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A Era de Ouro foi uma fase histórica para a Weekly Shonen Jump devido a descoberta dos mangás que dominaram os anos 90, que são Dragon Ball, Yu Yu Hakusho e Slam Dunk. Essas obras levaram a revista pra um alcance de vendas enorme e são consideradas os maiores precursores dos mangás shonen modernos.
Para fazer esse artigo, solicitamos o apoio de Leonardo Nicolin, do Analyse It, o maior site brasileiro com conhecimento sobre o mercado de mangás. Nicolin estuda sobre a história desse mercado há muitos anos, então ele é o especialista ideal para fornecer informações da Shonen Jump e qualquer outra revista do Japão.
Os lucros da Shonen Jump nos anos 90

A Shonen Jump manteve um forte engajamento com suas primeiras gerações de leitores através dos mangás que renovaram sua marca no final dos anos 70. Nessa época, os clássicos shonen de batalha e esporte começaram a ficar populares e proporcionaram muitos lucros a revista. Quando Hokuto no Ken e Dragon Ball dominaram a audiência japonesa, os mangás de ação entraram na sua Era de Ouro.
Nicolin diz: “A Era de Ouro é o período em que, sem sombras de dúvidas, a Shonen Jump alcançou o seu maior número de cópias em circulação no território japonês, com o ápice de 6.5 milhões de cópias impressas por semana em 1995. Atualmente, a revista tem entre 1.3 e 1.8 milhões se somarmos as assinaturas digitais.
Mas, nos anos 90, a Weekly Shonen Jump não tinha o alcance internacional que tem hoje, por isso é complicado dizer que é o período mais lucrativo da história. Podemos dizer que sim, o período de maior alcance nacional.”
O triunfo de Dragon Ball, Yu Yu Hakusho e Slam Dunk

Depois que Hokuto no Ken chegou ao fim, Dragon Ball ganhou dois rivais novos na Shonen Jump em 1990, Slam Dunk e Yu Yu Hakusho. Yoshihiro Togashi e Takehiko Inoue criaram histórias capazes de competir com o sucesso crescente de Akira Toriyama.
Vários leitores, editores e mangakás elogiam os três pilares pelas suas histórias e narrativas visuais excelentes. Contudo, o alto nível de consumo dos anos 90 também foi um fator importante para essa repercussão toda.
Nicolin diz: “É importante dizer que todo o mercado de revistas, não somente as revistas de mangás como a Shonen Jump, estava tendo uma grande alta durante os anos 90. Isso é uma soma de dois principais fatores, na minha opinião. O primeiro sendo um momento histórico único no qual várias gerações estavam consumindo em massa as revistas.
E o segundo motivo é a qualidade intrínseca dessas três séries, principalmente Dragon Ball e Slam Dunk, que eram considerados já na época o ápice de seus gêneros, por causa da ótima qualidade. Eles eram superiores aos mangás das demais revistas e da própria Jump. Existiam outros mangás que vendiam bem, Rokudenashi Blues era um dos mais vendidos na época, mas não tinha a capacidade de se conectar com as novas gerações como o trio de pilares.”
O fim da Era de Ouro

A Era de Ouro da Shonen Jump acabou em junho de 1996, no lançamento do último capítulo de Slam Dunk. Ainda tinham mangás populares em publicação no mesmo ano como Samurai X, Captain Tsubasa e JoJo’s Bizarre Adventure. Além disso, mangás novatos como Yu-Gi-Oh! fizeram sua estreia também, mas nenhum desses títulos conseguiram trazer o mesmo peso que o trio de ouro.
De acordo com Nicolin: “O trio veio a terminar de maneira gradual. Yu Yu Hakusho em 1994, Dragon Ball em 1995 e Slam Dunk em 1996. Os mangás que restaram na revista já eram conhecidos pelo público, e tinha um motivo exato pelo qual não eram tão populares quanto esses três: O público não tinha mais tanto interesse nessas obras. Cada um deles tem uma razão diferente, por isso não posso citar todos, mas utilizando como exemplo Jojo e Captain Tsubasa.
JoJo era uma obra que conversava mais com adultos e jovens que gostavam de narrativas alternativas, e não tinha um apelo comercial para as massas muito grandes, não conseguindo vender bem como Yu Yu Hakusho e Dragon Ball. Enquanto Captain Tsubasa era uma obra que mostrava sinais da sua idade: Os jovens achavam sua arte levemente ultrapassada e sua narrativa não tinha o elemento de “novidade” que tanto conquista uma nova geração.
A Weekly Shonen Jump é uma revista destinada a JOVENS, principalmente adolescentes, por isso é importante ela sempre estar entregando novos mangás que conversem com uma nova geração. Yu-Gi-Oh, Hoshin Engi e até Samurai X foram essenciais para manter as vendas em um nível aceitável quando o trio terminou, mas acabou sendo justamente One Piece, Naruto, Prince of Tennis e Bleach a conseguirem a renovar as estruturas Shonen e assim se conectarem mesmo com a nova geração.”
A realidade atual da Shonen Jump

Em sua realidade atual, a Shonen Jump está perto de perder os seus maiores pilares. My Hero Academia termina no próximo mês e Jujutsu Kaisen, provavelmente, vai acabar em menos de um ano. Embora o seu maior sucesso, One Piece, continue em andamento, a revista ainda precisa de novos pilares para substituir aqueles que já foram.
A tendência comum que a maioria usa para avaliar um mangá é comparar o seu nível de popularidade com algum fenômeno de vendas, como Demon Slayer ou Jujutsu Kaisen. Ou seja, se um mangá novo não atingir as mesmas expectativas dos seus antecessores, ele não deve ter nenhum potencial aos olhos do público.Porém, Nicolin esclarece que essa é uma forma equivocada de avaliar os pilares.
“Eu acredito que a Jump atual não tenha uma dificuldade maior para encontrar novos mangás, e sim que muita gente espera que os novos pilares vendam tão bem quanto os do passado. É que temos uma noção errada quando comentamos sobre vendas de mangás. Com o advento de novas tecnologias como Streaming, Jogos para Celulares e Redes Sociais, tanto os jovens quanto os adultos passaram a consumir também outras mídias, e gastarem seus dinheiros nessas novas mídias.
Para piorar, o Japão está passando por uma crise populacional no qual temos uma diminuição do número de jovens, e agora também uma diminuição geral da população.
Concluindo, o Japão também passa por um período de maior inflação com a perda do poder de compra por causa da baixa do iene (que está em seu menor patamar desde os anos 80).
É natural levando em conta todos esses fatores que os mangás atualmente em todas as revistas, seja digital ou física, tenham uma queda em vendas. A realidade é que os números alcançados no passado serão cada vez mais raros de alcançar no futuro.
Portanto, os novos sucessos como Sakamoto Days e Ao no Hako estão conseguindo alcançar ótimos resultados para a realidade atual e são pilares da revista. Mas a realidade é que não devemos mais comparar os números de vendas de hoje com aqueles antes da pandemia ou pior, de 10, 20 ou 30 anos atrás. O Japão não é mais o mesmo, o mercado não é mais o mesmo… Nem o mundo é mais o mesmo.”
Será que a Shonen Jump pode ter outra Era de Ouro?

Com o advento das plataformas digitais, talvez as editoras japonesas tenham a oportunidade de expandir suas vendas em um nível ainda maior. Nesse sentido, a Shonen Jump poderia vivenciar uma nova Era de Ouro se as suas futuras versões online conseguirem uma repercussão tão grande que vá além do Japão.
Nicolin tira a nossa dúvida dizendo: “É possível. Após a crise global no qual a Jump + e algumas rivais conseguiram crescer bastante no mercado, durante o ano de 2022, 2023 e até agora em 2024, a Weekly Shonen Jump conseguiu encontrar mais sucessos novos que os seus rivais (até mesmo os seus rivais como a Jump Plus), mostrando assim que a revista está caminhando para uma interessante reestruturação.
A Shueisha, ao mesmo tempo, está digitalizando a Shonen Jump, e conseguindo diminuir o ritmo da queda física – que continuará sempre a existir, pois o Japão é o país que mais consome jornais e revistas de papel no mundo. É algo cultural que os japoneses se orgulham. Quem já viveu no Japão sabe o quanto é apreciada a leitura em papel por todas as gerações. E, por fim, a Shueisha através de plataformas como a MANGA Plus está expandindo suas marcas pelo mundo.
Não existirá no JAPÃO uma era tão próspera quanto a Era de Ouro em vendas. Só se o Japão conseguir reverter a sua crise populacional, mas isso é um problema bem mais grave. Contudo, é possível sim que tenhamos no futuro uma era proposta no sentido internacional e mundial. Tudo vai depender da capacidade da Shueisha em se expandir por todo os continentes.”
E aí? Você curtiu o artigo? Então, deixa seu comentário aí e vamos falar sobre o futuro dos mangás.






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