Dando continuidade à nossa série de Guias de Leitura, trazemos dessa vez aquele que é o melhor no que faz, o carcaju mal-humorado preferido da galera, Wolverine!
Lembrando antes de qualquer coisa que esse é um guia para leitores novatos ou que querem uma ajuda sobre como ingressar no universo dos personagens. Se você, leitor veterano sagaz e com bagagem, perceber que está faltando algo… ora, veja só, eu sei! A ideia é justamente colocar apenas as histórias mais importantes e clássicas dos personagens. Afinal, de outra forma o guia ficaria enorme.
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Wolverine: Origem

Durante 25 anos a origem de Wolverine ficou envolta em mistério, com os roteiristas aproveitando a sua falta de memória para inserir pequenas pistas aqui e ali enquanto seu passado era revelado por meio de fragmentos. No entanto, em 2001, a Marvel chamou o roteirista Paul Jenkins e o desenhista Andy Kubert para finalmente contarem sobre o passado do mutante das garras de adamantium.
Assim, em Wolverine: Origem, descobrimos que Logan na verdade se chamava James Howlett, e era o frágil e doente herdeiro de uma uma abastada família do século XIX. Após uma tragédia que envolve a descoberta de seus poderes, o jovem James precisa fugir com sua governanta, Rose, por quem se apaixona. O ponto alto da história é mostrar como o fraco e enfermiço James Howlett se fortificou a ponto de ser tornar praticamente um lobo, e de onde veio a inspiração para o nome Logan.
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Arma X
Em 1991, Barry Windsor-Smith decidiu escrever e desenhar esse verdadeiro clássico dos quadrinhos que trata de mostrar como Logan perdeu as suas memórias e teve seu esqueleto revestido com o virtualmente indestrutível metal conhecido como adamantium. Em Arma X, uma história bem diferente do convencional para os padrões da época e que apela para elementos de horror e suspense, presenciamos o experimento que dá nome à HQ, sob o ponto de vista dos cientistas responsáveis pelo projeto.
O quadrinho é tão visceral e doentio que em diversos momentos podemos praticamente sentir toda a dor que é infligida em Logan, chegando a tornar a leitura desconfortável tamanho o realismo e crueldade das cenas. Apesar do final um tanto quanto anti-climático, Arma X é um quadrinho atemporal e que merece ser lido, principalmente por retratar esse acontecimento tão marcante da vida de Wolverine.
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A Segunda Gênese
Na década de 70, os X-Men enfrentavam uma crise devido às baixas vendas, o que poderia ocasionar até mesmo o cancelamento da revista. Foi então que Len Wein, acompanhado pelo novato Chris Claremont, pegaram a revista e resolveram dar uma repaginada geral no panorama. A ideia era aproximar o máximo de leitores possível, de uma maneira mundial, criando personagens de diferente nacionalidades e colocando-os de uma vez só na equipe. O que poderia ser um desastre acabou se tornando uma estratégia de sucesso, pois o público simplesmente adorou os novatos Tempestade, Colossus, Noturno, Banshee, Pássaro Trovejante, Solaris, e é claro… Wolverine. Chris Claremont comandou a revista dali em diante durante uma das fases mais duradouras dos quadrinhos, e o que se viu foi os X-Men se tornando não apenas um sucesso, mais a revista mais vendida da Marvel.
Obviamente, essa fase dos X-Men não poderia faltar em um guia de leitura do Wolverine, afinal trata-se da primeira aparição do mutante canadense junto à equipe, local onde criou toda a sua fama e onde angariou a legião de fãs que possui hoje.
Cavaleiros de Madripoor
Foi no início da década de 90 que os X-Men se tornaram um incrível sucesso de vendas, alcançando inclusive o recorde de HQ mais vendida do mundo. Um pouco antes disso, logo no surgimento do “fenômeno Jim Lee“, tivemos essa sensacional história de apenas uma edição desenhada pelo artista coreano e escrita por Chris Claremont.
Publicada em The Uncanny X-Men #268, Cavaleiros de Madripoor mostra uma aventura de Logan antes mesmo de vir a se chamar Wolverine em Madripoor durante a Segunda Guerra Mundial, ao lado do Capitão América e Viúva Negra. Até então, o passado de Wolverine ainda era um mistério, e revelar que o mutante canadense atuou ao lado de Steve Rogers durante a Segunda Guerra foi uma ótima sacada, que além de ter inserido essa inusitada parceria, abriu uma série de perguntas sobre qual seria a real idade de Logan.
Lobo Ferido
Publicada em Uncanny X-Men #205 em 1986, Lobo Ferido também é uma história de apenas uma edição, e conta com os roteiros de Chris Claremont e a sensacional arte de Barry Windsor-Smith, que sempre casou tão bem com o personagem.
Na história, Wolverine encontra-se ferido e praticamente nu em um cenário de constante tempestade de neve, enquanto é caçado por Lady Letal e seus comparsas ciborgues. Colocado em extrema situação de estresse, Wolverine libera a sua besta interior, e durante a história temos a participação da personagem Chispinha, do Quarteto Futuro, cujo papel é fazer com que Logan não sucumba ao puro instinto animal. Uma das mais belas histórias do personagem, seja em roteiro ou arte.
Eu, Wolverine
Considerada por muitos como a melhor história do carcaju de todos os tempos, “Eu, Wolverine” traz a parceria entre duas lendas dos quadrinhos: Chris Claremont e Frank Miller. A história foi originalmente publicada em 1986 na minissérie Wolverine #1 a #4 e traz uma aventura de Logan no Japão.
Na história, Logan vai à terra do sol nascente em busca de uma mulher que havia marcado sua vida: a nobre Mariko Yashida. Ao descobrir que o pai de sua amada, Shingen Yashida, é o líder da organização criminosa Tentáculo, Logan se vê envolvido em uma trama que envolve honra, orgulho e é claro, amor. Um verdadeiro clássico.
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Kitty Pryde e Wolverine
Dando continuidade a essa parte da vida de Wolverine na qual conhecemos as sua ligações com o Japão e com o código Samurai, temos a excelente minissérie em 6 edições Kitty Pryde e Wolverine, novamente com roteiro de Chris Claremont, dessa vez acompanhado pela arte de Al Migrom.
Um dos pontos mais interessantes da história do Wolverine é sua amizade quase que paternal – ou até de mestre e aprendiz – com a jovem Kitty Pryde, e aqui vemos o auge disso. Trabalhando essa relação entre os dois personagens, Claremont apresenta uma trama onde Kitty segue seu pai até o Tóquio com medo de que ele esteja sendo chantageado pela Yakuza. Lá, a jovem acaba caindo nas mãos do espadachim e antigo mestre de Logan, Ogun, e precisa da ajuda de mutante canadense para superar o domínio mental do vilão. Uma clássica e épica história de samurais, que há muito tempo pede um encadernado aqui no Brasil.
A Saga da Fênix Negra (Wolverine Sozinho!)
Um dos maiores clássicos dos X-Men, a Saga da Fênix Negra conta com Chris Claremont nos roteiros e John Byrne nos desenhos, e apresenta uma trama na qual Jean Grey é possuída pela entidade Fênix e acaba perdendo o controle, colocando praticamente todo o universo em perigo devido ao seu descomunal poder. Em uma história que envolve do Clube do Inferno aos Shiars, vemos como a doce Jean Grey se torna uma ameaça em escala interplanetária e as consequências de suas ações para ela, para os X-Men, e para toda a galáxia.
Apesar de não ser uma história com foco em Wolverine, e sim na figura dos X-Men e mais especificamente em Jean Grey, a saga apresenta a história “Wolverine Sozinho!” completamente estrelada pelo mutante canadense. O capítulo anterior havia terminado com os X-Men sofrendo uma emboscada e sendo capturados pelo Clube do Inferno, exceto Wolverine, que é lançado vários andares abaixo da estrutura do clube e vai parar nos esgotos. O baixinho se levanta invocado e profere a clássica frase “agora é a minha vez” fazendo desse quadro um dos mais icônicos e mais referenciados dos quadrinhos. É na edição seguinte, Uncanny X-Men #133, que o carcaju faz a festa, fatiando os inimigos que aparecem em seu caminho, ao resgate da equipe.
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“Caolho”
Estreando sua série mensal em 1988, Wolverine se afasta dos X-Men – dados como mortos na época – e passa a trabalhar como agente secreto na ilha de Madripoor, tão conhecida pelo personagem. Já nas primeiras edições, Logan se disfarça com um tapa-olho (?), e assume a alcunha de Caolho, nome pelo qual se tornaria uma lenda na fictícia ilha asiática. Uma das fases mais interessantes e inusitadas do personagem.
Dias de Um Futuro Esquecido
Em Dias de Um Futuro Esquecido, de Chris Claremont e John Byrne, presenciamos um futuro alternativo onde os mutantes são constantemente caçados e exterminados pelos Sentinelas, e onde Wolverine é um dos poucos sobreviventes. O mutante participa de um plano com seus amigos para enviar a consciência da velha Kitty Pryde ao seu corpo ainda jovem, impedindo assim o acontecimento que foi o estopim para gerar esse futuro apocalíptico. Porém, a missão não é tão simples, pois o tal ato foi o assassinato do Senador Robert Kelly por nada mais nada menos que a mutante Mística. A história, uma das mais famosas dos X-Men, é trabalhada em dois tempos diferentes, intercalando a trama dos mutantes do presente com os do futuro.
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Massacre de Mutantes ( A Última Corrida)
Massacre de Mutantes narra a covarde matança perpetrada pelos vilões conhecidos como Carrascos contra os Morlocks, mutantes deformados que por não conseguirem se misturar com os humanos devido a sua aparência, vivem nos esgotos. Os X-Men acabam chegando tarde e encontram os mutantes mortos, começando assim uma caçada por vingança atrás dos Carrascos.
Mas a participação de destaque de Wolverine na saga é sem sombra de dúvidas na história “A Última Corrida”, que traz nada mais nada menos que o primeiro confronto entre Logan e seu arqui-inimigo Dentes-de-Sabre. Apesar de ser estipulado que os personagens se conheciam e já eram inimigos de longa data, as batalhas ocorridas nas edições 212 e 213 de Uncanny X-Men (desenhadas por Rick Leonardi e Alan Davis respectivamente) datam como os primeiros confrontos dos dois nos quadrinhos. Detalhes sobre o passado e o surgimento da rivalidade dos dois só seriam dados anos depois.
24 Horas
Agora sim. Aqui começamos a entender de onde surgiu todo o ódio entre Wolverine e Dentes-de-Sabre, em uma história publicada no ano de 1988 em Wolverine #10, cortesia de Chris Claremont e John Buscema.
Enquanto Logan resolve casos em Madripoor no dia de seu aniversário, presenciamos uma série de flashbacks que mostram o mesmo dia muitos anos atrás, no século XIX (bem antes do projeto Arma X), quando Logan tem sua esposa assassinada por Dentes-de-Sabre. Em uma trama que viaja entre passado e presente, vamos entendendo a antiga relação de ódio existente entre os dois personagens.
Círculo Vicioso
Originalmente publicada em Incredible Hulk #340, de 1988, Círculo Vicioso conta com os roteiros de Peter David (responsável pela revista do Hulk na época) e a arte de Todd McFarlane.
A história nada mais é do que uma revanche entre os dois personagens, já que a primeira aparição do Wolverine foi justamente contra o Hulk, na revista Incredible Hulk #180, de 1974. A diferença é que agora Logan confronta um Hulk não mais verde, e sim cinza. E o pior… muito mais inteligente.
Logan
Escrita pelo premiado escritor Brian K. Vaughan e com arte de Eduardo Risso, a minissérie em três edições “Logan” traz o mutante canadense em busca de paz para seu passado, após ter todas as suas lembranças de volta devido aos eventos da saga Dinastia M.
Em uma trama que envolve acontecimentos vividos pelo personagem em Hiroshima em plena Segunda Guerra Mundial, Logan apresenta mais um aprofundado capítulo do passado de Wolverine, dessa vez trabalhando o surgimento de sua velha ligação com o Japão e de onde veio o seu interesse pelas belas mulheres nipônicas.
Inimigo do Estado
Todo mundo sabe que Mark Millar (Guerra Civil, Os Supremos) é um autor que adora um bom e velho “massavéio” nas suas histórias. Mas é um massavéio de qualidade, de bom gosto, divertido e honesto. E é claro que com uma máquina de matar como o Wolverine em mãos, o roteirista se sentiria em casa.
Com arte de John Romita Jr., ( a dupla voltaria a se encontrar em Kick-Ass) Inimigo do Estado possui uma trama bem simples: Logan sofre lavagem cerebral da organização criminosa Tentáculo e é enviado para acabar com a SHIELD. Obviamente, os heróis do universo Marvel não deixam isso acontecer, e o que se segue é uma sequência de muita porrada. Muita porrada mesmo. É ridiculamente genial, como a maioria dos trabalho de Millar.
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Ultimate X-Men
Nos anos 2000, quando a Marvel surgiu com o universo Ultimate, fomos presenteados com o sensacional Homem-Aranha de Brian Bendis e o clássico moderno Os Supremos, de Mark Millar. Mas engana-se quem pensa que a contribuição de Millar no Ultiverso ficou apenas com a versão alternativa dos Vingadores. Apesar de pouco comentada e de a Panini nunca ter dado o devido valor aqui no Brasil (a série só foi lançada em mensais há anos, e desde então nunca passa do segundo encadernado) Ultimate X-Men é um trabalho de Mark Millar tão bom quantos Os Supremos, e na minha humilde opinião é a melhor versão dos X-Men em qualquer mídia. Trazendo uma abordagem mais adulta, roteiros muito bem trabalhados e construídos, origens mais interessantes, e a melhor caracterização de Magneto em anos, a série é indispensável não apenas para um fã dos mutantes, mas qualquer apreciador de um bom quadrinho.
E o Wolverine apresentado pela mente doentia de Millar é simplesmente um caso à parte. Se o roteirista já havia feito a proeza de escrotizar o próprio Capitão América em Os Supremos, imagine o que não faria com o Wolverine. Muito mais violento que sua contraparte regular, arrogante e absolutamente cruel, Logan surge como uma assecla de Magneto, enviado como agente disfarçado para os X-Men, onde tem a missão de matar Charles Xavier após ser aceito pela equipe. No entanto, o canadense se apaixona por Jean Grey e coloca o plano a perder. O Wolverine Ultimate é tão sem escrúpulos que tenta matar o Ciclope na trairagem, apenas para levar a mulher do companheiro de equipe para a cama.
O Cisma

Escrita por Jason Aaron, que era o roteirista da revista mensal do Wolverine na época, a minissérie O Cisma traz um dos mais importantes eventos para os X-Men e para Wolverine nos últimos anos.
Com as decisões de Ciclope se tornando cada vez mais ousadas e perigosas, seu braço direito Wolverine começa a questioná-lo, principalmente no que envolve utilizar crianças no campo de batalha. Em meio a uma discussão acalorada (que envolve até uma certa ruiva que ambos amaram) os dois acabam brigando e dividindo os X-Men em duas facções. Uma continua com Scott na ilha Utopia, e a outra segue com Wolverine de volta ao antigo Instituto Xavier, agora rebatizado como Escola Jean Grey para Estudos Avançados.
Wolverine e os X-Men
Após os eventos de O Cisma, e acreditando que o caminho que Scott Summers estava tomando para os jovens mutantes era errado, Logan toma a decisão de reabrir o Instituto Xavier, rebatizando- como Escola Jean Grey para Estudos Avançados, fazendo com que os X-Men voltassem à suas origens. Não apenas treinar guerrilheiros, mas o mais importante de tudo: ensinar.
A série coloca Wolverine em uma posição nunca antes vista e sequer imaginada. Diretor do colégio. Chega a ser engraçado – e por que não… poético – ver que afinal os herdeiros do “sonho de Xavier” não eram nem Scott Summers e nem Jean Grey, e sim o bom e velho mutante canadense que sempre agiu melhor com os punhos.
O Velho Logan
Mais uma aventura de Mark Millar pelo Wolverine, agora acompanhado da arte do seu parceiro em Guerra Civil, Steve McNiven. Diferente de Inimigo do Estado, aqui Millar decide brincar com o futuro de Logan, imaginando como seria a sua vida em um mundo pós-apocalíptico dominado pelos vilões, e morando em uma região dominada pelo Hulk e seus violentos filhos.
Vivendo tranquilamente com sua família após ter abandonado as garras e a alcunha de Wolverine anos atrás, Logan acaba precisando voltar à ativa quando seus entes queridos são destroçados pelos filhos do Hulk. Funcionando como uma espécie de homenagem aos velhos filmes oitentistas cuja jornada em busca de vingança eram os temas centrais, O Velho Logan traz uma brilhante visão sobre a velhice de Wolverine, além de um dos mais interessantes futuros do Universo Marvel.
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A Morte de Wolverine
Escrita por Charles Soule, a minissérie em 4 edições Death of Wolverine trata de dar fim à vida daquele que até então muita gente acreditava até mesmo que fosse imortal, devido a seu poderoso fator de cura. No entanto, esse é justamente o mote principal da trama, afinal encontramos Logan sem o seu poder e incapacitado de usar suas garras.
Recheada de referências da trajetória do personagem, a HQ traz diversos personagens que em algum momento cruzaram o caminho do carcaju, e a sequência de sua morte é uma das cenas mais bonitas que os quadrinhos viram nos últimos anos, muito pela belíssima arte de Steve McNiven, que entrega um trabalho impecável.
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