Comentários

Quando chegou aos cinemas em 2017, IT: A Coisa foi um verdadeiro fenômeno. Adaptação da obra literária de Stephen King, o filme arrecadou US$ 700 milhões em bilheteria – um marco impressionante para um filme do gênero.

Mas com certeza a maior sacada do diretor Andy Muschietti foi dividir a história em dois filmes: um destacando o confronto do Clube dos Otários com a Coisa quando ainda crianças, e o outro 27 anos depois, quando os membros do clube, agora adultos, precisam se reunir novamente para dar cabo da Coisa de uma vez por todas.

Em IT: Capítulo 2 é exatamente isso que presenciamos. Mike Hanlon (Isaiah Mustafah), único membro do Clube dos Otários a permanecer na cidade de Derry – e portanto o único a manter todas as lembranças do primeiro encontro com a Coisa – telefona para os outros membros para que retornem à cidade, agora que Pennywise está de volta e uma onda de assassinatos voltou com ele.

Aliás, o elenco não poderia ser melhor. Além de se parecerem fisicamente com as crianças do primeiro filme, existe um claro cuidado em representar perfeitamente todas as nuances e até expressões corporais dos jovens atores. Esse cuidado, tanto da direção quanto do próprio elenco, é o que traz uma enorme imersão que nos faz quase acreditar que aquelas pessoas realmente são as crianças do Clube dos Otários agora crescidas.

Porém, sua maior qualidade é também o seu calcanhar de Aquiles. Como o filme possui quase 3 horas de duração, é inevitável a sensação de algumas cenas desnecessárias, que visam explorar o máximo possível o (bom) elenco, desenvolvendo personagens que já haviam sido suficientemente desenvolvidos, e com isso entregando um segundo ato lento e um tanto quanto inflado. É um ritmo diferente, que pode acabar incomodando quem gostou daquele mais enxuto e frenético do primeiro longa.

Mas mesmo considerando que o diretor Andy Muschietti poderia ter enxugado muitas dessas cenas, há de se reconhecer seu esforço em reapresentar os personagens, já que o nosso vínculo afetivo era direcionado até então apenas às suas contrapartes infantis. Desta forma, esse trabalho de reapresentação, apesar de por vezes tortuoso, se mostra compreensível de um ponto de vista narrativo. E explica o constante uso de flashbacks (com os atores crianças, agora não tão crianças assim, sendo rejuvenescidos digitalmente).

IT

Bill Skarsgård continua brilhando como o palhaço Pennywise, a Coisa. Sua interpretação desperta diversos tipos de sentimentos, do pretendido medo à admiração por sua total entrega ao personagem.  E neste filme vemos a criatura de uma forma um pouco diferente do primeiro, pois ele demonstra um inédito sentimento de vingança para com o Clube dos Otários após sua derrota 27 anos atrás. É como se, dessa vez, as coisas fossem um pouco mais pessoais para Pennywise – o que o torna ainda mais perigoso.

No que se refere à obra original de Stephen King, o filme permanece bastante fiel, mas toma algumas liberdades criativas que funcionam melhor para a linguagem cinematográfica.  Além disso, assim como o primeiro filme, oferece um entretenimento de qualidade dentro do gênero do terror, que ao longo dos anos foi se tornando cada vez menos focado em apresentar boas histórias, apelando insistentemente apenas para scare jumps e situações clichê. Talvez por isso, Stephen King, o mestre do terror, tenha voltado a ficar em alta nos últimos tempos. E nós agradecemos. Afinal, precisamos de King. E precisamos de suas adaptações.

Positivo
  • ► Bill Skarsgård brilha novamente como Pennywise
  • ► Elenco extremamente afiado
Negativo
  • ► Duração excessiva, trama poderia ser enxugada
Nota 9010
Crítica | IT: Capítulo 2



Comentários