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Stellaris

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Depois de terminar Dark Souls 3, passei para um jogo de um gênero completamente diferente. Comecei a jogar Stellaris, que acabou de ser lançado pela Paradox Interactive, que possui jogos como Magicka, Crusader Kings e Europa Universalis.

Stellaris é um jogo de estratégia que se enquadra tanto no gênero do Grand Strategy quanto no do 4X. O primeiro se trata de jogos que buscam lidar com todos os aspectos da guerra ou do gerenciamento de uma nação. Costumam ser bastante complicados e difíceis para iniciantes. Dentro do Grand Strategy, a série Total War é provavelmente a mais famosa, no entanto, ela acaba pegando apenas alguns aspectos do que outros jogos desse gênero costumam lidar. A Paradox é muito conhecida por seus jogos de Grand Strategy e Crusader Kings 2 e Europa Universalis IV são considerados como alguns dos melhores que o gênero tem para oferecer, sendo bastante densos, complicados e cheios de mecânicas. Já o 4X – eXplore, eXpand, eXploit and eXterminate – é praticamente sinônimo de Civilization e se trata desse tipo de jogo de estratégia em que num sistema de turnos o jogador deve aos poucos explorar os arredores e expandir a sua nação.

Eu achava que, sinceramente, Stellaris poderia revolucionar ambos os gêneros. Mas, embora ele realmente tenha trazido novidades para esses tipos de jogos de estratégia, de forma alguma está a altura do que imaginei para ele. Talvez ele chegue a se tornar de fato algo primoroso, um dos melhores games de seu tipo, mas em sua forma básica, é como se Stellaris fosse apenas um esqueleto que será melhorado e aprimorado conforme os patchs e dlcs forem chegando. Eu poderia ter imaginado que algo desse tipo iria acontecer, mas quando comecei a jogar Crusader Kings II e Europa Universalis IV eles já estavam com certa idade e já haviam passado por inúmeras mudanças. Mas segundo minhas pesquisas, no início, esses dois jogos também deixavam a desejar em muitos aspectos. Se a Paradox fizer um bom trabalho com Stellaris, algo que não é difícil, dada a facilidade de se customizar, alterar e criar mods para o jogo, ele pode até mesmo superar as minhas expectativas. O que não muda o fato de que me decepcionei razoavelmente com o produto.

Digo que me decepcionei e é verdade. Mas nessa semana eu joguei Stellaris por uma quantidade de horas até maior do que joguei Dark Souls 3. Foram 31 horas de jogo. Bastante coisa para mim. E embora eu ache que ainda falte no jogo bastante coisa, principalmente no campo da diplomacia com a IA do jogo, ele é realmente muito viciante.

Até o momento, estou na minha terceira tentativa de vencer uma partida, e acho que explicando o que deu de errado com as duas primeiras ficará claro alguns aspectos do jogo.

Na primeira vez que joguei, eu criei uma nação da espécie humana – todas as espécies são divididas entre mamífero, fungoide, aviano e etc – e escolhi o que seriam os “traits” da espécie (que acho que tinham sido adaptável e resiliente) e então escolhi as “Éticas de Governo” da nação, que foram coletivismo fanático e militarismo. Essas Government & Ethics dão bônus e complicações, além de servirem para diplomacia dentro do jogo. Na parte da criação do império também serve para limitar os tipos de governo que podem ser escolhidos. No meu caso, eu podia escolher Império Despótico e Ditadura Militar. Fui com o primeiro.

O início do jogo é menos pro lado do Grand Strategy e mais pro lado do 4X de Civilization. Pra ser sincero, eu acho ele bem mais 4X do que Grand Strategy, talvez porque os que eu joguei desse gênero tenham uma pegada mais histórica e não um mapa livre para ir sendo descoberto como é o caso de Stellaris. O meu Tarassian Empire – nome da minha nação – começou nas bordas de uma galáxia com mil sistemas estelares mal conhecendo o próprio sistema em que seu planeta natal se localizava. A partir daí, foi preciso utilizar Science Ships – naves científicas – para ir analisando os diferentes corpos celestes e descobrir que tipos de recursos eles poderiam me prover.

O tutorial do jogo é bastante instrutivo, ensinando as poucos, como se cada passo fosse uma missão dentro da campanha, ao mesmo tempo em que a coisa já está valendo. Não tem nenhum “cenário” tutorial, vai se aprendendo conforme se joga. E seguindo as dicas iniciais o jogo vai instruindo a utilizar o Science Ship para explorar os sistemas adjacentes – podendo encontrar anomalias que, ao serem estudadas, podem trazer missões – e então usar os Construction Ships para ir construindo estações nos corpos celestes que possuem recursos e também Outposts – postos avançados – para aumentar a área de influência do império e portanto os locais em que ele pode construir estações.

Esta parte do jogo é bem divertida, e apesar de não haver muito confronto contra outras civilizações, existem algumas espécies de animais que viajam entre as estrelas e podem ser hostis, ou então estações de robôs mineiros e naves de civilizações perdidas. Nenhum deles chega a representar ameaças à nação de fato, mas a presença deles em um sistema pode levantar a necessidade de se investir em naves militares para pacificar uma região antes de se começar a coloniza-la.

Conforme a exploração avança, eventualmente serão encontradas outras nações. No entanto, as opções diplomáticas são um tanto quanto… básicas demais em minha opinião. De inicio, eu só pude fazer coisas como trocar mapas, fazer tratados de paz, de não agressão e esse tipo de coisa bem basicona que já existia desde o Civilization 2, algo que me decepcionou bastante. Haviam vários modificadores na reação dessas outras nações devido aos tipos de governo e das “éticas” que cada uma possuía.

Depois de ter encontrado duas nações nessa vasta galáxia da primeira campanha, declarei guerra aquela que parecia ser a mais fraca delas. Nesse tipo de jogo eu dificilmente faço civilizações pacíficas e em Stellaris não foi diferente. Ao declarar a guerra, foi preciso escolher quais seriam meus objetivos, cada um tempo diferentes pesos quando fosse exigidos. Basicamente se limitavam a tornar o inimigo seu vassalo, exigir que entreguem um planeta ou exigir que libertem um planeta (assim, criando outra nação). Acabei “vassalizando” essa nação inimiga, que basicamente virou minha “escrava”, me cedendo recursos e automaticamente participando das minhas guerras. Com o tempo surgiu a opção de integra-la ao meu império, o que eu fiz, gastando periodicamente grandes quantidades do recurso “influência”.

Com o tempo fui ampliando o meu império e adotando políticas mais brandas. Na aba de controle do governo, alterei algumas políticas, banindo a escravidão – que eu utilizei bastante para gerar mais recursos – permitindo migração livre dos cidadãos e impedindo o uso de extermínio para acabar com cidadãos inconvenientes. Cada planeta possui uma série de quadrados que podem ser gerados recursos e se construir coisas, e em cada quadrado pode haver um “pops” que seria uma unidade de população que está trabalhando no local. Um sistema particularmente arcaico, mas é o que tem para o jogo.

Somando a expansão militar com a colonização de novos planetas – um processo demorado pois demanda o “crescimento” de novos “pops”, mas que é mais seguro pois não gera descontentamento – o Tarassian Empire se expandiu bastante no setor “nordeste” da galáxia. Consegui fazer duas alianças militares, o que me deu bastante segurança em declarar guerra contra meus vizinhos mais inconvenientes. Aos poucos, as civilizações que não cresciam ou eram conquistadas e se tornavam vassalas ou entravam em alianças. Os sistemas inexplorados acessíveis ficaram escassos e as fronteiras foram se solidificando. Expansão praticamente começou a significar guerra. Mas meu Tarassian Empire tinha poder o suficiente para derrubar todos os vizinhos e então se tornar imparável. Até mesmo a civilização que já começou “avançada”, com mais planetas e sistemas, poderia ser derrotada pela minha civilização.

Então tudo mudou.

Foi logo depois de uma guerra. Minhas frotas estavam retornando para casa quando surgiu um evento alertando sobre uma invasão. Basicamente, uma raça de criaturas com mentalidade de colmeia vindas de outra galáxia invadiu o centro do meu Império e começou a destruir tudo. Não pude fazer nada enquanto via essa ameaça estranha destruir o centro administrativo de minha nação com frotas mais fortes que a combinação de todas minhas naves e das naves dos meus aliados.

Esse foi um evento que aconteceu ao redor de toda a galáxia e muitas nações devem ter sido afetadas pelos invasores. Mas meu Império foi afetado de tal forma que eu não teria como continuar com aquela campanha. Os avisos do que estava para acontecer foram dados com antecedência, mas na minha ânsia de conquistar as terras dos meus vizinhos, não dei a devida atenção.

A invasão do Prethoryn Swarm (Enxame Pretoryano) é uma das três “crises” que podem acontecer na galáxia. As outras sendo a Rebelião de Robôs e Invasores Extradimensionais, que podem acorrer a depender da tecnologia pesquisada e utilizada pelos impérios da galáxia. Essa é uma mecânica nova, e até onde eu sei, exclusiva, criada para Stellaris, que busca trazer mudanças súbitas no panorama do jogo durante o “end game”, que muitos criticam em jogos de 4X como sendo extremamente determinísticos e previsíveis, já que uma nação que está ganhando na metade do jogo dificilmente será derrotada. Esse era um dos motivos de eu ter achado que Stellaris poderia revolucionar o gênero.

Posso dizer que o sistema funcionou muito bem. Mesmo eu tendo sido completamente dizimado pela ameaça, isso se deveu a eu não ter prestado muita atenção aos sinais do que estava para acontecer e ter investido menos no setor militar do que deveria. Algumas pessoas poderiam se sentir irritadas pela súbita mudança e acabarem perdendo no jogo por causa disso, mas dentro da narrativa e da experiência de construir um império estelar, eu achei muito legal. Tão legal que eu poderia até mesmo dar por finalizada minha campanha no jogo aqui no Zerando Minha Steam, pois senti que foi realmente um fim interessante para o Tarassian Empire. No entanto, para ver que outras possibilidades o jogo poderia trazer (e também porque eu queria jogar mais dele apesar dos defeitos) resolvi começar outra campanha e ver onde ela levaria.

Em resumo, no momento minha opinião é que Stellaris é um bom jogo do gênero, mas não tão bom quanto eu imaginava e, no estado em que se encontra, será facilmente superado por Endless Space 2, da Amplitude Studios.

Como eu mencionei antes, estou já na terceira campanha. Falarei sobre ela e a tentativa anterior na próxima semana, bem como outros acertos e erros desse jogo. Espero que continuam acompanhando 😉

Alguns dados:

Total de horas de Stellaris: 31

Total de horas do Zerando Minha Steam: 79

Jogos terminados no Zerando Minha Steam: 1

Jogos que faltam ser zerados: 253