Comentários

Estimated reading time: 5 minutos

Nesta terça-feira (1), um dos maiores astros da história de Hollywood, Val Kilmer faleceu aos 65 anos, vítima de pneumonia. Mesmo com um extenso currículo de papéis de peso, o ator é claramente mais lembrado pelo charme inigualável que emprestou a Bruce Wayne em Batman Eternamente (1995). A história de como ele conseguiu e perdeu esse papel é tão interessante quanto seu trabalho em si.

Tempo de mudança

Reprodução/Warner Bros. Pictures

No final dos anos 80, Tim Burton reinventou a franquia do Homem-Morcego com Batman (1989), distanciando o personagem da imagem caricata da série de TV dos anos 60. O filme foi um sucesso e logo ganhou uma sequência, o subestimado Batman: O Retorno (1992).

Embora ambos os filmes tenham sido bem-sucedidos, a sequência teve uma bilheteria significativamente menor que o filme original, o que incomodou executivos, acionistas e patrocinadores corporativos, que passaram a acreditar que Tim Burton exagerava no tom sombrio do personagem.

Pressionada pelos investidores — principalmente pelo McDonald’s —, a Warner Bros. Pictures exigiu que o terceiro filme do Batman fosse colorido, divertido e voltado para o público infantil. Isso levou Tim Burton a deixar a direção, e Michael Keaton, o intérprete do Homem-Morcego, saiu logo em seguida.

Ficou decidido então que o grande e saudoso Joel Schumacher seria o responsável por tocar a franquia, com um novo ator sendo escalado para o papel do Batman.

Auge da carreira

Reprodução/Warner Bros. Pictures

Em meados dos anos 90, Val Kilmer vivia o auge de sua carreira. Galã como sempre foi, ele já tinha interpretado Tom ‘Iceman’ Kazansky em Top Gun (1986) e impressionado o mundo como Jim Morrison em The Doors: O Filme (1991).

Com Kilmer já sendo um nome bastante conhecido, foi tão fácil para a Warner oferecer o papel quanto foi para ele aceitar a oferta. O ator, que tinha uma relação amigável com o estúdio, sequer quis ler o roteiro para confirmar sua presença na produção.

Tudo nesse trabalho foi diferente de tudo que eu já tinha experimentado,” disse o ator ao Entertainment Tonight em 1995. “A grandiosidade do personagem e quão estranho foi Michael Keaton ter decidido não fazê-lo – eu simplesmente disse sim, sem ler o roteiro.

Recepção mista

Reprodução/Warner Bros. Pictures

Batman Eternamente (1995) teve uma bilheteria ligeiramente superior à de Batman: O Retorno (1992). A recepção da crítica, no entanto, foi mista. O filme foi criticado por seu tom mais leve e colorido, considerado excessivamente comercial por alguns. No entanto, as performances, especialmente a de Jim Carrey como o Charada, receberam elogios consistentes.

Val Kilmer foi criticado por não ter capturado a essência sombria e complexa do personagem, mas consistentemente elogiado por retratar o lado galã e playboy de Bruce Wayne.

Fim da linha

Reprodução/Warner Bros. Pictures

Tão famosas quanto o rosto de Val Kilmer eram as histórias de suas extravagâncias nos sets de filmagem. A produção de Batman Eternamente (1995) foi marcada por desentendimentos entre o astro e o diretor Joel Schumacher.

O comportamento de Kilmer, segundo Schumacher, era “infantil e impossível“. Há relatos de que o ator ficou duas semanas sem falar com o diretor após ser repreendido por ser rude com a equipe de produção.

Joel Schumacher voltou à franquia posteriormente para dirigir o infame Batman & Robin (1997), mas para Kilmer, Batman Eternamente (1995) foi o começo e o fim da linha. Até hoje, ninguém sabe exatamente se o ator foi demitido ou se demitiu. A versão oficial é que ele chegou a um entendimento mútuo com a Warner de que não deveria continuar no papel.

Para mim, Val Kilmer foi o melhor Batman,” disse Schumacher, apesar ter tido problemas com o ator no set.

10 fatos sobre o Batman de Val Kilmer

Leia também sobre Batman e Val Kilmer



Comentários