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Returnal é o novo exclusivo do PlayStation 5 e já ganha um lugar de destaque na nova leva de games do console. Enquanto muitos se perguntam do que se trata o jogo, podemos dizer que estamos diante de uma poderosa versão 3D do gênero roguelike, algo que se tornou bem popular nos últimos tempos.

O jogo é estrelado por Selene e tudo que você precisa saber sobre ela é que sua nave caiu em um planeta alienígena hostil e misterioso. Lá, ela deve se equipar com tecnologia extraterrestre, explorar e sobreviver à fauna e flora do planeta. Mas, toda vez que você morre no game, Selene retorna para sua nave, com as mãos vazias, só que tudo ao seu redor está totalmente diferente. E o mais legal? Selene está ciente dessas mudanças, deixando uma clara narrativa sobre vida, morte e exploração.

Sim, Selene pode reunir itens, ganhar equipamentos e até pegar armas melhores e mais poderosas. E mesmo que você estranhe, perder tudo isso a cada nova morte é uma parte crucial do gameplay. E sim, Selene vai morrer frequentemente. O jogo espera que Selene morra. E a cada nova morte, você verá que existe um diálogo já preparado para isso. A morte de Selene é necessária para que a história funcione, o game precisa disso.

Basicamente, você começa com uma pistola e… é isso. Selene pode correr, pular, usar um impulso e também atirar. Seus inimigos iniciais são criaturas cheias de tentáculos que ficam atirando projéteis. Ao longo do tempo, ou de novas mortes, você encontrará novas ameaças e posso dizer que elas representam novos desafios. Dá pra desviar de tais ataques ou até se proteger atrás de alguns itens do cenário, como estamos falando de uma região em ruínas, temos vegetação, pedras e vários elementos diferentes no relevo do local. Aliás, em certos momentos o game também lembra um sistema de plataformas com vários locais que exigem saltos e impulsos para seguir o caminho. Cada percurso tem sua recompensa em algum ponto, desde itens de cura até upgrades para seu traje.

Mas o que mais chama a atenção no jogo é a estrutura. Enquanto você explora o ‘labirinto procedural’, dá pra encontrar armas melhores e mais exóticas. E só dá pra carregar uma vez, então, você tem que escolher bem qual arma vai usar. Geralmente, eu levo em conta os efeitos secundários da arma, tais como ‘Ricochete’, que funciona bem para meu estilo, já que os projéteis acabam acertando mais inimigos durante minha movimentação. Há também upgrades de vida, modificadores para armas e até efeitos positivos e negativos para o traje de Selene (que podem ser curados, mas que também são divertidos).

O jogo também conta com dois recursos interessantes, um que desaparece após cada morte e você só vai poder usar na run em que está jogando e o Éter, que não é removido. Com o Éter, você consegue purificar artefatos e conseguir grandes benefícios ou pode usar para ‘curar’ avarias do traje (que geralmente causam efeitos negativos para você, tal como reduzir o dano da sua arma se você ficar parado). Ainda que o Éter dure após sua morte, os artefatos e avarias desaparecem com ela, então, usar o Éter tem seu próprio risco e você sempre vai se perguntar se vale a pena arriscá-lo naquela determinada tentativa.

Aliás, este constante pensamento entre risco e recompensa de Returnal é um dos melhores pontos do jogo. Há sempre a chance de conseguir itens sensacionais dentro do percurso, mas você precisará se arriscar bastante para isso, vencendo inimigos poderosos ou conseguindo alcançar os locais mais difíceis através dos saltos. Há também máquinas espalhadas no local, que curam sua personagem ou melhoram seus equipamentos, mas elas nunca estarão no mesmo lugar.

Ao lado do gameplay, temos a história de Returnal, que é um dos principais e mais fortes pontos do jogo. Entenda que o constante ciclo de vida e morte de Selene é a essência do jogo. E a própria personagem percebe isso ao encontrar seu próprio corpo logo no início do game.

O jogo usa pequenos fragmentos de áudio deixados pela própria Selene em ‘tentativas’ anteriores ao seu começo no game. E isso adiciona um fator de mistério. A missão de Selene é rastrear um sinal naquela área, mas por qual motivo? O que faz com que ela retorne sempre? Quando este ciclo começou? Há quanto tempo ela está nele? Existe um fim? Um jeito de escapar? Para quem gosta de filmes de ficção científica, já deve ter conferido algo assim em histórias de loops temporais, então, posso dizer que Returnal faz um excelente uso desta ideia.

Como o mapa de Returnal é gerado de forma procedural, a morte de Selene faz com que o mapa se altere profundamente a cada nova tentativa. E isso acaba desbloqueando novos fragmentos da história, já que os áudios aparecerão em diferentes pontos do mapa, podendo estar bem na porta… ou não. Quando você recomeça seu ciclo, há sempre a chance de encontrar novos elementos da narrativa.

Também devo destacar o nível de imersão do jogo. A combinação do uso do DualSense e seu feedback tátil com a tecnologia de Áudio 3D faz com que a experiência seja quase indescritível, basicamente é um dos melhores casos de imersão que já tive o prazer de jogar. E isso faz total diferença dentro deste jogo, já que tudo tem um peso na sua aventura. Returnal é, sem dúvida, o primeiro grande jogo de nova geração com carregamentos super rápidos e transições praticamente imperceptíveis, mostrando o real poder do PlayStation 5.

Returnal é um jogo desafiador, inteligente e instigante. Possivelmente, este é o game que qualquer fã de roguelike sempre sonhou. Ainda que seja punitivo, ele é divertido e cativante e duvido que você consiga parar de jogar após passar pela sua primeira tentativa. No fim, estamos diante de mais um belo exclusivo do PlayStation e que deve conseguir reunir uma grande e nova legião de fãs para o gênero.

Positivo
  • O sonho de qualquer fã de roguelike
  • Ótima trilha sonora
  • Muita imersão
  • Visuais incríveis
  • Jogabilidade instigante e narrativa inteligente
  • Um verdadeiro game next-gen
Nota 10
Sou o Fundador do site Ovicio, Overplay e Muramasa. Fui idealizador e Game Designer do jogo Vencedor da DemoNight no BIG Festival 2014, o Jotunheim Project. Escolhido como Jurado do Anime Awards em 2024 e 2025. Amo games, sou fã de God of War, Dragon Quest, Fire Emblem, The Legend of Zelda e Pokémon. Coleciono livros, quadrinhos e guitarras.