Estimated reading time: 11 minutos
A nova geração de mangás tá fazendo barulho. Com estilos diferentes e propostas bem definidas, algumas obras já se firmaram como os grandes nomes dessa fase atual. Alguns já ganharam anime, outros estão a caminho, mas todos seguem entregando histórias que merecem ser acompanhadas de perto.
No vídeo de hoje, eu separei 10 mangás modernos que ainda estão em publicação e que vale a pena colocar no radar. Obras que já marcaram – ou que ainda vão marcar – toda uma nova geração.
Sousou no Frieren

Sousou no Frieren pode ter magos poderosos e demônios aterrorizantes, mas o verdadeiro coração dessa obra está na beleza das conexões humanas e na forma como aprendemos a valorizar o tempo. Ao contrário de muitos shonens que colocam a ação em primeiro plano, essa história aposta na introspecção e na delicadeza. Frieren, uma elfa de vida longa, vê seus antigos companheiros de jornada morrerem de velhice — e é só então que ela percebe o quanto deixou de aproveitar o tempo ao lado deles.
Embora tenha lutas muito bem coreografadas, o combate nunca é o foco. Frieren é sobre memórias. A cada capítulo, somos convidados a refletir sobre nossas próprias vidas, sobre o tempo que deixamos escorrer pelos dedos e sobre a importância de desacelerar. É uma obra que encanta não apenas pela fantasia, mas pela humanidade profunda que transmite.
Blue Lock

Depois do fim de Haikyuu!!, o cenário dos mangás esportivos precisava de um novo nome forte — e Blue Lock ocupou o espaço. Lançado em 2018, o mangá propõe uma ideia ousada: transformar o futebol em um campo de sobrevivência onde só o atacante mais egoísta pode vencer. Em vez de enaltecer o trabalho em equipe, a história mergulha num sistema cruel que visa criar o maior artilheiro do mundo — mesmo que isso destrua todo o resto.
O resultado foi um fenômeno. Em 2023, Blue Lock se tornou o mangá mais vendido do ano, superando até pesos-pesados como One Piece e Jujutsu Kaisen. A arte é intensa, as partidas são tratadas como batalhas estratégicas, e os personagens vivem conflitos internos que beiram o psicológico. Mesmo quem não liga para futebol acaba fisgado pelo drama, pela ambição e pelas reviravoltas.
O Verão em que Hikaru Morreu

Misturando mistério sobrenatural, horror e slice-of-life, O Verão em que Hikaru Morreu é um dos mangás mais ousados e diferentes da nova geração. Mesmo com uma proposta inusitada, conquistou fãs pela forma como combina o estranho e o íntimo com uma sensibilidade rara. A história acompanha dois amigos de infância, Yoshiki e Hikaru, que vivem numa cidade rural tranquila — até que tudo muda com a morte repentina de Hikaru.
Só que algo — uma criatura sobrenatural que copia perfeitamente o rosto e as memórias de Hikaru — retorna em seu lugar. E apenas Yoshiki percebe que aquilo que voltou não é o verdadeiro amigo de infância. A partir daí, o mangá mergulha em um suspense psicológico cheio de tensão, angústia e emoções contraditórias.
Sakamoto Days

A Shonen Jump sempre está à caça do seu próximo fenômeno, e nos últimos tempos, poucos chamaram tanta atenção quanto Sakamoto Days. A série acompanha um lendário assassino que pendurou as armas para viver uma vida pacata como dono de loja de conveniência — só que o passado não larga do seu pé. A cada novo conflito, Sakamoto precisa equilibrar sua fachada tranquila com as habilidades absurdas que o tornaram uma lenda no submundo.
Misturando ação, humor e espionagem, Sakamoto Days rapidamente se destacou entre os novos títulos. As cenas de luta são um show à parte, criativas, frenéticas e coreografadas com uma fluidez que salta das páginas.
Spy x Family

Spy x Family é um dos maiores fenômenos da nova geração, conquistando fãs com sua mistura de espionagem, comédia e puro carisma. A história gira em torno de Loid Forger, um espião que precisa formar uma família falsa para cumprir uma missão secreta. Para isso, ele adota Anya, uma garotinha telepata, e se casa com Yor, uma assassina que também precisa manter as aparências. Os três escondem a verdade um sobre o outro — e é exatamente aí que está o charme da trama.
Apesar de envolver agentes secretos e conflitos internacionais, o mangá aposta em momentos de leveza, ternura e situações absurdamente engraçadas. Spy x Family subverte os clichês de filmes de espionagem e transforma uma missão temporária em um verdadeiro lar, mostrando que família é mais sobre afeto do que sobre sangue.
Chainsaw Man

Depois de revolucionar o shonen moderno com sua primeira parte, Chainsaw Man voltou com tudo ao acompanhar uma nova protagonista chamada Asa Mitaka. Embora a mudança de ritmo e foco tenha causado certa resistência inicial, a Parte 2 logo provou que Tatsuki Fujimoto não perdeu o toque. A nova fase mantém o tom sombrio e existencial da obra original, mas agora aposta em uma construção mais lenta e psicológica, mergulhando em temas como culpa, identidade e a busca por conexão em um mundo dominado por demônios.
Mesmo com a presença reduzida de Denji, ele continua a ser o coração da narrativa — e cada novo capítulo expande ainda mais seu arco trágico. A arte segue ousada, com composições impactantes e momentos que misturam grotesco, melancolia e humor surreal como só Fujimoto sabe fazer.
Kagurabachi

Kagurabachi surgiu como meme, com fãs dizendo ironicamente que era o “maior shonen de todos os tempos” — mas bastou a poeira baixar para muitos perceberem que a piada escondia uma pitada de verdade. Com o passar dos capítulos, a obra de Takeru Hokazono conquistou os leitores com sua narrativa direta, ambientação estilosa e um protagonista marcante. Chihiro, um jovem espadachim em busca de vingança pela morte do pai, carrega nas costas uma missão sangrenta que envolve espadas mágicas roubadas e uma conspiração poderosa.
O que realmente fez Kagurabachi se destacar foi sua qualidade visual e o ritmo intenso de suas batalhas. O sistema de poderes, embora ainda em desenvolvimento, já mostra criatividade, e a arte limpa e impactante dá vida a cenas de ação cinematográficas. Não a toa, é chamado por alguns de “o John Wick dos mangás”.
Dan Da Dan

Dan Da Dan chegou com tudo no mangá, mas foi com a estreia explosiva do anime na temporada de outono de 2024 que virou febre de vez. Criada por Yukinobu Tatsu, a série mistura gêneros de um jeito completamente insano — e funciona. A trama acompanha Okarun e Momo, dois adolescentes com personalidades opostas que acabam descobrindo, por acidente, que tanto fantasmas quanto alienígenas existem. A partir daí, eles mergulham num turbilhão de eventos sobrenaturais, encontros bizarros e um caos que só cresce.
Combinando ação sobrenatural, comédia, romance e até momentos de drama emocional, Dan Da Dan é o tipo de mangá que entrega tudo ao mesmo tempo — e faz isso com maestria. O ritmo é frenético, mas sempre encontra espaço para desenvolver seus personagens com afeto e loucura na medida certa.
Gachiakuta

No meio de tantos novos shonens dominando as discussões, Gachiakuta chegou como um verdadeiro azarão — mas vem subindo degrau por degrau com consistência. Ignorado por muita gente no começo, o mangá encontrou seu público justamente por trazer uma história que reflete sua própria trajetória: a de alguém vindo de baixo, lutando contra tudo e todos, em busca de redenção e justiça.
A trama acompanha Rudo, um garoto das favelas acusado injustamente de assassinato e jogado em um abismo chamado “O Poço” — um mundo sombrio e distorcido feito de lixo e habitado por criaturas monstruosas. O diferencial visual também pesa: Gachiakuta mistura a arte estilizada de Kei Urana com designs de graffiti de Hideyoshi Ando, que dão ao mundo sujo e decadente da série uma textura urbana única.
Choujin X

Choujin X chegou cercado de expectativas — afinal, leva a assinatura de Sui Ishida, o autor de Tokyo Ghoul, um dos maiores fenômenos do seinen nos anos 2010. Mas o que poderia ser apenas mais um “sucessor espiritual” rapidamente se provou algo muito maior. A história mistura ação sobrenatural, thriller psicológico e horror em doses precisas, acompanhando os amigos de infância Tokio e Azuma enquanto tentam combater a injustiça em seu distrito.
Tudo muda quando eles cruzam o caminho dos Choujins — humanos com habilidades sobre-humanas e deformações bizarras. A partir daí, a trama mergulha em um mundo de caos, identidade e sobrevivência, com reviravoltas imprevisíveis e tensão constante. Ishida leva tudo o que aprendeu em Tokyo Ghoul e eleva a outro patamar: construção de mundo mais refinada, narrativa mais solta e personagens ainda mais densos.






Comentários