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Com O Agente Secreto (2025) no centro da discussão sobre o Oscar, 2025 se provou mais um ano muito forte para o cinema brasileiro. Aproveitando esse momento, fiz uma lista com os 7 melhores filmes brasileiros do ano, considerando a janela de distribuição comercial.

Destaco que os três primeiros desta lista também são os meus três filmes favoritos do ano no geral. Confira:

7º Baby

Os 7 melhores filmes brasileiros de 2025
Reprodução/Vitrine Filmes

Abandonado pelos pais, um jovem homossexual de 18 anos chamado Wellington (João Pedro Mariano) é libertado de um centro de detenção juvenil e fica jogado à própria sorte nas ruas de São Paulo. Nesse tempo, ele conhece um garoto de programa chamado Ronaldo (Ricardo Teodoro) e vive um romance turbulento com ele.

Dirigido por Marcelo Caetano, Baby (2025) é um drama que explora com crueza a vulnerabilidade e os laços afetivos inesperados surgidos no submundo urbano. A narrativa densa evita clichês ao explorar as tensões de poder e afeto, e a busca por novas formas de família e dignidade em um cenário social nada acolhedor. No filme, São Paulo é um cenário opressor e sensual. Para todos os efeitos, é como se fosse uma São Paulo de Wong Kar-Wai.

6º A Praia do Fim do Mundo

Reprodução/Sereia Filmes

Na fictícia cidade de Ciarema, o avanço do mar tem destruído casas e desabrigado famílias, gerando um cenário de nítida degradação ambiental. Helena (Marcélia Cartaxo), doente, idosa e apegada às memórias, se recusa teimosamente a deixar a casa da família, à beira-mar, mesmo com ela sendo constantemente castigada pelas ressacas. Alice (Fátima Macedo), a filha de Helena, por sua vez, deseja desesperadamente que a mãe se mude para que ambas possam seguir em frente.

Há quem comece a resenhar A Praia do Fim do Mundo (2025) apontando similaridades com O Farol (2019), de Robert Eggers. Não acho injusto, pois os filmes, de fato, se assemelham pela forma como flertam com o surrealismo do horror, trabalhando a luz no preto e branco. Além disso, ambos utilizam o isolamento para intensificar o drama.

Eu prefiro destacar Petrus Cariry como um cineasta com uma visão única sobre o espaço da tela. O diretor cearense utiliza a imensidão do oceano e da areia para traduzir um horror existencial e ambiental vasto.

Em A Praia do Fim do Mundo (2025), o mar não é apenas uma ameaça; ele é uma alegoria viva e incessante que, ao invadir a casa, engole o passado e força as suas protagonistas a confrontarem o vazio do futuro. A tela, assim, expõe o destino, colocando o drama intimista de mãe e filha em contraste com a força implacável e avassaladora da natureza que está retomando o que é seu.

5º O Último Azul

Reprodução/Vitrine Filmes

Em um Brasil distópico, o governo transfere idosos para uma colônia habitacional obrigatória. Tereza (Denise Weinberg), uma mulher de 77 anos, recebe a ordem para cumprir esse exílio compulsório. No entanto, antes de partir, ela embarca em uma jornada pelos rios da Amazônia para realizar um último desejo que pode mudar seu destino para sempre.

O Último Azul (2025), de Gabriel Mascaro, é uma distopia poética que se destaca pela sua potência simbólica e tratamento de imagem. Através de uma atmosfera azulada e etérea, o filme transforma a jornada de Tereza em uma alegoria sobre a liberdade, a recusa à irrelevância social e a busca pela dignidade em um país em eterna remediação.

4º Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa

Reprodução/Paris Filmes

O progresso está chegando à Vila Abobrinha, mas quem pediu por ele? Chico Bento (Isaac Amendoim) e seus amigos descobrem um plano maquiavélico para a construção de uma nova estrada de asfalto, que, para ser feita, exige que a Goiabeira Maraviósa do Nhô Lau (Luis Lobianco) seja derrubada. Essa árvore, que é mais do que uma fonte de frutas deliciosas, representa a história, a memória e o coração da comunidade, e Chico não vai aceitar que a destruam quieto.

Para saber o que falar sobre o cinema brasileiro, é preciso reconhecer a sua história. O Brasil de Nelson Pereira dos Santos e Eduardo Coutinho é também o Brasil de Mazzaropi e dos Trapalhões. É nesse braço da comédia que Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa (2025) se apoia com tanto louvor. O longa-metragem da MSP é um divertido filme sobre memória e preservação ambiental que exala artesanato e o afeto da equipe criativa em cada quadro. Além disso, poucas escolhas de elenco nesse universo da Mônica foram mais felizes que a de Isaac Amendoim como Chico Bento. O garoto é carisma puro.

3º Os Enforcados

Reprodução/Paris Filmes

Valério (Irandhir Santos) perde o pai e é obrigado a voltar de Miami para o Rio de Janeiro, pois precisa assumir a sua herança no império do Jogo do Bicho. Afogado em dívidas familiares, ele e sua esposa planejam um golpe final para mudar de vida de uma vez por todas. Esse golpe final, no entanto, vai sendo postergado a cada crime cometido pela dupla, o que os deixa cada vez mais paranoicos e violentos.

Inspirado na tragédia de Macbeth, Os Enforcados (2025) é uma comédia de erros que oferece uma sátira mordaz sobre o poder destrutivo da ambição. As atuações diabólicas de Irandhir Santos e Leandra Leal conduzem um espetáculo em que o mal se manifesta através da indiferença. A trama prende completamente o espectador pela atmosfera primorosa construída pelo diretor Fernando Coimbra (Perry Mason; O Lobo Atrás da Porta).

2º Oeste Outra Vez

Reprodução/O2 Play

No sertão de Goiás, dois homens rústicos e brutos se afundam na violência após serem abandonados pela mesma mulher.

Oeste Outra Vez (2025) é um faroeste de Erico Rassi que disseca a masculinidade como uma “jaula invisível” tecida pelo orgulho e pela solidão. Em um universo intencionalmente abandonado pelo toque feminino, Rassi impõe um tom arcaico, seco e cheio de poeira, aproveitando-se do vazio e do deserto para criar uma atmosfera sufocante.

É através da densidade atmosférica, e não da violência gráfica explícita, que reside a verdadeira força do filme, construindo uma tensão palpável que fala mais alto que qualquer tiro.

1º O Agente Secreto

Reprodução/Vitrine Filmes

No Brasil de 1977, um pesquisador se muda de São Paulo para o Recife buscando se reconectar com as suas raízes. O refúgio, contudo, se transforma em pesadelo quando ele descobre que uma sombra do passado está vindo à sua procura.

O Agente Secreto (2025) é um thriller atmosférico e hipnótico, que usa a sombra da ditadura para explorar a resiliência e a teimosia do “jeitinho brasileiro“. A obra navega entre suspense, body horror, espionagem e comédia sombria, apoiando-se em referências que vão de John Carpenter a Cabra Marcado Para Morrer (1984).

No melhor filme do ano, o diretor Kleber Mendonça Filho entrega uma pungente história sobre memória e persistência, que vai ecoar por muito tempo no imaginário das pessoas do mundo todo quando o assunto for a memória do Brasil.

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