguns de seus maiores inimigos, participando de uma espécie de jogo idealizado pelo palhaço do crime.

Com um roteiro perturbadoramente assustador, Morrison nos mostra a jornada de Batman pelo estranho local, enquanto conta também como o Dr. Amadeus Arkham veio a construir o asilo, em meio a sua própria loucura pessoal. A história costuma trazer certas polêmicas, por apresentar um Batman muito mais humano, fragilizado e reprimido.

A Queda do Morcego

Nos anos 90, a moda era ferrar com os heróis. Tivemos a Saga do Clone no Homem-Aranha, a Morte do Superman, o Crepúsculo Esmeralda do Lanterna Verde, entre outras. E obviamente o Batman não ficaria de fora da tendência. Em A Queda do Morcego – a saga mais longa já publicada nas revistas do herói, Batman tem sua coluna quebrada pelo vilão Bane em uma das cenas mais clássicas e replicadas do personagem. Após ficar paralítico, Bruce Wayne passa seu manto para psicótico Azrael, que age como um Batman muito mais violento e sem misericórdia.

Batman – Guerra ao Crime

Fazendo parte da série de histórias mais sérias produzidas pelos artistas Paul Dini e Alex Ross, Batman – Guerra ao Crime traz uma interessante abordagem do Homem-Morcego, mostrando que a “guerra ao crime” do título não é perpetuada apenas pela persona do Batman, mas sim de uma força conjunta entre o vigilante e seu alter-ego Bruce Wayne.

Louco Amor

Criada por Paul Dini e Bruce Timm inicialmente como uma personagem exclusiva do desenho Batman: The Animated Series, Arlequina – a namorada psicótica do Coringa – rapidamente conquistou o público e ganhou o seu espaço, sendo mais tarde inserida nos quadrinhos e fazendo parte oficialmente do cânone do Batman.

Assim, foi criada a HQ “Louco Amor”, surgida da parceria dos dois criadores e se propondo a contar a origem de Arlequina. Dessa forma, ficamos conhecendo a história da psiquiatra Harleen Quinzel, que um belo dia se apaixonou por um paciente chamado Coringa. E o resto é história.

Silêncio

Escrita por Jeph Loeb e desenhada por Jim Lee, a história Silêncio pode ser considerada como um clássico moderno do Cavaleiro das Trevas. Trazendo uma nova ameaça para Batman – na forma do vilão Silêncio – que usa grandes inimigos do morcego contra ele, a HQ usa e abusa de todo o elenco de coadjuvantes do herói, trazendo a maioria de seus aliados e mais icônicos vilões.

Apesar de Loeb acabar usando a mesma fórmula de sempre onde enrola a história por várias edições até revelar quem é o grande vilão, Silêncio se faz uma história para bat-maníaco nenhum colocar defeito.

Sob o Capuz

Logo ali acima eu deixei bem claro o quanto Jason Todd era um Robin odiado, a ponto dos próprios leitores optarem por sua morte quando a DC lhes deu esse poder de escolha. Ainda assim, a DC aproveitou as alterações na realidade ocasionadas pelo Superboy Primordial na saga Crise Infinita para trazer o rapaz de volta, agora sob a alcunha de Capuz Vermelho.

Completamente revoltado com o Batman ao descobrir que em todos esses anos o herói nunca deu cabo do Coringa, Jason Todd domina o crime organizado de Gotham e decide eliminar vilão, mesmo que para isso precise deixar o cadáver do Batman no caminho.

Cara a Cara

Somando 8 edições, a saga Cara a Cara é escrita por James Robinson e apresenta uma trama onde Batman volta a sua cidade após um ano afastado. Nesse tempo, Harvey Dent ficou encarregado de proteger Gotham contra qualquer ameaça que ela viesse a enfrentar, e o personagem aqui tem muita similaridade com o que foi escrito por Miller em Cavaleiro das Trevas.

Ele está com os dois lados do rosto iguais e mente restaurada. Porém, ao longo da trama, vários bandidos são assassinados pelo que parece ser o modus operandi do antigo vilão Duas Caras, o que leva Harvey a se por em dúvida, colocando sua amizade com o Batman em cheque e consequentemente se auto desfigurando com um vidro de ácido.

Bruce acredita que estão armando pra Harvey e contrata Jason Bard para atuar na luz do dia, buscando pistas. Nesse ínterim, Bruce e Alfred discutem o futuro do Jovem Tim Drake, que havia acabado de perder o pai na saga Crise de Identidade. Algo interessante nessa história também, é que é justamente nela o emocionante momento em que Bruce adota Tim como seu filho.

Fase de Grant Morrison

Grant Morrison é um visionário. Todas as suas histórias são recheadas de referências e principalmente de homenagens à era de ouro dos quadrinhos, da qual o autor é um confesso apaixonado. E com o Batman não foi diferente. Ao colocar as mãos na revista regular do morcego, Morrison tratou de trabalhar vários conceitos utilizados em antigas histórias do personagem e colocá-los de volta na cronologia, mas sem sombra de dúvidas o mais marcante foi a inclusão do filho de Bruce Wayne com Talia Al Ghul: o polêmico garoto-problema Damian.

Desenvolvendo o garoto – inicialmente odiado pelos fãs – até torná-lo um dos melhores Robins que o Batman já teve, Morrison trouxe uma novidade interessantíssima para o universo da bat-família, escrevendo uma fase que deixou saudades.

Novos 52

Version 1.0.0

Quando a DC rebootou o seu universo sob o selo Novos 52, coube ao escritor Scott Snyder e ao desenhista Greg Capullo a difícil tarefa de dar continuidade ao ótimo trabalho de Grant Morrison no título principal do Batman. Trazendo um herói mais tecnológico e acrescentando mais conceitos à mitologia de Gotham como A Corte das Corujas, Snyder conquistou os fãs e fez com que a revista figurasse como uma das melhores do reboot.

Fase Tom King

A transição para a Era do Renascimento não traz grandes mudanças para o Batman e praticamente continua a história iniciada em Novos 52. Nesta era, Scott Snyder deixou de escrever a série principal do Batman para escrever a série All-Star Batman, enquanto Tom King assumiu seu lugar no título original. A série de Snyder meio que funciona sozinha e serve como um prelúdio para Noites de Trevas: Metal. Este é um evento que serve como o ápice do trabalho de Snyder com o Morcego, além de servir como transição para que Snyder assumisse o roteiro da Liga da Justiça com o Morcego.

A série de Tom King é marcada pela sua forma metódica de escrever. Ele mergulha na história do personagem em busca de trazer uma jornada mais pessoal, que envolve muito do estado psicológico de Bruce Wayne. O herói acaba criando seu próprio Esquadrão Suicida e participa de uma guerra entre o Coringa e o Charada. Seus grandes arcos são fantásticos, mas também foram bastante divisivos, já que muita gente questiona suas decisões para o personagem. 

Batman: Três Coringas

Lançada pelo selo Black Label, Batman: Três Coringas é uma minissérie escrita por Geoff Johns e ilustrada por Jason Fabok que rapidamente se tornou uma das histórias mais comentadas do herói nos últimos anos. A trama parte da revelação de que, ao longo da história, existiram três versões diferentes do Coringa atuando em Gotham, cada uma representando um arquétipo distinto: o Comediante, o Palhaço e o Criminoso. Essa ideia mexe diretamente com o legado do vilão e sua relação simbiótica com o Batman.

A HQ explora não só a identidade desses Coringas, mas também como eles afetaram psicologicamente tanto Bruce quanto Barbara Gordon e Jason Todd, as maiores vítimas do palhaço do crime. Com arte detalhista e uma narrativa densa, Três Coringas se tornou uma leitura essencial para quem busca compreender as diferentes facetas do maior inimigo do Batman e como suas ações ecoam dentro da Bat-família.

Batman: Cavaleiro Branco

Batman: Cavaleiro Branco, de Sean Murphy, parte de uma premissa ousada: e se o Coringa fosse “curado” de sua loucura e se transformasse em Jack Napier, um cidadão normal e articulado? Nessa nova condição, Napier se coloca contra o próprio Batman, acusando-o de ser o verdadeiro responsável pela violência que assola Gotham.

Com uma forte crítica social e política, a série apresenta uma Gotham dividida, na qual o Batman é visto mais como uma ameaça do que como herói. O sucesso foi tão grande que Murphy expandiu esse universo em continuações, como A Maldição do Cavaleiro Branco e Cavaleiro Branco do Futuro, criando uma espécie de “Murphyverse”. A obra se destacou por trazer uma nova perspectiva sobre a eterna rivalidade entre Batman e Coringa, ao mesmo tempo em que explorou de forma única a relação com a Arlequina.

Batman: Absolute

Batman: Absolute faz parte do novo selo Absolute Universe, lançado em 2024 para reimaginar os heróis da DC. Nessa versão, Bruce Wayne não é bilionário, mas um engenheiro civil de 24 anos que constrói seu próprio uniforme e equipamentos. A origem também foi alterada: em vez de perder os pais em um beco, Bruce testemunha a morte do pai em plena luz do dia, sendo marcado pelo trauma enquanto se refugia entre morcegos. Alfred, por sua vez, é mostrado como um agente secreto que acompanha Bruce nas sombras.

A série também redesenha as relações de infância de Bruce, que convive com Selina Kyle, Edward Nigma, Oswald Cobblepot, Harvey Dent e Waylon Jones. Escrita por Scott Snyder e ilustrada por Nick Dragotta, a HQ aborda de forma mais crua e contemporânea o mito do Cavaleiro das Trevas, sendo um dos maiores sucessos da DC em 2024.

Guia atualizado em 20 de agosto de 2025

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