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Dando continuidade à nossa série de Guias de Leitura, trazemos dessa vez o Amigão da Vizinhança, Homem-Aranha!

Lembrando antes de qualquer coisa que esse é um guia para leitores novatos ou que querem uma ajuda sobre como ingressar no universo dos personagens. Se você, leitor veterano sagaz e com bagagem, perceber que está faltando algo… ora, veja só, eu sei! A ideia é justamente colocar apenas as histórias mais importantes e clássicas dos personagens. Afinal, de outra forma o guia ficaria enorme.
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Fase Stan Lee

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Sendo o criador do personagem ao lado do desenhista Steve Ditko no ano 1962, Stan Lee esteve durante muito tempo envolvido com os roteiros do cabeça de teia, definindo e estipulando conceitos que são definitivos até hoje como a questão do poder e da responsabilidade, e criando toda a mitologia acerca do universo aracnídeo. Mesmo após a saída de Ditko (que foi quem criou o design do uniforme do herói) Lee ainda permaneceu, dessa vez acompanhado pelo lendário John Romita.
Foi nessa época, com Peter entrando na universidade, que fomos apresentados a personagens icônicos como Mary Jane Watson, Gwen Stacy e Harry Osborn, e de onde surgiram algumas das histórias mais clássicas do personagem como Homem-Aranha Nunca Mais (onde Peter desiste de ser um herói em prol de viver uma vida onde possa se dedicar a seus amigos e à Tia May) e também a famosa Como era Verde o meu Duende (história na qual o Duende Verde descobre a identidade de Peter e o sequestra, revelando também se tratar de Norman Osborn por baixo da máscara). Uma época áurea.

Você pode encontrar esta fase, clicando aqui!
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A Morte de Gwen Stacy

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Quando Stan Lee finalmente saiu dos roteiros do aracnídeo, deixou um substituto à altura. Gerry Conway também escreveu histórias sensacionais para o personagem, mas o seu maior clássico com certeza é  A Noite em que Gwen Stacy Morreu, história na qual a namorada de Peter Parker (muito amada pelos leitores na época) foi assassinada pelo Duende Verde. Obviamente, na época os leitores queriam a cabeça de Gerry Conway em uma bandeja, mas hoje a história figura como um dos maiores clássicos do Homem-Aranha, sendo um dos acontecimentos mais marcantes na vida do herói e constantemente relembrado até nos quadrinhos atuais.
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Homem-Aranha: Azul

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E aqui temos uma história que trata justamente do impacto da morte do grande amor do Homem-Aranha em sua vida. Com roteiros de Jeph Loeb e arte de Tim Sale, Homem-Aranha: Azul nada mais é do que uma declaração de amor de Peter Parker a Gwen Stacy, e a prova de que o herói nunca esqueceu e nem nunca esquecerá o seu grande amor. Sim, a HQ nada mais é do que uma belíssima (e triste) história de amor. Indispensável em qualquer coleção.
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Guerras Secretas

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Ainda que não seja uma história focada no Homem-Aranha (e na verdade ele aparece bem pouco nela) Guerras Secretas se faz presente na lista pela sua importância cronológica dentro do universo do personagem e por tudo que gerou depois. Simplesmente porque é aqui que o Homem-Aranha tem seu primeiro contato com a criatura simbionte que primeiramente age como seu uniforme negro e que mais tarde viria a se tornar o homicida Venom, um dos maiores e mais letais inimigos do cabeça de teia.

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O Nascimento de Venom

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Agora sim. Após descobrir com a ajuda do Quarteto Fantástico que o seu novo uniforme na verdade é uma forma de vida alienígena que se alimenta da psique do hospedeiro, o Homem-Aranha decide se livrar do uniforme e após uma luta interna, consegue expulsá-lo graças aos barulho dos sinos de uma igreja. Porém, o que o herói não esperava é que naquele mesmo momento o jornalista fracassado Eddie Brock (que culpava o Aranha por sua derrocada profissional) estivesse no local. Ao perceber tamanho ódio vindo de Brock, o simbionte se une ao jornalista, dando origem a Venom, uma criatura que aterrorizou o Homem-Aranha durante boa parte dos anos 90, tornando-se tão popular que chegou a estrelar jogos de vídeo-game ao lado do aracnídeo.

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A Última Caçada de Kraven

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Um dos maiores clássicos do Homem-Aranha, A Última Caçada de Kraven é escrita por J.M. DeMatteis e uma das histórias mais sombrias, densas e perturbadores do personagem. Na trama, a obsessão de Kraven, o Caçador, toma proporções absurdas quando o vilão consegue abater o Aranha com um dardo tranquilizante e o enterra vivo, enquanto usa o seu uniforme e sai pela cidade caçando os criminosos em seu lugar. A ideia do vilão é ser um só com sua presa, colocando-se em seu lugar e agindo como ele. A HQ possui um final marcante e surpreendente, além de ter  sido um dos acontecimentos mais desesperadores da vida de Peter Parker.

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A Morte de Jean DeWolff

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Sendo mais uma das HQs que figuram o hall de histórias pesadas e sombrias do Homem-Aranha, A Morte de Jean DeWolff marcou a entrada do aclamado roteirista Peter David no mundo dos quadrinhos. Na trama, a capitã de polícia amiga do Aranha é brutalmente assassinada em sua casa por um serial-killer chamado de Devorador de Pecados. Aqui vemos o aracnídeo diferente do usual, onde ao invés de fazer piadinhas ele está constantemente furioso e vingativo, com o objetivo de encontrar o assassino e espancá-lo, enquanto a contagem de corpos continua aumentando. O Demolidor também participa da história, e age como a consciência de Peter nesse momento desesperado do personagem, trazendo-o de volta à razão e impedindo de fazer justiça com as próprias mãos.
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A Criança Interior

08 - A Criança Interior
Nesse arco publicado no início da década de 90 em Spectacular Spider-Man 178 a 184, J.M. DeMatteis e Sal Buscema trazem aquele que é o embate mais interessante entre Peter Parker e Harry Osborn, outrora grandes amigos. Na trama vemos Harry novamente sucumbindo à loucura e voltando a agir como Duende Verde, disposto a acabar com o Homem-Aranha, enquanto somos também apresentados ao passado de um dos vilões menos trabalhados do cabeça de teia, o estranho Ratus. No final, percebemos que a história fala sobre filhos, e do quanto a figura paterna pode influenciar positiva ou negativamente na vida de uma pessoa.
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Fase David Michelinie

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Criativamente falando, David Michelinie foi um dos maiores contribuidores do universo aracnídeo até hoje, criando algumas das histórias mais legais do personagem. O autor foi responsável pelo casamento de Peter e Mary Jane e escreveu toda a fase subsequente, criando personagens icônicos e marcantes para a mitologia do Aranha, como Venom e Carnificina. Um dos pontos altos da fase Michelinie é a sutileza e propriedade com que o escritor trabalha o casamento de Peter e MJ, desde as situações atípicas pelo fato do marido ser um super-herói, passando por situações mais comuns que todo casal está sujeito, como esfriamento na relação e decisões que afetam o companheiro, como quando Mary Jane começa a fumar alegando stress pela vida dupla de Peter.
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Meu Melhor Inimigo

10 - Meu Melhor Inimigo
Mais uma de J.M. DeMatteis (um dos melhores escritores a trabalhar com o Aranha) novamente acompanhado de Sal Buscema nos desenhos e novamente desenvolvendo o conflito entre os ex-melhores amigos Peter Parker e Harry Osborn. Essa história, publicada em The Spectacular Spider-Man #200, marca a conclusão épica dos encontros e desencontros dos personagens, que estavam sempre oscilando entre amigos (quando Harry estava sob controle) e inimigos mortais (quando o jovem Osborn deixava-se dominar pela loucura do Duende Verde). Após uma nova crise, Harry e Peter travam uma última batalha mortal, onde o Duende acaba morrendo após uma emocionante despedida ao seu melhor amigo\inimigo.
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Carnificina Total

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Na década de 90, os simbionte se tornaram uma verdadeira febre entre os leitores, que consumiam avidamente qualquer história onde eles aparecessem. Assim, tivemos um verdadeiro vendaval de participações e arcos com Venom, Carnificina, e outros simbiontes derivados. Mas o auge do negócio foi na megassaga Carnificina Total, em que o vilão foge do sanatório com mais alguns malucos e forma uma “família” (onde ele é o pai, vejam só que locura) que aterroriza Nova York e o Homem-Aranha. O herói se vê então obrigado a se aliar a ninguém mais ninguém menos que o próprio Venom em determinado momento da história, além de outros heróis, claro, como toda megassaga que se preze. A história fez tanto sucesso na época que recebeu um jogo de vídeo-game para Mega-Drive e Super Nintendo.
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A Saga da Clone

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Ah, a famigerada Saga do Clone. Odiada por uns, criticada por outros, amada por pouquíssimos. O fato é que o grande problema da saga foi sua duração. Algo que deveria ter durado poucos meses acabou se estendendo por anos a fio, sofrendo inúmeras alterações e cansando os leitores. De uma forma geral, o saudosismo fala bem alto no meu caso, e considero uma fase muito divertida do Homem-Aranha. Explicar a “trama” se faz até impossível, de tão grande a proporção que a história tomou, mas o principal é saber que Peter Parker foi clonado e que durante um (longo) tempo o seu clone esteve sendo o Homem-Aranha principal nas histórias. Enquanto Peter cuidava de sua esposa Mary Jane, que encontrava-se grávida, os leitores foram deixados com Ben Reilly, o simpático clone que acreditava ser o original.

A relação de Peter e Ben era muito divertida nas histórias, com os dois se tratando como primos perante a sociedade e conversando como irmãos. A amizade dos dois era interessantíssima de se ler, e nunca Peter Parker teve uma amizade tão bem trabalhada nas HQs, nem mesmo com Harry Osborn ou Flash Thompson. Até hoje Ben Reilly é um personagem querido (mesmo por quem não gosta da Saga do Clone em si) e deixou saudades.
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Fase J. Michael Straczynski

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Quando J. Michael Straczynski assumiu os roteiros do Homem-Aranha, o personagem vinha amargando uma péssima fase, com histórias pouco criativas e sem nada a dizer durante anos. Então, aliado a John Romita Jr nos desenhos, Straczynski deu uma cara nova às histórias e um sopro de criatividade que o herói estava precisando. Com conceitos interessantes como Peter Parker professor de química no ensino médio, uma explicação mística para os poderes do personagem, e um status quo onde a Tia May descobre a identidade secreta de seu sobrinho, o escritor colocou a revista de volta no topo, trazendo a curiosidade dos leitores.
A primeira metade da fase de JMS à frente do cabeça de teia traz ótimas histórias como De volta ao Lar (que introduz o vilão vampírico Morlun) e A Conversa (onde Tia May e Peter falam abertamente sobre seu segredo), e ainda que depois o escritor tenha perdido a mão com a péssima O Outro e a horrivelmente desnecessária Pecados Pretéritos (que “revela” que Gwen Stacy traiu Peter com Norman Osborn engravidando de gêmeos), a fase de Straczynski ainda se faz interessante pelo padrão elevado das histórias iniciais.

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Caído Entre os Mortos

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Durante a fase de Straczynski na revista principal, o genial escritor Mark Millar teve a chance de trabalhar com o Homem-Aranha em um outro título do herói aracnídeo pelo selo Marvel Knights e O resultado foi uma das melhores histórias do personagem neste século. Na história, Tia May é sequestrada, e Peter precisa correr contra o tempo para descobrir o que aconteceu com ela, ao mesmo tempo em que se aprofunda em uma trama que vai acabar o colocando contra vários de seus vilões ao mesmo tempo. Com ótimas participações de antagonistas como Venom e Duende Verde, a HQ é divertidíssima e sua narrativa traz a sensação de estar assistindo um ótimo filme. E por falar em Venom, é aqui que o simbionte se une a Mac Gargan, o criminoso outrora conhecido como Escorpião.

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Guerra Civil

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Guerra Civil é outra saga que não é focada exclusivamente no Homem-Aranha, mas cujo impacto na vida do personagem faz com que sua leitura seja essencial. Isso porque foi o personagem foi um dos mais afetados pelo evento, ao ter revelado sua identidade secreta em rede nacional como forma de apoio à Lei de Registro. O interessante do período Guerra Civil é acompanhar não apenas o acontecimento em si, que ocorre dentro da mini principal, mas também as repercussões trabalhadas dentro da revista do herói, na época ainda sob o comando de J. Michael Straczynski. Dessa revelação surgiu o controverso arco Back in Black (onde a Tia May leva um tiro e Peter volta a usar o uniforme negro para caçar o mandante) e a polêmica Um Dia a Mais, na qual Peter faz uma pacto com Mefisto (o demônio, o diabo, o coisa-ruim, o cramunhão) para que ele salve sua tia e faça com que as pessoas esqueçam que ele é o Aranha. Em troca, o diabão pede que seu casamento com Mary Jane seja apagado da existência.

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Um Novo Dia

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Novamente solteiro. com identidade secreta de volta, e morando com a Tia May, a fase Um Novo Dia foi a tentativa da Marvel de rejuvenescer o personagem na marra, buscando recuperar o espírito das clássicas histórias do aracnídeo. O problema, é que é um pouco difícil aceitar um trintão morando com a tia e agindo como um moleque, principalmente com oscom os fãs ainda revoltados com a solução pífia encontrada pelos editores em Um Dia a Mais.
Porém, contando com um time de roteiristas composto por nomes como Mark Waid, Dan Slott, Zeb Wells e Marc Guggenheim, a fase acabou sendo um novo sopro para o cabeça de teia, e trouxe boas histórias e conceitos interessantes. Além de novos vilões como Sr Negativo, Monstro e Ameaça, ainda que eles não tenham conseguido cair nas graças do público.
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Um Momento no Tempo

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Quando Peter Parker fez o pacto com o demônio Mefisto, houve uma espécie de salto cronológico na história, já mostrando o herói vivendo sua vida sem Mary Jane e com as pessoas simplesmente sem saber sua identidade secreta, revelada em Guerra Civil. Somente muito tempo depois, na saga Um Momento no Tempo, é que o editor-chefe da Marvel Joe Quesada decidiu contar a história do que aconteceu nesse meio tempo.

A história, narrada em dois pontos diferentes (passado e presente) revela que na verdade Peter Parker não chegou a tempo no dia de seu casamento, mas que ele e Mary Jane moraram juntos. Ou seja, só o ato do matrimônio foi apagado mesmo. Quanto a sua identidade, Peter foi ajudado pelo Dr Estranho e por Tony Stark a fazer uma mágica tecnológica (?) que fez com que todos esquecessem quem é a pessoa debaixo da máscara.
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Fase Dan Slott

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Quando a Marvel encerrou a fase Um Dia a Mais e iniciou uma nova era para o Homem-Aranha intitulada de Big Time, coube ao roteirista Dan Slott a responsabilidade de guiar sozinho as histórias do Amigão da Vizinhança. A fase de Slott vem sendo um das melhores que o personagem já teve, mantendo sempre a revista no topo das mais vendidas nos EUA. O roteirista trouxe diversos conceitos interessantes como Parker trabalhando finalmente como cientista nos laboratórios Horizonte, um casamento para a Tia May com o pai de J.J. Jameson que tornou a personagem bem mais interessante, e colocou o próprio Jameson não mais como editor do Clarim Diário, mas sim como prefeito de Nova York! Um dos pontos altos de Dan Slott é o seu vasto conhecimento de toda a cronologia e mitologia do aracnídeo trabalhando muito bem tantos os coadjuvantes antigos quantos os novos.
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O Homem-Aranha Superior

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Criação de Dan Slott, Homem-Aranha Superior é uma das fases mais polêmicas do herói, e que acabou se revelando como uma das mais divertidas que o personagem já teve, apesar de sua premissa no nível controversa. Na trama, após anos de vilania que acabaram por desgastar o seu corpo lhe trazendo uma doença terminal, o Dr Octopus decide pôr em prática o seu mais ousado plano… trocar de mente com Homem-Aranha. Inicialmente decidido apenas a roubar a vida do herói para deixá-lo definhando, Otto mudou de ideia ao compartilhar os pensamentos de Parker e aprender a dura lição de que com grandes poderes vem grandes responsabilidades, revisitando mentalmente todas as tragédias sofridas pelo herói.

O Dr. Octopus decide então que não vai apenas ser um herói, mas sim um herói melhor. Um Homem-Aranha Superior. Confira a fase na Coleção Nova Marvel da Panini (clicando aqui).
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Spider-Verse

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Também escrita por Dan Slott, Spider-Verde é a saga mais recente do Homem-Aranha, tendo sido concluída a pouquíssimo tempo nos EUA. Na história, que acaba funcionando como uma grande homenagem ao herói, vemos várias versões do Homem-Aranha já concebidas na cultura pop advindos de múltiplas realidades para conter a ameaça de Morlun, que agora ressurge com sua família vampírica.
A saga foi muito elogiada lá fora e apresentou pela primeira vez o conceito da Spider-Gwen, personagem que foi muito bem recebida e já ganhou o carinho dos fãs, chegando ao ponto da Marvel conceber sua própria revista mensal.
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Homem-Aranha Ultimate

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Tendo seu surgimento no ano 2000 com roteiro de Brian Michael Bendis e desenhos de Mark Bagley, O Homem-Aranha marcou o início da linha Ultimate, destinada a recontar as origens de alguns dos heróis mais famosos da Casa das Ideias de uma forma mais moderna e que o leitor pudesse acompanhar sem o peso de anos de cronologia. Contando com um Peter Parker de 15 anos de idade, muito drama adolescente, novas origens para os vilões, e histórias brilhantemente bem escritas, Ultimate Spider-Man é uma das melhores versões do cabeça de teia, e bem que merecia um tratamento melhor aqui no Brasil, em uma linha Deluxe. Até porque, o próximo Homem-Aranha do universo cinematográfico Marvel promete ser bastante influenciado por essa versão.

 

 


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