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Em 2019, Vingadores: Ultimato atingiu impressionantes US$ 2,7 bilhões, consolidando a era dourada dos filmes de super-herói. Era um tempo em que praticamente todo lançamento da Marvel ou da DC tinha potencial para se tornar um fenômeno global, ultrapassando facilmente a marca do bilhão.
Mas 2025 nos apresenta uma realidade inédita: nenhum filme de super-herói alcançou a barreira do bilhão. Superman, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, Thunderbolts e Capitão América: Admirável Mundo Novo fizeram números respeitáveis, mas ficaram abaixo das expectativas e, em alguns casos, longe do retorno histórico de blockbusters anteriores.
O que mudou? Estamos diante de uma simples flutuação ou de uma transformação estrutural no gênero? Ou Seria esse o fim da era do bilhão?
A ausência de um filme de HQ bilionário em 2025 não é mera coincidência. Alguns fatores ajudam a explicar o cenário:
- Fragmentação de público: espectadores divididos entre cinema, streaming, redes sociais e videogames.
- Saturação de narrativas interconectadas: universos expandidos demais, que exigem acompanhamento constante.
- Excesso de franquias e personagens secundários: filmes como Thunderbolts não têm apelo de público massivo, apesar da marca Marvel.
A consequência é clara: os ingressos de cinema não voam mais como antes, mesmo com franquias consolidadas.
Alguns analistas apontam ainda para um quarto fator: a fadiga do público diante do excesso de lançamentos. Desde 2018, fomos constantemente bombardeados por filmes e séries interligados, criando uma carga cognitiva para o acompanhamento.

E qual o papel do streaming?
O streaming agravou esse quadro. O lazer, especialmente no Brasil, ainda tem um custo elevado, e plataformas como Disney+, HBO Max, Amazon e Netflix se tornaram concorrentes diretos do cinema.
Se antes levava anos para que um filme chegasse às locadoras, hoje, em menos de um mês após sair das telonas, ele já pode estar disponível em streaming. O público aprendeu a esperar.
A crise dos roteiros
Outro ponto crucial — e pouco comentado — é a qualidade dos roteiros. No passado, Hollywood seguia um processo rigoroso: roteiristas submetiam scripts, que eram avaliados, rejeitados, ajustados e reavaliados inúmeras vezes antes de ganhar sinal verde.
Hoje, o processo parece invertido. Primeiro vem a ideia ou a data de estreia, e só depois o roteiro. O exemplo mais claro é Vingadores: Doomsday, em produção enquanto o script ainda é revisado, algo confirmado pelo próprio Kevin Feige, presidente da Marvel Studios. Wyatt Russell (o Agente Americano em Thunderbolts) revelou em maio que sequer tinha recebido o roteiro do filme.
James Gunn também soou o alarme:
“A indústria do cinema está morrendo.”
Segundo ele, a pressa em lançar filmes com roteiros incompletos mina a qualidade do produto final.
O preço da pressa
O resultado desse modelo é previsível: filmes com trailers visualmente apelativos, mas roteiros rasos, fracos ou medíocres. O público sai decepcionado, e a confiança no cinema de heróis se desgasta.
Ninguém gosta de gastar dinheiro — e tempo de vida — com uma obra malfeita, ainda mais quando lembramos das produções incríveis que tivemos não faz muito tempo.
O que nos faz chegar a conclusão de que talvez o problema não esteja no desgaste dos super-heróis, mas na pressa dos estúdios em transformá-los em produtos de calendário. Heróis continuam populares, o que falta são boas histórias — e tempo para que elas sejam bem contadas.
Se o bilhão não vier, que ao menos venha o resgate daquilo que sempre fez o público acreditar em heróis: a sensação de sair do cinema inspirado, emocionado e com vontade de voltar para assistir de novo.
Texto escrito por Iuri Nunes