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Cerca de 30 anos depois da trilogia clássica de Mad Max, que mudou a forma de como se retratar distopias no cinema, o cineasta e criador desse universo, George Miller, retorna as raízes para mais uma aventura no mundo dominado pela loucura.

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Na trama, Immortan Joe(Interpretado por Hugh Keays) tem suas parideiras (Mulheres que servem apenas para os fins reprodutivos de Joe por serem perfeitas em meio a um mundo repleto de deformes e mutantes pelas ações radioativas do futuro distópico) fogem com o auxilio da personagem Imperatriz Furiosa (Interpretada magistralmente por Charlize Theron) tal fuga causa a ira do ditador que imediatamente envia toda sua frota de loucos e suicidas para recuperar as reprodutoras raptadas, em meio a isso Max Rockatansky (Interpretado por Tom Hardy) é levado para servir de bolsa de sangue para um dos pilotos, Nux (Interpretado por Nicholas Hoult) .

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É até difícil saber por onde começar quando se trata desse filme, então darei partida pelo ponto que todos já devem ter enjoado de ouvir: a ação. O filme tem uma ação que é simplesmente inacreditável em todos os sentidos, tanto lógico quando visual, mas são orquestrados de tal maneira e cuidado que você compra o que está vendo. A obsessão do diretor em efeitos práticos faz com que nada no longa pareça plástico, e até mesmo as sequencias em que é mostrado um psicopata cego tocando uma guitarra que atira fogo em cima de um caminhão no meio de uma caçada, é algo absurdo, mas todo o contexto e forma de como é filmado e dirigido, não só faz daquilo algo orgânico e crível, quanto é uma das melhores partes do filme. Os solos envenenados junto das batidas tribais da trilha sonora causam um arrepio que oscila entre o medo e a sensação de ser uma das coisas mais legais que o cinema contemporâneo nos proporcionou, além de ser uma aula para filmes de ação atuais, pois em momento algum é utilizada a câmera tremida e confusa adotada pela maioria dos diretores dessa nova safra hollywoodiana, tornando tudo perfeitamente claro.

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Agora partindo para a parte de desenvolvimento de personagens, alguns podem pensar que em meio a tantas catástrofes e ação avassaladora, faltaria espaço e tempo para um bom trabalho com os protagonistas, ledo engano, pequenos gestos e ações conseguem cativar o espectador ao personagem em questão de segundos, a começar pela personagem de Charlize Theron. Com exceção do filme “Monster” essa é a melhor interpretação de sua carreira, o olhar dela perante aquela paisagem de areia infinita reflete seu desejo de encontrar esperança em um mundo dominado pela insanidade, e todas suas sequencias quebram completamente o clichê comum nesses filmes da “moça em perigo”,  muito pelo contrário, é ela que coordena os planos para que tudo dê certo, e o desejo dela de salvar aquelas mulheres violentadas e aprisionadas para serem apenas objetos sexuais de um tirano louco, é o coração da trama. Há muita simbologia presente relacionada as ideologias feministas, mas em momento algum isso se torna algo apelativo ou didático.

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O Personagem de Max também tem seus momentos, apesar de não ser o foco principal da trama, mas entendo a decisão, já tivemos três filmes focados no personagem, era tempo de dar espaço para novos e cativantes personagens, mas não é por isso que ele se torna dispensável, muitas de suas ações são cruciais para a trama, e finalmente vemos os traumas do primeiro filme da franquia refletidas nos atormentados delírios de Max. Tom Hardy faz um trabalho competente, apesar de ainda não ter superado a presença e carisma de Mel Gibson na pele de Rockatansky.

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Nux é a maior surpresa do longa, o ator Nicholas Hoult tenho que admitir que de todos filmes que vi com ele presente achei a atuação medíocre, mas nesse filme ele se superou, provavelmente pela capacidade do diretor de imergir os atores na atmosfera da trama, de qualquer forma, o personagem tem um belo desenvolvimento, e serve para representar uma critica social importantíssima tratada no longa, a adoração cega a lideres religiosos. Immortan Joe é venerado como um Deus (Graças a sua posse de água, outra clara mensagem do diretor perante o desperdício que causamos todos os dias de tal bem). Nux é o mais fanático por ele, isso é mostrado magistralmente quando vemos sua felicidade pelo simples fato do Tirano ter olhado para ele, mas durante a odisseia automobilística de George Miller vemos o redescobrimento de seus ideais.

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O vilão “Immortan Joe” é genuinamente ameaçador, e isso é o necessário para um bom vilão, trazer a sensação de desconforto ao telespectador. Além disso, o filme também traz um pouco da atmosfera do cinema de ação oitentista, repleto de frases de efeitos que já nascem clássicas, como por exemplo as tão comentadas frases “Testemunhem”, “Não se viciem na água” e “Luto, morro, amanhã viverei de novo”.

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Os aspectos técnicos também são fenomenais, a edição de som e de imagem é impecável, mantendo o ritmo do filme constante e impedindo que ele se torne enjoativo, os tambores ressoam e logo corta para uma palinha na guitarra flamejante, seguida por uma explosão alucinada em meio a uma tempestade apocalíptica, e tudo é apreciado com total entendimento e sonoridade impecável, além é claro da fotografia e visuais que dão todo o estilo e originalidade a película de Miller.

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Concluindo, Mad Max: Estrada da Fúria é uma escola para os filmes de ação que virão, além de um ótimo roteiro repleto de criticas sociais válidas e pertinentes, boas atuações, com fotografia, visual e aspectos técnicos em geral simplesmente perfeitos, sem dúvida um blockbuster que deve ser apreciado por todos no cinema mais próximo, imperdível!


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