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Death Stranding pode muito bem ser considerado como o melhor game dos últimos anos. Talvez eu esteja me antecipando, mas creio que não dá para começar o review de forma diferente. Pois bem, vamos aos fatos:

Desde sua misteriosa revelação até sua conclusão emocionante, que entrega um verdadeiro turbilhão de sentimentos, Death Stranding faz aquilo que Hideo Kojima promete e traz uma revolução para os jogos. O título é um retorno do lendário game designer/diretor/roteirista para o mercado e supera todas as expectativas em diferentes frentes. O jogo utiliza mecânicas e designs já pincelados em outras franquias e adiciona um trabalho que acaba criando algo totalmente novo, difícil de classificar e mais complicado ainda de explicar.

Hideo Kojima age como um mágico, um verdadeiro mestre do entretenimento. Este é um jogo que todos deveriam jogar, mas que poucos saberão saborear. Mais do que um jogo de ação, Death Stranding é um game que te força a pensar até nas pequenas coisas: o trabalho de um entregador pode parecer algo bem simples, cotidiano, mas além de todo esforço físico e energia envolvida do personagem, o jogador terá que organizar a carga que levará, definir a rota para evitar perigos e contratempos e assegurar a integridade dos recipientes. A tarefa pode até parecer fácil, mas você fará isso enquanto tenta reconectar a América e enfrentar ameaças sobrenaturais.

Jogos de mundo aberto são trabalhosos, por assim dizer. Eles exigem que o jogador se esforce mais do que o normal, é necessário se dedicar. E Death Stranding traz uma realidade tão instigante que dá vontade de passar horas mergulhado nela. O game pode parecer lento no começo, embora traga uma abertura impactante. O jogo causará estranhamento em muitos, já que parecerá que sua função é ‘apenas’ entregar pedidos e explorar o mapa. Se ainda fosse apenas isso, o jogo já seria um modelo interessante e contemplativo. Mas Hideo Kojima aproveita o jogo para discutir temas como morte, laços, conexões, política e religião. Pode parecer falácia, mas há diferentes camadas para ler este jogo. Sim, desde que foi anunciado, Kojima dá declarações que mostram que a proposta do jogo sempre foi bastante ambiciosa, ele, por vezes, citou a criação de um novo gênero: o Strand Game.

Em Death Stranding, a mecânica que muitos julgavam igual ou similar com o que vemos em Dark Souls, se mostra realmente única: Primeiro, você irá explorar um território, depois, você realizará a missão principal. Quando isso for feito, caso você esteja jogando online, o mapa passará a receber itens, mensagens e construções de outros jogadores. Nada acontece em tempo real. As alterações demoram um pouco para chegar até você, mas aí quando você passa por um lugar que achava que tinha sido um desbravador, percebe que outros jogadores também tiveram a mesma ideia e deixaram sinais disso. Tudo é bem vindo, afinal, isso facilita sua passagem e progressão no jogo. Os itens deixados por outros jogadores são sempre aproveitáveis e as construções trazem verdadeiras benfeitorias para o mundo do jogo. A permanência da construção dependerá da quantidade de likes que receber.

No início, a complexidade e a beleza do game não ficarão evidentes para o jogador. Sam é um herói relutante, que evita o toque das pessoas e prefere seguir sua vida sozinho. Entretanto, quando alguém que ele ama se torna refém de um terrorista, ele parte em uma missão para resgatá-la e, durante a viagem, ele terá que reconectar a América, para que se torne um país novamente. O jogo começa de fato e você não tem uma real noção do seu propósito, mas você receberá instruções, como se fosse um novato. A história levanta mais perguntas do que respostas e o mistério acaba se tornando muito maior do que parecia de início.

As respostas virão, mas para isso você precisará se conectar com outros personagens durante a campanha. Qualquer entrega conta: você pode encontrar itens perdidos, deixados por outros portadores e devolver aos seus verdadeiros donos, isso aumentará sua conexão com eles, recompensando o jogador com itens e informações sobre o mundo de Death Stranding. 

Kojima consegue acertar em vários pontos já explorados por outros jogos, inclusive os da franquia Metal Gear. Entretanto, talvez peque no ritmo lento que impõe ao jogador durante a aventura. Algumas idas e vindas são obrigatórias, entendo o sentido delas, mas causa uma certa frustração potencializada pela sede de descobrir mais detalhes sobre a história. Explico: Death Stranding é um game com um roteiro realmente incrível, que te deixará interessado, mas que é contado com alguns bons intervalos de momentos comuns.

O jogo traz belas paisagens que são acompanhadas por uma trilha sonora meticulosamente selecionada por Kojima. Em certos momentos, não dá para dizer que se trata de uma foto ou realmente uma criação da engine. Sam precisa atravessar todo tipo de terreno e clima – desde vales verdejantes até montanhas nevadas, sempre repletas de muitos obstáculos, pedras, inimigos e a chuva temporal – talvez seja um dos principais desafios do jogo. Embora a chuva não cause nenhum tipo de dano direto ao protagonista, ela deteriora a sua carga e todas as construções feitas pelo jogador. Isso faz com que suas adições acabem sumindo, caso não sejam atualizadas. Além de estar geralmente associada à presença de EPs, seres vindos do outro lado, que te atacam e tentam te levar para a morte.

De certo modo, o jogo possui um tom de uma grande produção cinematográfica ou uma série de sucesso de um serviço de streaming. Claro que o elenco de estrelas ajuda, mas em um tempo em que as pessoas se importam mais com a tecnologia do que a história, Death Stranding mostra o quanto a segunda é importante e como é bom mergulhar em mundo com uma lore desenvolvida e bem amarrada. Sim, o grande destaque de Death Stranding está nas diferenças que ele apresenta. Cada minuto de caminhada é bem aproveitado, embora exista a reclamação já citada, você fica imerso naquela região e teme não apenas pela integridade da sua carga, mas pelo bem estar dos arredoresl, que pode sofrer uma obliteração caso Sam seja vencido pelas EPs. 

Sim, Sam Bridges é praticamente um ser imortal, ele possui DOOMs, uma mutação que permite que ele seja um repatriado. Mesmo que ele morra, ele consegue retornar ao seu corpo, algo que cai muito bem para um protagonista de um jogo. Entretanto, lembre bem do ‘praticamente’, isso faz diferença. O mundo de Sam também está repleto de distrações que irão te ocupar antes de completar a missão principal. Enquanto ele explora, ele conta com a ajuda do inseparável BB, uma criança fofa e bastante cheia de expressão, ainda que não solte uma palavra. Em Death Stranding, você é recompensado por errar, experimentar, explorar e aprender. Foram inúmeros momentos em que me senti orgulhoso de minhas ações no jogo. 

death stranding

Entretanto, também existem algumas regras para se seguir. Você não pode cansar demais seu personagem, carregar mais peso do que aguenta, atravessar rios profundos, tentar escalar uma pedra quase que vertical. Para vencer tais limitações, você contará com diversos itens como escadas, ferramentas de escalada, exoesqueletos, armaduras e muito mais. O jogador aprende a respeitar seus limites e suprir suas necessidades (inclusive as fisiológicas). O jogo também conta com uma boa variedade de armas, letais e não letais (use com cuidado). Em momentos de dificuldade extrema, é bom estar sempre preparado com um pequeno arsenal, que pode ser carregado nas suas costas ou em um pequeno trator.

Há também vários itens colecionáveis, pontos e informações para explorar. Basicamente, quanto mais se joga, mais se aprende sobre o jogo e sobre o que aconteceu com o seu mundo. O que posso dizer é que ninguém jogará Death Stranding da mesma maneira, ainda que você siga o mesmo caminho da maioria dos jogadores, seus itens, acessórios, estratégia e modo de jogar serão bem diferentes do que seu amigo passou ou do que eu mesmo passei. Cada momento com este jogo é algo singular, único, indivisível para o jogador. 

Death Stranding

Death Stranding mostra sua linha japonesa ao se cercar de enigmas e mistérios em uma história. É na experiência do jogador que o game consegue brilhar. Desde o seu primeiro momento como Sam Bridges, a ideia é te apresentar e ensinar o básico para acompanhar a história, mas também para observar como você consegue solucionar os problemas. Não devemos esquecer que as conexões e o compartilhamento de informações são a alma do jogo. 

Por 3 semanas, gastei horas, noites, explorando cada canto do jogo e ainda sinto a necessidade de jogar novamente. Se você pensa em jogar Death Stranding, recomendo que gaste uns dias e aproveite o game como um todo. Não há como se arrepender.

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Nota 10010
Review | Death Stranding



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