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Existe um conto chamado “O nariz”, do exímio contista russo Nicolai Gogol, em que o nariz do protagonista se desprende do corpo dele e sai correndo pela cidade. Nisso, o desastrado protagonista do conto precisa percorrer a urbe atrás do seu nariz e convencê-lo a retornar para seu rosto. Com as discussões sobre o queixo do eterno ator de Crepúsculo, Robert Pattinson como Batman, me vieram dois pensamentos.


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O primeiro, o de escrever um conto em que o queixo de um super-herói se desprende do seu corpo e sai correndo pelos mais diferentes cenários comuns do super-heroísmo. O segundo, foi pensar que na falta de um sorriso, de olhos descobertos e , até mesmo, um nariz descoberto, livres das máscaras super-heroicas, num rosto de um herói estilo Batman, a parte mais expressiva seria o seu invariável queixo.

Com o perdão da palavra, as queixas sobre o queixo do Batman existem desde George Clooney, ou seja, desde que internet popular e Batman se inteseccionaram pela primeira vez. Mesmo na época de Michael Keaton, o primeiro Batman dos cinemas , já se comentava do seu queixo de bundinha e o seu lábio em forma de biquinho, que podiam estragar ou deixar o Batman ainda mais sensacional.

Percebam como chegamos a uma época em que o valor de uma interpretação, ou até de um filme inteiro se baseia no formato do queixo de um ator sob a capa de um super-herói. Como se do queixo dependesse toda uma interpretação. Como se o queixo fosse sair pelo set de filmagens declamando Shakespeare, ou até mesmo um conto de Gogol (nota mental: anotar isso para o conto), causando inveja em Patrick Stewart e Ian McKellen ao mesmo tempo agora.

Parece que o queixo tem um papel fundamental tanto nos filmes como nos quadrinhos de super-heróis. Peguemos o Juiz Dredd como exemplo, o personagem que tem mais queixo por metro quadrado dos comics e coloquemos junto a Sylvester Stallone, que o interpretou no cinema. Não há queixas sobre esse queixo. Já a interpretação do eterno Rambo deixa a desejar. Ah, mas que queixo ele nos proporcionou!

O queixo é uma zona erógena dos super-heróis, porque é ele que mostra toda a sua sensibilidade. É lá que o leito ou espectador vai encontrar o seu “calcanhar de Aquiles”, que é ao mesmo tempo o lugar que mostra todo o seu poder e ao mesmo tempo o expõe para o mundo. Em muitos games, capas de quadrinhos de super-heróis, animações como as do Popeye, podemos ver os ganchos no queixo presentes como um substituto do golpe nas genitálias.

Assim que parece que o tamanho e o formato do queixo, dentro dos filmes de ação e de super-heróis possui alguma relação com a masculinidade do personagem. Se é um queixo que “orna” – se você captou minha mensagem e sabe que analogia eu estou fazendo -, o filme provavelmente será um sucesso. Ou seja, o tamanho do queixo é proporcional ao tamanho do… sucesso de um personagem no cinema. Os meninos adoram comparar o tamanho do queixo dos seus Batmen. Nada contra, tenho até amigos que comparam.

Batman

Eu gostaria de terminar esse texto com uma música da Ke$ha, só para ficar nos meus adorados trocadalhos, mas vou acabar com outra música:

“Garotos perdem tempo pensando/ em brinquedos e proteção/ romances de estação/ desejo sem paixão/ qualquer truque contra a emoção”.



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